opinião

Eleições em França parecem mostrar cenário "ingerível ou até ingovernável". Agora, "só há um governo possível", diz Paulo Portas

7 jul, 22:24

No seu habitual espaço de comentário do Jornal Nacional da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), Paulo Portas analisa o cenário político em França, no rescaldo da segunda volta das eleições legistivas antecipadas, por decisão de Emmanuel Macron

Paulo Portas acredita que agora "só há um governo possível" em França, tendo em conta as projeções dos resultados da segunda volta das eleições legislativas, que, à primeira vista, parecem ter dado um cenário "ingerível ou até ingovernável". Mas, mesmo que estes resultados se confirmem, há uma solução, antecipa, no Global desta semana.

"Uma aliança ao centro - que vai do centro-esquerda ao centro-direita, ou então apenas do centro-esquerda ao centro - entre os apoiantes de Macron, os socialistas e talvez os verdes, que perfazem cerca de 90 deputados, e talvez os gaullistas", teoriza, no seu habitual espaço de comentáro do Jornal Nacional da TVI.

Nenhum dos partidos e das alianças eleitorais conseguiu obter votos suficientes para formar um governo de maioria absoluta (são necessários 289 mandatos para obter maioria absoluta no parlamento francês, que elege 577 deputados). Ora, sendo assim, não é possível formar nem "um governo só de esquerda", nem um governo "em que o centro-direita se aliasse a Le Pen".

Uma vez que o presidente francês só pode voltar a dissolver o parlamento daqui a um ano e que a coligação das esquerdas, Nova Frente Popular, tal como os apoiantes de Macron e o próprio Reagrupamento Nacional, de Le Pen, são "basicamente alianças eleitorais" que incorporam "vários grupos" - alguns dos quais são mesmo "incompatíveis" - esta parece a solução mais certa para o comentador da TVI.

Além disso, Paulo Portas lembra a situação económica em França, que "está com 5,5% de défice e 113% de dívida pública". Ora, neste contexto, diz, o país "não tem margem para populismos". "Há muito pouco para dar e há muitas coisas para fazer, que não são exatamente simpáticas, para pôr as Finanças em ordem", aponta.

Este 'xadrez' político "tem enormes riscos", reconhece Paulo Portas, assinalando que "os extremos estão muito fortes". "A possibildiade de as pessoas irem para as ruas queimar carros e partir lojas é recorrente", diz - ainda que considere que essa é uma característica dos franceses, ironizando que "o desporto favorito deles é cortar a cabeça dos reis".

Neste contexto, "há uma personalidade que emerge desta campanha", destaca o comentador, que vai mais longe e diz mesmo que essa figura "salvou Macron". 

"Há sobretudo um homem que salvou Macron, que foi quem deu a cara por uma dissolução inexplicável e por um risco de desaparecimento do centro, que é o primeiro-ministro, Gabriel Attal, e que amanhã apresentará a demissão, como é normal", diz.

As eleições legislativas em França foram antecipadas por decisão de Emmanuel Macron, na sequência dos resultados das eleições europeias, que deram a vitória ao Reagrupamento Nacional de Le Pen, que obteve então mais de 30% dos votos. Na altura, o presidente francês justificou a decisão - bastante criticada pelos franceses desde então - pelos resultados do seu partido, Ensemble, que obteve apenas 15,2% dos votos nas europeias. Assim, Macron acedeu ao desafio lançado pelo líder da extrema-direita, Jordan Bardella, para que dissolvesse o parlamento e convocasse novas eleições, que teoricamente só aconteceriam em 2027.

Comentadores

Mais Comentadores

Mais Lidas

Patrocinados