A freguesia Costa onde o PSD é rei e o champanhe de Rio na onda laranja em Guimarães

23 jan, 21:53

Foi um domingo recheado na caravana laranja. Rui Rio foi recebido por um mar de gente em Guimarães e com um vira minhoto em Arcos de Valdevez. A cidade onde nasceu Portugal tem ainda a freguesia Costa onde o PSD é rei e senhor

No concelho de Guimarães, cuja câmara pertence ao Partido Socialista (PS), existe a freguesia Costa onde o próprio António Costa perdeu sempre que se candidatou a primeiro-ministro, em 2015 e em 2019. Nesta terra, que tem cerca de 5.400 habitantes, há quem diga que por causa das obras que continuam por realizar na paróquia ou então pela mudança do local de voto.

A missa de domingo terminou e ouvem-se os sinos na Igreja Santa Marinha da Costa. Ao mesmo tempo, no centro da cidade onde nasceu Portugal, arrancava aquela que foi (até agora) a maior ação de campanha de Rui Rio. Uma arruada que contou com centenas de pessoas. Mas, antes disso, fomos tentar perceber porque é que António Costa perdeu na freguesia que lhe roubou o apelido.

“Foi a mudança do local de voto. Passou de um extremo, que era São Roque, para o centro da freguesia. Antigamente, as pessoas recusavam-se a votar e agora vão”. Esta foi a teoria apresentada pelo senhor José. Mas Manuel Guimarães tinha uma outra. Perdeu a freguesia da Costa porque o património precisa de obras. O senhor António Costa nunca deu seguimento às obras na igreja que está um caos, está a cair e ninguém desenvolve. Isto é do Estado e ninguém vem aqui para nos ajudar”. A revolta é tão grande que Manuel ainda disse que o primeiro-ministro “havia de perder outra vez este ano”.

E esta revolta é partilhada por muitos dos crentes que vieram, esta manhã, à missa. Os habitantes de Costa não estão só chateados com a falta de obras, há quem esteja cansado da política, mas ainda assim continue a votar e se mantenha não só fiel à religião, como ao partido. “Eu não ligo à campanha. Já cansei de política, porque ninguém fala a verdade. Mas voto sempre e sempre no mesmo partido”, confessou Abel Oliveira.

Arminda e Olívia também votam sempre, mas em cores diferentes. “Eu vou votar PS, porque acho que não há melhor do que ele [António Costa]. Nenhum faz melhor, o resto é tudo igual”, desabafou Arminda Marques. “Eu prefiro o PSD” dizia Olívia, de 62 anos. Não sabe porque é que o secretário-geral do PS tem perdido, mas acha que é porque a freguesia “não é das mais desenvolvidas”.

Rui Rio em campanha em Guimarães (PSD/Duarte Bandeira)

Numa chuva de confetis, Rio começa a sentir o peso da “responsabilidade”

Se nos arredores de Costa havia dúvidas sobre quem ganha e quem perde, no Largo do Toural, em Guimarães, havia um mar de certezas. Centenas de pessoas juntaram-se para mostrar a força do Minho a Rui Rio, que começa a sentir o peso da “responsabilidade”. Nos cartazes lia-se: “Vieira do Minho está presente” e “Rio, Vieira do Minho está contigo”. Mais uma vez, havia bombos a marcar o ritmo da arruada. Estava a JSD de Cabeceiras de Basto ao comando. Ao longe, iam chegado autocarros cheios de apoiantes e militantes. Saíam ordenados para o meio daquela que foi a maior ação de campanha da caravana laranja.

No meio do mar de gente, destacavam-se alguns rostos conhecidos como André Coelho Lima, Salvador Malheiro, José Silvano e Aguiar Branco, antigo ministro da Defesa. Minutos antes do discurso do líder, num mini púlpito improvisado numa das ruas de Guimarães, lançavam-se confetis brancos e laranja enquanto se gritava “vitória!”.

O cabeça de lista pelo distrito de Braga dirigiu as primeiras palavras para dizer que a ambição não é derrotar o PS, mas sim fazer melhor pelo país: “A nossa ambição não é vencer, nem é olhar para as sondagens com triunfalismos. A nossa ambição é, com humildade, merecer os votos de Portugal e, com isso, mudar Portugal”, afirmou Coelho Lima.

Rui Rio em campanha em Guimarães (PSD/João Pedro Rocha)

Seguiu-se Rui Rio, que começou por dizer que “o apoio e os votos dos portugueses” são uma alegria, mas “também uma responsabilidade de fazer melhor”. “Há sinais sinais evidentes de que temos estado a crescer em apoio e António Costa já percebeu isso”. E, por essa razão, acusou o adversário de já não conseguir fazer campanha “pela positiva” e estar “a baixar os braços”.

“Aquilo que António Costa tem feito é deturpar as nossas propostas (…) dizer mal dos outros não é programa para nada (…) ter ideias não é fácil, mas consegue-se”, rematou.

Os sociais-democratas não querem triunfalismos, mas foi assim que os vimaranenses receberam o presidente do PSD. Mas, como disse no sábado em entrevista exclusiva à CNN Portugal, Rio não quer acelerar. Agora é engatar a quinta e seguir em velocidade cruzeiro até ao dia 30, onde acredita ter “uma grande vitória”.

O vira minhoto e a viragem nas sondagens

A caravana seguia para Arcos de Valdevez. A jogar em casa, Rio assistiu ao vira minhoto e as sondagens viraram mesmo este domingo. O PS recuperou terreno e assumiu novamente o primeiro lugar, mas a vantagem é de apenas 0,6 pontos percentuais. Temos empate técnico. Isso não retira a confiança e tranquilidade de Rui Rio, que admitiu ter, desta vez, apenas uma garrafa de champanhe: “Eu tinha duas garrafas de champanhe. Uma em casa outra no partido. Se perdesse, abria a de casa. Agora, alterei a estratégia e só tenho mesmo uma. Está no partido”.

Um discurso diferente daquele que teve nas eleições internas. E por falar em diretas, foi em Viana do Castelo que o antigo opositor Paulo Rangel decidiu mostrar o seu apoio àquele com quem há um mês estava a disputar a liderança do partido.

“O PS nunca resiste a mais de seis anos. António Costa já desistiu. Está exausto. Só Rui Rio pode derrotar António Costa”, defendeu, dizendo ainda que o primeiro-ministro já só “ataca a geringonça, só ataca o PSD e não oferece nada ao futuro”.

Paulo Rangel na campanha de Rui Rio (PSD/João Pedro Rocha)

Na mesma linha, o presidente do PSD referiu que o PS “está cada vez mais com ausência de mensagens para os portugueses”, tanto é que vai buscar “coisas do passado” como a troika e o governo de Pedro Passos Coelho.

“Não me vê criticar, permanentemente, o que Sócrates fez. António Costa, não tendo argumentos, vem dizer que vamos fazer o mesmo que o governo de Pedro Passos Coelho. É preciso ter lata”.

Entre selfies e autógrafos, Rio ganhou o concurso deste domingo: “Autógrafos tenho dado muitos e não estive no Big Brother. Se tivesse estado, aí é que era”. Na gala do próximo domingo, veremos se é desta que entra na ‘casa’ de São Bento.

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