Política externa é uma das áreas que desperta mais interesse por Augusto Cury
Augusto Cury, 67 anos, escritor e psiquiatra, apresentou-se como uma alternativa à polarização política brasileira e defendeu uma profunda transformação do Estado através da tecnologia. Na entrevista à Globo, este sábado, 29 de agosto, o candidato do Avante prometeu reduzir o número de ministérios para entre oito e dez e rever cargos públicos de livre nomeação ou exoneração. “Nós temos que rever 50.000 cargos comissionados”, afirmou. A aposta passa ainda pela criação de uma estrutura dedicada à Robótica e à Inteligência Artificial, que, segundo Cury, permitiria digitalizar serviços públicos e reduzir despesas.
Na economia, o candidato, que se estreia numas eleições, defendeu um aumento significativo da tributação sobre as casas de apostas, propondo uma taxa superior a 50%, contra os atuais 12%. O candidato quer também reformular o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, separando o financiamento de grandes empresas do apoio às microempresas. Questionado sobre a dívida pública, afirmou que “cada criança e adolescente nasce devendo pelo menos 50 mil reais [mais de 8.300 euros]”, uma afirmação posteriormente considerada falsa por uma plataforma de verificação, por confundir a dívida pública com uma dívida individual dos cidadãos.
A tecnologia esteve também no centro das propostas para a segurança. Cury defendeu a utilização de drones para proteger mulheres vítimas de violência e a criação de uma aplicação com um botão de alerta para acelerar a intervenção policial. Na saúde, propôs levar a telemedicina a uma grande parte dos atendimentos do Sistema Único de Saúde, defendendo que a tecnologia pode tornar o serviço público mais eficiente.
Mas é na política externa que algumas das ideias de Cury poderão despertar maior interesse fora do Brasil. O candidato quer modernizar a rede diplomática brasileira e transformar o país, nas suas palavras, num “supermercado do mundo”, aumentando a promoção dos produtos brasileiros no estrangeiro. Para isso, defendeu também uma maior utilização de influenciadores digitais na divulgação do Brasil e criticou a necessidade de manter o modelo tradicional de atuação diplomática.
As ideias parecem ter agradado os eleitores, já que as sondagens colocavam Cury longe dos principais adversários, como Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Mas numa sondagem da BTG/Nexus divulgada esta segunda-feira, dia 31 de agosto, o candidato subiu para os 11% das intenções de voto estando agora em terceiro lugar.
