Da "esquerda-fina" que quer criar "o país da estação do Oriente" ao "xenófobo e racista" com quem "ninguém se quer sentar": o debate de Ventura e Mortágua

CNN Portugal , BCE
14 fev, 00:01

O debate entre André Ventura e Mariana Mortágua fez-se de indicadores em riste e com acusações de parte a parte. A crise na habitação, a imigração e o combate à corrupção foram os pontos quentes que acenderam este frente a frente

Mariana Mortágua assume-se "mais próxima de determinar uma próxima governação" do que André Ventura, que acusa a coordenadora do Bloco de viver numa "fantasia" e de querer construir "o país da Estação do Oriente". O debate entre André Ventura e Mariana Mortágua fez-se de indicadores em riste e com acusações de parte a parte.

Começando pela crise na habitação. Para a coordenadora do Bloco, esta crise só se resolve limitando as rendas e "a procura de luxo, de milionários, que não é para viver" e que só é possível com os benefícios fiscais e os Vistos Gold. Esta proposta dos bloquistas serve de mote para o primeiro ataque a André Ventura: "É surpreendente que o Chega queira reintroduzir os Vistos Gold, são uma porta aberta para a corrupção em Portugal."

O líder do Chega responde que a lógica do partido em matéria de habitação assenta na oferta e na procura, "coisa que o Bloco de Esquerda ignora por completo". Sobre os Vistos Gold em concreto, Ventura garante que o peso deste programa no investimento imobiliário é de 3%. "Não tem nenhum impacto", sublinha, acrescentando que a crítica de Mortágua "é uma ideia pseudo-comunista ou venezuelano-comunista". 

"O que a Mariana Mortágua é: quanto menos investimento privado houver em Portugal melhor, porque o Estado controla tudo", argumenta.

Em resposta, Mariana Mortágua acusa o Chega de servir os interesses imobiliários, pois são eles que "financiam" o partido. "As propostas do Chega vão ao encontro dos interesses e pessoas que financiam o Chega, como aconteceu com os CTT. Defendeu a administração privada dos CTT e estava a ser financiado pelos donos do CTT", acusa.

O líder do Chega diz que a lista de financiadores do partido é pública, assumindo-se "orgulhoso" de "não ter terroristas nas listas e candidatos à Câmara de Lisboa". Mariana Mortágua responde com uma nova acusação. "O seu partido é que tem como número dois um dirigente da principal organização terrorista em Portugal, que fez 600 atentados e matou uma jovem", diz, referindo-se a Diogo Pacheco Amorim.

"Tenha vergonha do que está a dizer", interrompe André Ventura. O presidente do Chega sublinha que "Diogo Pacheco Amorim nunca foi condenado por terrorismo em Portugal", ao contrário do que diz acontecer nas listas do Bloco. "Pelo menos dois candidatos seus foram condenados por terrorismo", acusa.

Mas, para Mariana Mortágua, "o problema da corrupção não é as penas", mas sim o facto de não se conseguir condenar nestes crimes porque "o dinheiro está escondido em offshores". "O dr. Ventura quer arrestar o dinheiro, mas não se lembra que defende as offshores, que é onde os corruptos escondem o dinheiro", acusa.

Ventura volta a interromper para afirmar que as acusações de que é alvo são falsas, e Mortágua rebate, salientando que "a palavra offshore aparece zero vezes no programa do Chega". 

O moderador do debate coloca depois em cima da mesa o tema da imigração, com André Ventura a defender que "quem vem tem de ter contrato de trabalho, ou visto ou meios de subsistência". E acusa Mariana Mortágua de ser "a cara" do maior erro que cometemos nos últimos anos" ao "levar o Governo a extinguir o SEF" e a avançar com os vistos CPLP.

"O país que Mariana Mortágua quer criar é o país da estação do Oriente, onde está uma série de sem-abrigo imigrantes, porque os deixaram cá entrar e não temos condições para os integrar", aponta.

Em resposta, a coordenadora do Bloco considera que a política migratória defendida pelo Chega é "a política do ódio, que não resolve problema nenhum e é um incentivo à imigração clandestina". "Os imigrantes estão em Portugal porque há trabalho. A única questão que temos de responder é se queremos imigrantes regularizados e integrados ou clandestinos e entregues às máfias. Muitas das pessoas de quem fala, que vivem em beliches, em contentores, são pessoas que fazem a apanha da fruta e as campanhas sazonais da agricultora", afirma.

Veja quem ganhou o debate

André Ventura volta ao tema, acusando Mariana Mortágua de "viver numa fantasia" comum à "malta 'esquerda-fina que vive no Príncipe Real". "A imigração é como a história do despejo da sua avó que não podia ter sido despejada", compara o líder do Chega.

Mortágua aproveita para esclarecer o caso da avó, que gerou controvérsia na última semana. "Eu não minto. A minha avó tinha 80 anos quando ficou a saber que aos 85 a renda podia saltar. Se acha que isto não mete medo a uma idosa, é porque não quer saber da habitação." O líder do Chega resume esta história como "uma grande treta".

A coordenadora do Bloco acusa depois André Ventura de ter proposto uma medida, durante o congresso nacional do Chega, que coloca em causa os abonos de família e os apoios às vítimas de violência doméstica, naquele que seria o corte de 400 milhões na ideologia de género. "É mentira", interrompe Ventura.

Mariana Mortágua diz ainda que as propostas do Chega para reduzir os currículos nas escolas implicam o despedimento de 67 mil professores. "Isso é falso, Mariana", volta a interromper Ventura, que explica depois que a medida proposta pelo Chega visa "reduzir desperdício, custos operacionais" e não implica qualquer despedimento. Ventura diz mesmo que "o Chega foi o primeiro partido a comprometer-se com a recuperação do tempo integral de serviço dos professores".

É por tudo isto que a coordenadora do Bloco diz estar "mais próxima de determinar uma próxima governação do que Ventura está de fazer um acordo com partidos a quem anda a chamar de prostituta política".

"Ninguém se quer sentar ao seu lado por causa das suas posições xenófobas e racistas", sublinha.

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