Governo garante que fim da FCT não é fim do investimento. Pelo contrário

1 ago 2025, 18:32

Fernando Alexandre foi também questionado pela CNN Portugal sobre a polémica com a disciplina de Cidadania e as alterações ao currículo da mesma, designadamente nas matérias relacionadas com a educação sexual

O ministro da Educação desvalorizou esta sexta-feira as palavras do Presidente da República sobre a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), depois de ter sido anunciado que a organização vai ser extinta para se juntar a uma outra.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu vetar a extinção deste organismo “se tiver dúvidas sobre um ponto que seja do diploma”, mas o Governo não parece melindrado com o aviso dado pelo chefe de Estado.

No CNN Fim de Tarde, Fernando Alexandre referiu que o Governo está “habituado a que haja questões sobre um determinado diploma”.

“Não são avisos (as palavras de Marcelo), penso eu. O sr. Presidente da República, para além de um eminente jurista, lê sempre com muito cuidado os diplomas”, disse o ministro, desvalorizando as palavras que Marcelo Rebelo de Sousa tinha dito umas horas antes.

Fernando Alexandre afirmou que a própria FCT “apresentou ao Governo a proposta de reestruturação” e que o processo vai ser feito com base nesse mesmo plano. “Aliás, a presidente da FCT apoia esta reforma e vais estar connosco a montar a nova agência”.

Sobre o financiamento dos projetos, o governante afirmou que nenhum vai sofrer cortes e que, inclusive, o investimento será reforçado.

“Garanto que vamos reforçar, como já fizemos em 2024, em que tivemos o maior investimento de sempre em ciência em Portugal. Vamos reforçar em 2025 e vamos reforçar em 2026. (…) Vamos ter mais eficiência, mais investimento e um investimento com mais impacto na sociedade e na economia”.

Fernando Alexandre foi também questionado sobre a polémica com a disciplina de Cidadania e as alterações ao currículo da mesma, designadamente nas matérias relacionadas com a educação sexual.

O ministro disse que as alterações foram feitas “com base em análise científica” e em conjunto com a Direção-Geral de Educação, “que é a entidade que tem a responsabilidade nesta área”.

“Aquilo que nós fizemos foi estruturar uma disciplina que era desestruturada. Pode funcionar bem em algumas escolas, certamente, mas em muitas, e sou pai de três filhos, sei a experiência que tive, não funcionava bem, e aquilo que nós fizemos agora impor uma estrutura para a disciplina que está alinhada com as melhores práticas internacionais”.

Fernando Alexandre realçou ainda que a educação sexual não está dependente da existência desta disciplina

“Se a educação sexual em Portugal dependesse da disciplina de Cidadania, teríamos um problema gravíssimo. É tão desestruturada que, em alguns casos, até poderíamos ter educação sexual, mas em grande parte deles não teríamos. (…) Alguns setores identificaram a disciplina de Cidadania com a educação sexual e esse é que foi o erro”, concluiu.

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