Lula da Silva é o mais votado. Mas Brasil vai à segunda volta: para decidir se Bolsonaro fica ou cai

3 out, 01:40
Lula da Silva com Jair Bolsonaro

Ao longo da noite, Lula da Silva foi reduzindo a diferença e acabou por ultrapassar Jair Bolsonaro nos resultados eleitorais. Mas, em linha com as sondagens dos últimos dias, não conseguiu um resultado que pusesse fim à disputa logo neste domingo. Seguem-se mais semanas de campanha. O Brasil volta às urnas a 30 de outubro

Lula da Silva, ex-presidente do Brasil e candidato do Partido Trabalhista nas eleições presidenciais deste domingo, foi o mais votado com 47,88%, à hora em que o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a necessidade de uma segunda volta. Ao todo, recebeu pelo menos 54.955.039 votos. Não tendo o candidato mais votado mais de 50% dos votos, o país irá, por isso, a uma segunda volta a 30 de outubro.

Em segundo lugar, ficou o atual presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal, com 43,68% dos votos, que irá protagonizar também a segunda etapa da disputa. Ao todo, conseguiu a confiança de 50.167.651 eleitores, praticamente menos cinco milhões do que o rival à hora do anúncio do Tribunal Superior Eleitoral.

À 1:27 de Lisboa, menos quatro em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral confirmava o cenário de “eleição matematicamente definida (Segundo turno)”, quando estavam contabilizados 97,07% dos votos.

Muito distantes ficaram os candidatos Simone Tebet, com 4,21%, e Ciro Gomes, com 3,05%.

Ainda a contagem não tinha terminado e já o instituto Datafolha, considerado um dos mais credíveis do país na realização de sondagens, antecipava o cenário de uma segunda volta.

Nestas eleições, registou-se uma abstenção na ordem dos 20%, em linha com o último sufrágio em 2018. No Brasil, o voto é obrigatório para cidadãos entre os 18 e os 70 anos, devendo a ausência ser justificada, sob risco de penalizações, como a impossibilidade de renovar o passaporte.

À hora do balanço, estavam contabilizados mais de 120 milhões de votos. Houve mais de três milhões de votos considerados nulos e praticamente dois milhões de brasileiros votaram em branco.

Ao longo de todo o dia, multiplicaram-se os relatos de longas filas na votação no Brasil e nas cidades fora do país. Os eleitores que se encontravam na fila às 17:00, a hora prevista para o fecho das urnas, receberam uma senha para garantir o direito de voto.

Lula da Silva foi o primeiro candidato a votar, numa escola de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde iniciou a sua vida política. Já Jair Bolsonaro votou numa escola da Vila Militar, no Rio de Janeiro, também um território de confiança política. Os dois mostraram-se, de manhã, confiantes no resultado.

Mais de 156 milhões de eleitores brasileiros estavam inscritos para eleger, de forma eletrónica, o próximo presidente do país. No país, existiram 577.125 urnas eletrónicas, espalhadas por 5.570 cidades. Apesar das filas, o processo decorreu com normalidade. Houve registo de pelo menos 786 situações de crime eleitoral e episódios muito esporádicos de destruição das urnas, por exemplo, com recurso a cola instantânea.

Vitória em Portugal

O ato eleitoral estendeu-se às comunidades brasileiras por todo o mundo, inclusive em Portugal, onde estavam inscritos 80.896 eleitores brasileiros, mais de metade dos quais em Lisboa. Tanto em Lisboa como no Porto, os resultados já disponíveis dão a vitória a Lula da Silva. Os apoiantes de Jair Bolsonaro na capital admitiram pedir a impugnação dos resultados. O dia foi marcado por despiques de parte a parte na capital, mas sem registo de situações de violência.

O primeiro crime eleitoral registado no exterior do Brasil aconteceu em Lisboa. Segundo a Polícia Federal, uma pessoa brasileira tentou votar no lugar de outra. O homem em causa alegou ter-se enganado, votando numa urna que estava preparada para outra pessoa.

Além de Lula da Silva e Bolsonaro, disputavam as presidenciais brasileiras os candidatos Ciro Gomes, Simone Tebet, Luís Felipe D’Ávila, Soraya Tronicke, Eymael, Padre Kelmon, Leonardo Pericles, Sofia Manzano e Vera Lúcia.

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