Citroën retira anúncio egípcio acusado de normalizar assédio

30 dez 2021, 17:46
Pormenor do anúncio da Citroën retirado no Egito

Pressão nas redes sociais obrigou fabricante francês a retirar anúncio a novo automóvel com o ator e cantor egípcio Amr Diab

A Citroën viu-se obrigada a retirar um anúncio ao automóvel Citroën C4 divulgado no Egito, depois de a marca ter sido acusada de normalizar a prática de assédio no país com o spot publicitário.

O anúncio, que conta com a participação do cantor e ator egípcio Amr Diab, mostra a estrela a conduzir o automóvel, usando a câmara do carro para fotografar, aparentemente sem consentimento, uma mulher com quem se cruza. Essa mesma mulher aparece depois já no carro com o cantor, sugerindo que a fotografia esteve na origem do encontro romântico.

 

A pressão exercida nas redes sociais terá sido determinante para que a marca acabasse por retirar o anúncio. 

“Quem achou que seria boa ideia fazer um anúncio que promove o assédio sexual num país onde 98% das mulheres relataram ser assediadas a determinada altura da sua vida?”, escreveu no Twitter a jornalista Reem Abdellatif, de nacionalidade americana e egípcia. 

 

Já a escritora Amal Alharithi, citada pela BBC, lamentou que ninguém na equipa se tenha apercebido do erro que é tirar uma fotografia na rua a uma rapariga sem o seu consentimento. “É tão triste”, sublinhou.

Em comunicado, a Citroën diz que retirou o anúncio depois de ter sido alertada para a cena que destaca a câmara do carro, que teria sido recebida como “inapropriada”.

“A Citroën interessa-se por todas as comunidades nos países onde opera e não tolera quaisquer formas de assédio”, frisa a declaração divulgada esta quinta-feira. “Lamentamos profundamente e compreendemos a interpretação negativa desta parte do filme. Com o nosso parceiro de negócios no Egito, tomámos a decisão de retirar o anúncio de todos os canais da Citroën e apresentamos as nossas sinceras desculpas a todas as comunidades ofendidas neste filme”.

Amr Diab, a estrela envolvida no anúncio, ainda não fez comentários à decisão da marca.

Segundo a BBC, as autoridades egípcias têm sido acusadas de não investigarem nem levarem à justiça homens suspeitos de assédio ou agressão sexual de mulheres e jovens, ainda que o país tenha aprovado no passado mês de julho leis mais duras para este tipo de crime.

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