Campo de Batalha | Em Aveiro, não se sabe quem ganha, mas é careca, alto, de olhos claros, está nos sessentas e chama-se Souto de Miranda

2 out 2025, 16:34
Campo de batalha Aveiro: Alberto Souta de Miranda e o irmão Luís Souto de Miranda, Fotos partidos, montagem, CNN

Em Aveiro decorre uma das histórias mais curiosas desta campanha: dois irmãos disputam a liderança da câmara municipal

Aveiro (CNN Autárquicas 2025) - Há dias, Luís acusou Alberto de "judicializar a política". Alberto acusou Luís de "mentirolazita". Luís é PSD, Alberto é PS, são irmãos e estão na disputa pela liderança da Câmara deixada vaga por José Ribau Esteves, que não pôde voltar a candidatar-se por limitação de mandatos. Dentro dos partidos, em off, as informações apontam para algum favoritismo de Alberto, mas os quase 90 mil habitantes do concelho é que vão decidir.

Boletim: quem é quem?

O primeiro a avançar para a corrida foi Alberto Souto Miranda. É a arma do PS para procurar inverter a cor política de Aveiro, com um nome com experiência demonstrada naquele território: liderou o executivo entre 1998 e 2005 – algo que lhe tem valido críticas por ser um “regresso ao passado”. Uma das dúvidas que se coloca é se, mantendo-se o PS na oposição, Alberto terá a capacidade de criticar a atuação do próprio irmão

Já a escolha de Luís Souto Miranda, atual presidente da Assembleia Municipal, gerou divisões dentro do PSD, que o apoia. Ribau Esteves apresentou a sua demissão de presidente da Mesa da Assembleia da Secção de Aveiro do PSD. Tal como o vogal Rogério Carlos, número dois na autarquia, que era apontado como o sucessor natural.

Contra “os mesmos de sempre”, o Chega aposta em Diogo Machado, antigo deputado pelo CDS-PP na Assembleia Municipal que, nos entretantos, se incompatibilizou com os democratas-cristãos.

Os liberais avançam com Miguel Gomes, os bloquistas com João Moniz, os comunistas com Isabel Tavares. Na corrida entram também o Livre com Bruno Fonseca, o PAN com Ana Rita Moreira e o Nós Cidadãos com Paulo Alves.

Rio de Aveiro (Gettty Images)

Arsenal de campanha

Numa cidade onde o crescimento da população tem sido maior do que a média nacional, há uma preocupação transversal a todas as cores políticas: a habitação. À esquerda e à direita, os candidatos apontam a necessidade de reforçar a habitação pública, de modo a equilibrar os preços.

Sendo a universidade um dos principais motores de Aveiro, os candidatos desafiam-se, além da integração do talento nos grandes projetos industriais instalados na região, a aproveitar a inovação e a tecnologia que nasce na academia para atrair investimento e desenvolver o tecido empresarial do concelho, que assenta sobretudo em pequenas e médias empresas – e no turismo, uma atividade que tem alimentado muitas queixas, pela pressão sentida pelas populações no seu custo de vida e pelo sentimento de que a prioridade são as infraestruturas para acolher os visitantes.

Outra das preocupações transversais está na mobilidade, nomeadamente no que diz respeito a uma melhor rede de transportes públicos, que permitiriam atenuar os constantes congestionamentos na cidade, e a uma rede de bicicletas partilhadas e de ciclovias que estejam realmente integradas nas dinâmicas da cidade.

Com o fim de um ciclo político, o Chega tem insistido na necessidade de uma auditoria às contas da autarquia desde 2014. É um tema que, certamente, também marcará os próximos tempos em Aveiro.

População quer sentir que tem uma cidade para lá do turismo (Pexels)

Currículo de guerra

O passado importa na hora de medir as probabilidades que cada força política tem. Veja como evoluíram as principais forças políticas neste concelho.

Nota: nesta comparação foram apenas tidos em conta os cinco partidos com maior peso eleitoral nas últimas eleições autárquicas, de 2021. Nesse ano, o PSD concorreu em coligação com CDS-PP e PPM; o PS concorreu em coligação com o PAN.

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