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Respostas de Português no exame de Matemática ou professores a corrigirem provas de matéria que nunca deram: o "caos instalado" nos exames nacionais

1 jul, 07:00
Estudantes a fazerem exames
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Professores, sindicatos, alunos e diretores estão “preocupados” e pedem explicação ao Ministério da Educação. Temem que a perceção de credibilidade que deve suportar o processo de avaliação dos conhecimentos fique ferida e lembram que a situação tem impacto na vida de professores, mas sobretudo dos jovens

"Nas respostas do exame de Matemática aparecem respostas de Português. Quando se pede para enunciar a Lei de Engel, o aluno responde com Saramago"; "Estava a corrigir uma prova finalmente e a segunda página era de Economia e não de Português. Fui tentar outra e a continuação também não era da mesma prova”; “Tenho questões do Grupo III, do exame 639, de Português, cuja digitalização não foi feita. Tenho apenas o número da questão e a possibilidade de dar cotação, mas não me aparece qualquer página manuscrita (digitalizada) para avaliar”; “Nunca dei aulas ao 11.º ano nem ao 12.º ano e fui convocada para corrigir exames de Matemática A, Matemática B e MACS”.

Os relatos sucedem-se na plataforma do projeto Metaprof, onde professores, alunos e encarregados de educação podem ir colocando, em tempo real, testemunhos de problemas encontrados na correção de exames nacionais, que se está a fazer pela primeira vez em formato digital. Relatos que vêm acrescentar polémica ao processo de avaliação de conhecimentos de fim de ciclo, que começou logo com controvérsia na primeira prova realizada.

Uma cronologia de polémicas

A polémica em torno dos exames nacionais de fim de ciclo deste ano letivo começou ainda antes de os exames arrancarem. A digitalização das provas em papel para correção e o sistema de dividir um exame por vários professores classificadores já preocupavam os docentes desde que foram anunciados. Desde cedo surgiram preocupações em torno da viabilidade do processo e da capacidade para que fosse levado a cabo sem que situações como as que são agora relatadas surgissem.

“Alertámos atempadamente para os riscos de uma transição digital apressada, sem testes suficientes, sem transparência e sem ouvir os professores que conhecem o processo de classificação. O que hoje está a acontecer confirma muitas das preocupações que manifestámos”, lembra Cristina Mota, porta-voz do movimento cívico de professores Missão Escola Pública (MEP).

No primeiro dia de exames - 16 de junho - e logo na primeira prova, vem a primeira polémica. Uma das poucas perguntas de desenvolvimento no exame de Português do 12.º ano (que foi finalizado em fevereiro deste ano) trazia muitas semelhanças com uma questão que constava de um caderno de preparação para os exames editado pela Leya Educação em setembro de 2025. O objeto sobre o qual os alunos deviam escrever um comentário crítico era a mesma imagem - um cartoon do artista iraniano JJ Takjoo - e a estrutura da questão era muito semelhante.

Dois dias depois e após uma incongruência entre a data constante de um primeiro comunicado da EduQA e a da legenda da imagem da polémica, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) veio admitir que algo não correu bem, ordenando uma auditoria e pedindo um parecer técnico sobre a equidade entre os alunos. Este parecer foi o primeiro a surgir e veio acrescentar polémica: estava assinado pelo “Conselho Científico do EduQA” e seriam poucos os elementos desse mesmo conselho que teriam conhecimento desse parecer e nenhuma das entidades nele representadas tinha sido consultada. O comunicado da Inspeção Geral de Educação (IGEC) com os resultados da auditoria surge a 26 de junho, admite a “falha objetiva”, mas conclui que não houve intencionalidade.

Pelo meio de toda a polémica em torno da prova de Português do 12.º ano, surge uma polémica com a prova de Matemática do 9.º ano. Ao contrário do que acontece com os exames de fim de Secundário, o enunciado das provas do 3.º Ciclo não é divulgado pelo MECI. Porém, a 23 de junho, começa a circular nas redes sociais um enunciado reconstituído do exame.

Um dia depois, nova polémica com Matemática, desta feita Matemática A do 12.º ano. A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) conclui que o exame não garante avaliação eficaz nem seriação justa para o acesso ao Ensino Superior. Critica a inclusão de matérias de dois programas distintos e anuncia a suspensão das auditorias ao EduQa.

Ainda a 24 de junho é denunciada nova situação: os professores classificadores dos exames realizados a 16 de junho já deviam estar a corrigir as provas desde o dia anterior, mas ainda não conseguiam aceder à plataforma. O presidente do Júri Nacional de Exames (JNE) reconhece os atrasos, num comunicado divulgado a 25 de junho, e alarga o prazo para a correção.

Uma semana depois, os professores classificadores ainda não tinham recebido as provas para corrigir. E o JNE e a EduQA vêm falar de dificuldades técnicas na preparação das provas para correção digital que estariam a ser ultrapassadas. Há notícias de professores já falecidos ou reformados a serem convocados para corrigir exames, professores convocados apenas no domingo à noite e começam a ser denunciadas as primeiras situações anómalas com as questões que os docentes recebem para corrigir.

À margem de uma cerimónia académica no Porto, Fernando Alexandre admitiu erros no processo de correção digital,  mas afirmou que as convocatórias a professores falecidos ou da disciplina incorreta "são um erro que vem da escola". A ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas) rejeitou imediatamente as responsabilidades que estavam a ser atribuídas pelo ministro aos diretores.

É a 29 de junho que os docentes começam a receber os primeiros itens para corrigir, mas não param de surgir relatos de anomalias: professores convocados para corrigir exames de disciplinas que nunca deram, respostas em branco ou incompletas, falta de folhas de continuação, respostas a perguntas de Matemática com respostas de Português…

Um professor de Geografia a corrigir Francês

A sucessão de relatos é tal que a MEP já apelou aos professores classificadores que apresentem uma escusa de responsabilidades. Emitiu mesmo um comunicado onde disponibiliza uma minuta para que os professores possam apresentar essa escusa.

“A situação agrava-se de dia para dia e os relatos que nos vão chegando de professores que receberam tardiamente as credenciais para entrar na plataforma, professores que mesmo recebendo credenciais não conseguem entrar, professores que continuam a ser convocados para exames de disciplinas que nunca deram. Olhe, eu sou professor de Geografia e tenho colegas de Geografia que estão a ser convocados para corrigir exames de Biologia. E até tenho um colega de Geografia a ser convocado para corrigir Francês. O caos está instalado”, descreve José Feliciano da Costa, secretário-geral da Fenprof.

Também de caos fala o S.TO.P: “A realidade demonstra que o sistema educativo português enfrenta hoje uma grave crise organizacional nunca antes vista. A avaliação externa dos Ensinos Básico e Secundário transformou-se num cenário de caos generalizado”.

Ponto de vista dos alunos

Quem realizou os exames e vê a conclusão do Secundário e o acesso ao Ensino Superior dependente destas provas olha para a polémica com “grande preocupação”. Afonso Cabrita é um desses casos. Tem 17 anos e é um excelente aluno. Não é ele quem o diz, mas sim a professora de Matemática, em confidência à CNN Portugal. Afonso concluiu o 12.º ano com classificações muito boas e espera que assim continue nos Exames Nacionais. Espera que, em setembro, esteja a entrar no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, no curso de Engenharia Aeroespacial, cuja média de entrada ronda os 18,5. Espera que as falhas que têm sido tornadas públicas não lhe firam o sonho. “Sendo os exames um momento de avaliação com uma componente muito forte para a nossa avaliação e para o acesso à universidade, estas falhas técnicas trazem-nos preocupações e suscitam receio de que possamos ser prejudicados”, reconhece.

Afonso até vê com bons olhos o avanço tecnológico e a tentativa de incremento da “imparcialidade”: “os nossos exames serem fragmentados, aumenta a imparcialidade do processo. E acredito que o facto de o país apostar nesta melhoria tecnológica é interessante. Mas todos os pormenores têm de ser acautelados”.

Madalena Dionísio, 18 anos, quer entrar em Ciência Política e Relações Internacionais. De preferência, perto de casa. Mora no Pinhal Novo e as médias para este curso na Universidade Nova de Lisboa rondam os 18 valores. No Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP - Universidade de Lisboa) rondam os 17 valores. Também médias que não estão ao alcance de qualquer aluno. É preciso trabalhar muito para lá chegar. Também ela olha para o processo com “receio” e “ansiedade”: “É a nossa nota que está em causa e essa nota pode decidir o nosso futuro”.

Madalena conta que os professores da Escola Secundária do Pinhal Novo, onde terminou o 12.º ano, já os tinham alertado para o facto de o processo ser novo e, por isso, estar mais sujeito a falhas. Foram aconselhados, por exemplo, a contar as páginas do exame que entregassem ao professor vigilante, para poderem confirmar com o número de páginas do exame que será devolvido às escolas, após digitalização.

Tanto Afonso como Madalena ponderam pedir reapreciação das provas, se alguma das suas notas não corresponder ao esperado. “Claro que já estive a ver os critérios de correção dos exames e a fazer uma espécie de autoavaliação das minhas respostas e já tenho um intervalo no qual espero que se situe a minha classificação. Claramente se o resultado não corresponder, vou pedir uma reapreciação das provas, até para perceber se o erro foi meu ou de todo este processo”, sublinha Afonso Cabrita.

O que dizem os pais

Na plataforma da Metaprof, há também relatos de encarregados de educação a reportar situações anómalas com os exames. “A minha educanda teve direito a adaptações ao processo de avaliação na avaliação interna, mas foram-lhe recusadas as adaptações na avaliação externa”, pode ler-se num testemunho de um encarregado de educação de Lisboa.

Mas a confederação das associações de pais (Confap) tem um ponto de vista diferente. “Existem polémicas e sucessão de relatos de situações anómalas, mas que nos parecem muito menos polémicas do que aquilo que realmente são. Não recebemos até ao momento nenhuma evidência de que os alunos possam ser prejudicados e que haja riscos para os alunos e para as suas famílias”, sublinha Mariana Carvalho, presidente da Confap, em declarações à CNN Portugal.

A representante dos pais prefere passar uma mensagem tranquilizadora, garantindo que tem falado com responsáveis do MECI sobre o assunto: “Somos parceiros e, naturalmente, temos acesso a fontes privilegiadas que o público em geral não tem. Aquilo que nos tem sido transmitido é de que todos os esforços estão a ser levados a cabo para cumprir todos os prazos”.

“Sabemos que a fase dos exames nacionais é uma fase muito especial para os nossos jovens e queremos passar uma mensagem de tranquilidade. Se nos garantem, por parte dos serviços do ministério, que estão a ser envolvidos todos os esforços para que os calendários sejam cumpridos, não há com que nos preocupar”, reforça a responsável da Confap, acrescentando que, “se existe algum risco, não é para os alunos”.

“Não sei porquê tanto alarido. Provavelmente, haverá questões de que não temos conhecimento. Mas nós, Confap, não temos informação que nos leve a crer que os alunos podem ser prejudicados”, resume Mariana Carvalho

Que implicações podem ter estas polémicas?

A questão dos atrasos na correção dos exames tem implicações a vários níveis, defendem professores e sindicatos. A começar pelo tempo que os docentes têm para corrigir as provas. De acordo com a norma, os professores classificadores têm 10 dias úteis para fazerem as correções. O EduQA já estendeu o prazo para a correção do exame de Português, que terminava a 6 de julho, e deu como prazo a todos os professores o dia 10. Os professores que ainda não têm acesso aos itens que devem avaliar já não conseguirão ter o prazo de 10 dias úteis para cumprirem a função.

Além disso, há docentes a quem tinha sido dada autorização para marcarem férias na próxima semana. Muitos não as conseguirão ter porque vão ter de ficar a corrigir exames.

No que toca a férias, também as famílias que têm alunos a realizar exames e à espera de resultados podem ter os dias de descanso condicionados, até porque, caso seja necessário esticar o prazo para a correção, isso pode condicionar o calendário da 2.ª fase dos exames nacionais, que arranca já a 16 de julho. “Isto vem mexer com muitos aspetos. Pode mexer, desde logo, com a segunda fase. Mas vem mexer com expectativas de milhares de estudantes”, sublinha José Feliciano da Costa.

As polémicas vêm ferir também o próprio processo de avaliação externa. “Esta situação fere a credibilidade deste enorme e complexo processo de classificação levado a cabo pelo EduQA-MECI”, considera a Associação de Professores Licenciados (ASPL), numa resposta escrita enviada à CNN Portugal.

Uma opinião secundada por Alberto Veronesi, diretor do Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais. O diretor escolar sublinha que a situação “é grave”. “Estamos a falar de dificuldades de acesso a itens dos exames, itens trocados ou sem folhas de continuação. Além disso, os professores classificadores estão com os níveis de stress no máximo, porque classificar exames é uma responsabilidade enorme, à qual se junta todo este complexo sistema disfuncional”, acrescenta.

Os sindicatos temem, por isso, que, depois de divulgados os resultados, haja uma corrida a pedidos de reapreciação de provas, porque a situação vem trazer desconfiança a pais e alunos no processo que está em curso. Isso trará um acréscimo de trabalho às escolas e aos professores, alegam. Por isso, exigem transparência.

“O que exigimos é total transparência, esclarecimentos rápidos e completos e garantias de que todas as situações identificadas serão corrigidas sem prejuízo para alunos e docentes. Mais do que alimentar a polémica, interessa-nos assegurar que a confiança nos processos de avaliação seja plenamente restabelecida”, sublinha Pedro Barreiros, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE).

Quem são os responsáveis pelas falhas?

Professores, sindicatos e diretores pedem que os responsáveis do Ministério da Educação pelo processo de avaliação externa assumam as falhas e encontrem formas de as colmatar com toda a rapidez. A ASPL, por exemplo, considera que avançar para uma digitalização generalizada do processo de correção pode ter sido precipitado: “No entender da ASPL, a responsabilidade por toda esta polémica instalada com os exames nacionais da 1.ª Fase cabe ao EDuQA-MECI, sem dúvida. Ter avançado para uma empreitada gigantesca de digitalização de todos os exames nacionais (salvo os de Geometria Descritiva e Desenho A), tendo como feedback apenas o resultante da aplicação do exame de Filosofia - 714, em 2025, foi insuficiente”.

“A responsabilidade não é das escolas, de certeza. O que está a falhar claramente é a digitalização das provas e não somos nós que digitalizamos as provas. E a própria plataforma, pelos vistos, também não está a responder. Também não somos responsáveis pela plataforma. Eu disse-o na altura e repito: passar de 20 mil provas de Filosofia no ano passado para 300 mil provas é corajoso da parte do ministro, mas é um passo gigantesco que tem de ser muito bem ponderado”, considera Filinto Lima, diretor escolar e presidente da ANDAEP.

Alberto Veronesi, diretor do Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais, considera que a “responsabilidade maior é do ministro”: “Repare que, dando o exemplo de Lisboa, passou-se de três agrupamentos de exames para um, com a equivalente diminuição de pessoas, no mesmo ano em que se quiseram mudar os procedimentos, passando para o digital”. “Seria difícil que corresse bem. O caminho é o certo. A estrada que se escolheu foi a errada”, resume.

O movimento Missão Escola Pública concorda no que toca à responsabilização do ministro: “A responsabilidade é da tutela. Foi o ministério que decidiu avançar com este modelo de classificação digital, ignorando sucessivos alertas e sem assegurar que estavam reunidas as condições técnicas e organizativas indispensáveis para uma mudança desta dimensão”.

Mas ninguém pede demissões, pelo menos para já. “Depois de concluído este processo, será indispensável proceder a uma avaliação rigorosa do que falhou e apurar as respetivas responsabilidades, para que situações desta natureza não se repitam”, diz Júlia Azevedo, presidente do Sindicato Independente dos Professores e Educadores (SIPE), em declarações à CNN Portugal.

“A ASPL acredita que a tutela tudo está a tentar fazer para, neste momento, minimizar a polémica em curso com este processo. Recomendamos que seja levada a cabo uma auditoria interna e externa a todas as falhas apontadas neste processo. Mediante a análise dos resultados destas auditorias, dever-se-á proceder em conformidade, corrigindo em 2027 o que falhou redondamente este ano, nesta fase”, concorda a Associação Sindical de Professores Licenciados.

A MEP concorda com os sindicatos: “Foi o ministro que tomou estas decisões e é ele que deve assumir a responsabilidade política pelos seus resultados e encontrar as soluções para os problemas que criou. A demissão seria, neste momento, o caminho mais fácil”.

“Não queremos que o ministro saia. Queremos que assuma os erros, que ouça quem está nas escolas, que abandone a política da propaganda e que governe com maior humildade, transparência e sentido de responsabilidade”, reforça Cristina Mota.

O que fazer de imediato?

O ministro e o seu gabinete garantem que todos os esforços estão a ser feitos para resolver as situações. Mas a comunidade educativa pede-lhe celeridade. “O mais importante é adotar rapidamente as medidas que permitam normalizar o processo de classificação e evitar novos atrasos. Se se concluir que os problemas resultam da digitalização ou das plataformas utilizadas, o ministério deve ponderar a suspensão desse procedimento enquanto não estiverem garantidas as condições técnicas necessárias. A inovação é bem-vinda, mas nunca pode colocar em causa a eficácia, a confiança e a estabilidade de um processo tão sensível como a classificação dos exames nacionais”, diz Júlia Azevedo, do SIPE.

Recuar e fazer a correção em papel, para evitar que situações como as que são relatadas se avolumem faz sentido para uns e não faz sentido para os responsáveis ouvidos pela CNN Portugal. “A FNE não defende, neste momento, um regresso automático à correção em papel. A digitalização pode constituir um instrumento útil e moderno, desde que seja tecnicamente robusta, segura e fiável”, diz Pedro Barreiros.

“Interromper o processo de digitalização e voltar à resolução em papel pelos alunos e correção pelos classificadores é um cenário que a ASPL entende que não deve ser equacionado. Uma das resoluções poderá passar por deixar de centralizar o processo de digitalização na área de Lisboa”, considera a direção da ASPL.

“Confesso que nem sei bem qual poderia ser a solução”, diz Alberto Veronesi. “Estamos numa altura em que qualquer coisa que se faça pode piorar”.

Já a MEP considera que a solução deveria ser ponderada. “Perante os problemas já identificados, entendemos que a solução mais prudente passa por interromper o atual processo de classificação digital e retomar a classificação em suporte papel, recorrendo aos cadernos de resposta originais e aos procedimentos que durante décadas garantiram rigor, segurança e confiança na classificação dos exames nacionais. Neste momento, insistir num modelo que tem revelado sucessivos constrangimentos apenas aumenta o risco de comprometer o rigor das classificações e a confiança dos alunos, das famílias e dos professores”, considera Cristina Mota, porta-voz da MEP.

Tem havido também relatos de que os professores tentam contactar o apoio técnico e o Júri Nacional de Exames, para resolver questões concretas mas sem sucesso na resposta. Por isso mesmo o SIPE considera “fundamental reforçar o apoio técnico aos classificadores, simplificar os procedimentos e assegurar que todas as plataformas são previamente testadas em contexto real antes da sua utilização generalizada”.

Filinto Lima pede ao EduQA que evite “comunicados como o que fez no sábado, atirando as culpas para terceiros” e tem esperança que o processo que “começou de uma forma titubeante” acabe bem: “Dia 14 - data que temos para afixar os resultados dos exames - falaremos”.

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