Exército foi chamado para uma autêntica batalha campal num estado turístico minutos depois da morte de "El Mencho"
Uma grande operação militar com um só objetivo: apanhar um dos piores traficantes de droga do mundo.
Com esta premissa, até o melhor Exército do mundo teria de ter um plano cuidadosamente gizado, mas foi a partir de algo bem mais prosaico que autoridades do México conseguiram chegar a Nemesio “El Mencho” Oseguera.
De acordo com o ministro da Defesa, Ricardo Trevilla Trejo, esta operação foi levada a cabo após o cruzamento de informações obtidas por México e Estados Unidos, que conseguiram localizar “um associado de confiança de uma das parceiras românticas de ‘El Mencho’”.
Encontrada a mulher já no sábado, bastou seguir-lhe os passos em Tapalpa, no estado de Jalisco, onde rebentou um cenário semelhante a uma guerra depois da morte do criminoso mais procurado do país, espalhando o terror por um local habituado ao turismo.
“Depois, esta parceira encontrou-se com ‘El Mencho’ e a 21 de fevereiro deixou o local”, acrescentou o ministro da Defesa, explicando que as informações apontavam que o barão da droga tinha permanecido no mesmo local.
Cientes da dimensão de segurança em torno do traficante, as autoridades delinearam a operação naquele mesmo dia, acabando com o sucesso que se conhece, e que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, pode agora apresentar ao homólogo norte-americano, Donald Trump.
“El Mencho” foi ferido nos primeiros minutos da operação, depois de a sua equipa ter resistido “muito violentamente”. Capturado, acabou por morrer a caminho da Cidade do México já nas mãos da polícia.
De acordo com as autoridades, o traficante e o seu “círculo próximo” ainda tentaram fugir para uma zona florestal nos arredores de Tapalpa, a partir de onde abriram fogo contra as autoridades, disparando até contra um helicóptero da Força Aérea, que foi obrigado a fazer uma aterragem de emergência.
Outros dois seguranças de “El Mencho” foram feridos na troca de tiros entre as partes, tendo ambos morrido a caminho do hospital. A eles, além do líder, juntam-se as mortes de outros cinco membros do cartel.
Aos 59 anos, “El Mencho” liderava um dos cartéis mais bem-sucedidos do mundo, o Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), alcançando uma grande dimensão territorial no México e tornando-se parte ativa no tráfico de fentanil, além de outras drogas, para os Estados Unidos.
Assim que se soube da morte do traficante, o estado de Jalisco virou cenário de guerra, com confrontos violentos que obrigaram ao encerramento de cerca de 250 estradas, muitas delas cortadas com carros totalmente incendiados pelo meio.
De acordo com as autoridades locais, 81 lojas de conveniência e 22 agências do banco estatal foram atacadas desde a operação, havendo a contar já mais de 50 mortos - 25 da Guarda Nacional e 30 do CJNG.
“A coisa mais importante agora é garantir a paz e segurança para toda a população do México, e é isso que estamos a fazer”, vincou Claudia Sheinbaum, que espera ter refreado as intenções de Donald Trump de ordenar ataques localizados dentro do país.