Exames nacionais. Fenprof desmente ministro e garante que "ainda há gente a trabalhar"

17 jul, 13:05
José Feliciano Costa
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Estrutura sindical garante que está a receber relatos de todo o país de casos sobretudo relacionados com as disciplinas de Português, Matemática, mas também de Físico-química

A Fenprof desmente o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e garante que ainda há professores a classificar itens dos exames nacionais. Em declarações à CNN Portugal, o secretário-geral da estrutura sindical, José Feliciano da Costa, diz que têm estado a receber relatos de professores ainda a trabalhar, mesmo depois de o ministro ter assegurado que todas as provas estavam classificadas.

“Neste momento, ainda há gente a trabalhar. Temos várias informações de gente que tem estado a receber itens para classificar durante a manhã. O ministro tentou fazer um brilharete no Parlamento, mas sobretudo as disciplinas de Português, Matemática e Físico-química, que têm muitos itens para classificar, ainda não estão fechadas”, assegura José Feliciano da Costa.

José Costa relatou à CNN Portugal o caso “da esposa de um colega dirigente sindical” que recebeu nove itens para classificar, esta sexta-feira, às 09:00. Uma hora antes de o ministro ter garantido que estava tudo pronto. “Ela colocou essa questão do tempo ao Júri Nacional de Exames e, do JNE, disseram-lhe para ela não se preocupar com isso”, especificou, assegurando que, à hora que o ministro falava aos jornalistas, essa professora ainda não tinha terminado o processo de classificação dos nove itens recebidos uma hora antes.

O dirigente sindical revela ainda que a Fenprof tem recebido relatos nas “delegações de Coimbra, do Norte, mas sobretudo da zona metropolitana de Lisboa”.

No Parlamento, no debate de urgência pedido pelo PCP sobre a polémica dos exames, a oposição também assegurava haver relatos que desmentem as garantias do ministro da Educação de que não haverá alterações aos calendários de acesso ao ensino superior e de que todos os exames estão corrigidos.

Esta sexta-feira, a Fenprof apresentou uma denúncia junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), requerendo a abertura de um processo de averiguação que permita apurar todas as responsabilidades inerentes ao processo de classificação dos exames nacionais do ensino secundário. Diz a estrutura sindical em comunicado que “a denúncia visa esclarecer as responsabilidades políticas, administrativas, técnicas e, se for caso disso, criminais, relacionadas com a conceção, contratação, implementação e gestão do sistema utilizado na classificação dos exames, bem como com as decisões tomadas ao longo de todo o processo”.

“Ao longo das últimas semanas foram reportadas inúmeras falhas técnicas e operacionais, entre as quais a lentidão e a instabilidade da plataforma, dificuldades persistentes de funcionamento e diversas anomalias que colocaram em causa a normalidade e a fiabilidade do processo de classificação”, acrescenta a Fenprof,  especificando que “a situação de maior gravidade prende-se com a emissão de orientações formais para que os classificadores procedessem à classificação de respostas mesmo quando o processo de exame não continha todos os elementos indispensáveis à sua correta avaliação, designadamente quando faltavam folhas de continuação”.

A Fenprof considera imprescindível que a PGR “investigue toda a cadeia de decisões que conduziu a esta situação, apurando quem autorizou ou determinou estas orientações, quais os fundamentos invocados e quais as responsabilidades de todas as entidades e intervenientes envolvidos”.

 

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