Há muitas surpresas numa noite eleitoral complicada para a esquerda, em particular para os socialistas
Juntos Pelo Povo ou JPP, para ser mais sucinto. Decore este nome, mesmo que não viva no arquipélago da Madeira, já que Filipe Sousa vai ser deputado nacional, depois de ter conseguido a eleição por aquele círculo eleitoral.
Não será a surpresa da noite em dimensão, mas é definitivamente uma das surpresas, já que se trata de uma estreia na Assembleia da República, tendo até elegido primeiro que Iniciativa Liberal, Livre, Bloco de Esquerda, CDU ou PAN.
De resto, à hora em que este texto começou a ser escrito, só os liberais tinham conseguido eleger - o Livre também estará para perto -, sendo que Bloco de Esquerda, CDU e PAN ainda lutam para tentar ter um resultado minimamente positivo.
Olhamos agora para cima, para a Aliança Democrática, que deverá vencer claramente as eleições, destacando-se em relação às últimas eleições. Por esta altura passeava nos 55 deputados, olhando para os de baixo que seguem lá longe.
São o Chega e o PS, taco a taco, tal como previa a projeção da CNN Portugal, que dava um empate técnico entre os dois.
Mas há aqui uma diferença e para o partido de André Ventura isso pode ser significativo, pelo menos em percentagem final: o Chega venceu nos círculos eleitorais de Beja e Portalegre, onde nunca tinha vencido.
Não conseguiu foi eleger em Bragança, mantendo um cenário menos positivo que já se tinha verificado: é o único círculo eleitoral onde não consegue eleger um deputado.
Quanto ao PS, destaque para um pequeno resultado que pode ser espelho do resultado nacional: Pedro Nuno Santos perdeu no seu concelho, São João da Madeira, onde a AD venceu.
Mas olhemos novamente para o todo nacional. Para Viana do Castelo, mais precisamente, onde a AD conseguiu eleger três deputados, mais um que em 2024. Foi o PS que o perdeu, sendo que os socialistas ficaram mesmo atrás do Chega. Ali ao lado, em Vila Real, um resultado em tudo semelhante, com o PS a perder um deputado para a AD, ainda que ficando à frente do Chega.
A Guarda é exemplo de um dos cenários menos maus do PS. Desceu, sim, mas ficou em segundo atrás da AD e elegeu um deputado. Tudo como há um ano. Já em Viseu, terras do famoso Cavaquistão, a AD conquistou um deputado ao PS, passando a ter quatro. O Chega ficou à frente dos socialistas, ambos com dois.
Olhando para baixo, o PS só pode sorrir em Évora. Mesmo que descendo, venceu, o que já é novidade. O mesmo não aconteceu em Castelo Branco e em Santarém, onde a AD dominou, sendo que no primeiro destes círculos eleitorais passou o PS, conquistando também um dos deputados que os socialistas tinham conseguido.
Já em Santarém a AD também recuperou o distrito, "roubando" um deputado ao PS, que passa de primeiro para terceiro, atrás do Chega. Em Coimbra, e apesar de o PS também ter descido e a AD ter subido, tudo igual: três a quatro em deputados, com o Chega a ficar nos dois.
Indo mais para baixo, Faro pode bem ser o espelho do país: a AD mantém mais ou menos a votação e os mesmos três deputados, mas o Chega ganha um ao PS, voltando a vencer o círculo eleitoral, com quatro deputados.
Braga também já fechou, com a AD a ganhar e a manter os oito deputados. O Chega, como em muitos locais, ganhou um deputado ao PS. Foi o que aconteceu em Leiria, por exemplo, onde a AD voltou a vencer, mantendo os cinco deputados, com o Chega a conseguir "roubar" um deputado ao PS, ficando com três.
Em Aveiro o Chega também ganhou um deputado ao Chega, num distrito onde Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos eram cabeças de lista, com a AD a vencer e a eleger sete deputados.