A formação e o «caso João Neves» dividem debate do Benfica

24 out, 00:13

A saída do médio para o PSG dividiu opiniões e reacende discussão sobre a capacidade do clube em reter os seus talentos

O nome de João Neves foi o epicentro do debate entre os candidatos à presidência do Benfica, transmitido pela BTV, e voltou a ser usado como exemplo daquilo que muitos consideram uma falha estratégica na política de formação das águias.

Cristóvão Carvalho foi o primeiro a abrir as hostilidades sobre o tema, admitindo que o médio internacional português podia ser um «farol» do clube.

«Um miúdo que chegue ao Seixal tem de acreditar que vai chegar à equipa principal. Temos de ter seis ou sete que se mantenham. O João Neves seria um deles. Foi daqueles jogadores que não te perdoo, Rui. Admito que falhes, mas o João não. O João queria ficar, tinha condições para ficar e ser um farol», atirou o candidato.

Rui Costa respondeu de imediato, defendendo que a saída do médio era inevitável face à diferença financeira para o Paris Saint-Germain.

«As coisas não funcionam dessa maneira. João Neves não podia ficar mais uma época no Benfica. Foi campeão nacional e saiu. Dizer que ele não queria sair é a coisa mais simples do mundo. Não queria o João Neves nem outro jogador, se o Benfica não pode pagar o que os outros pagam. Era um jogador sem preço, mas era impossível mantê-lo», explicou o presidente encarnado.

O tema, porém, não ficou por aí. João Noronha Lopes insistiu que o processo de renovação foi mal gerido.

«Rui Costa diz que não era possível segurar João Neves. Todos os jogadores quererão sair um dia, mas quem disse que não queria sair foi o próprio João Neves. O caso não foi resolvido na altura certa, em dezembro ou janeiro, e deixou-se o assunto arrastar até já estar com a cabeça noutro lado. João Neves saiu por urgência», acusou.

João Diogo Manteigas alinhou no mesmo tom, defendendo que o clube devia ter sido mais firme.

«Obviamente que o Benfica podia simplesmente não vender. Podia criar um problema com o jogador, mas tenho dificuldade em acreditar que ele não quisesse dar a volta. Falando com as famílias e agentes, e mostrando que há condições para jogar, consegue-se segurar talentos como o João».

Rui Costa ironizou uma das sugestões de Manteigas, que propôs dar garantias de tempo de jogo a jovens da formação.

«Dar garantias aos pais de que os filhos vão jogar? É pior dizer isso aos pais do que aos agentes. Nenhum dirigente pode prometer a um pai que o filho vai ser titular», contrapôs.

Também Luís Filipe Vieira, antigo presidente, entrou na troca de argumentos, criticando de forma mais «pedagógica».

«Se calhar, Rui, podias ter dado um contrato de quatro anos, abafavas a situação e não te pedia mais nada. Se a questão era financeira, já sabes o que eu digo: vão-se os anéis e ficam os dedos», lançou.

Mas Noronha Lopes voltou ao ataque trazendo novamente o tema no debate presidencial dos encarnados.

«Se os jogadores da formação virem colegas ficarem seis meses e saírem logo, também vão querer sair. João Neves não é uma questão do passado. A formação faz-se de símbolos, e estou farto do discurso de que não podemos cortar as pernas aos jogadores. É esse fatalismo que nos impede de ganhar», atirou.

Rui Costa terminou o debate sobre o caso sublinhando que «nem todas as gerações têm a mesma qualidade» e lembrando que «a valorização financeira do jogador era incomportável para o Benfica».

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