Presidente foi questionado sobre acusações de corrupção contra o filho e medidas para a segurança pública
Lula da Silva, 80 anos, candidato pelo Partido dos Trabalhadores à reeleição pela presidência do Brasil mostrou-se à defensiva perante o país. Ao ser questionado sobre as investigações que envolvem o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o Presidente brasileiro garantiu que não irá interferir no trabalho da Polícia Federal. “Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, apontou. Ao mesmo tempo, classificou as suspeitas como “ilações”.
Lula voltou também a criticar a Operação Lava Jato, que o levou à prisão e acabou por ser anulada pela Justiça. “Eu fui vítima disso na Lava Jato, da maior mentira montada neste país”, afirmou, acusando novamente antigos responsáveis pela investigação de terem divulgado informações falsas sobre si. Lula defendeu ainda que “as pessoas são inocentes até prova do contrário” enquanto não existirem condenações.
As declarações foram feitas durante uma entrevista à Globo, na quinta-feira, 27 de agosto, que colocou ainda a economia no centro da conversa. Questionado sobre a dívida pública, Lula foi direto. “A mim não preocupa a dívida pública”, referiu. O Presidente atribuiu parte do problema aos juros e defendeu que o crescimento económico permitirá melhorar as contas do país. Para um eventual novo mandato, prometeu apostar em tecnologia, inteligência artificial, produção de chips e minerais estratégicos.
Na segurança, Lula defendeu uma maior coordenação entre o Governo federal e os Estados para combater o crime organizado. “O meu desejo é recuperar o território para o povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido”, afirmou. O candidato garantiu ainda que não pretende privatizar os Correios. “Não considero vender os Correios. Considero recuperar os Correios”, disse, defendendo a modernização da empresa.
O escândalo dos descontos ilegais nas pensões e reformas do Instituto Nacional do Seguro Social foi outro dos temas abordados. Lula garantiu que os beneficiários prejudicados serão ressarcidos e prometeu “zerar a fila do INSS”. No final, porém, criticou o rumo da entrevista, dizendo que se sentiu “no Ministério Público” devido ao número de perguntas sobre investigações e acusações e lamentando ter tido pouco espaço para apresentar as suas propostas.
