Exames nacionais: pedidos de reapreciação podem ser "cinco ou dez vezes superior ao habitual"

14 jul, 12:07
Exames Nacionais (LUSA/TIAGO PETINGA)
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FNE estima um aumento de reapreciações de provas para "10 a 20%" - no ano passado foram 2% - e questiona se haverá recursos humanos suficientes para fazer face a esse aumento

A Federação Nacional de Educação (FNE) estima um aumento considerável dos pedidos de reapreciação de exames nacionais deste ano letivo, perante a polémica em torno da classificação digital dos exames que se tem verificado. Dos 2% verificados no ano letivo passado, a estrutura sindical prevê um aumento para os “10 a 20%”. Num universo de cerca de 300 mil exames, isso significa entre 30 a 60 mil pedidos de reapreciação de provas.

“Estamos, portanto, perante a possibilidade de o sistema ter de responder a um volume cinco ou dez vezes superior ao habitual. Mais uma vez o Ministério não está a saber antecipar problemas e eu questiono-me se haverá recursos humanos suficientes para fazer essas reapreciações”, diz Pedro Barreiros, secretário-geral da FNE, em declarações à CNN Portugal.

“Há três ordens de fatores que vão provocar esse aumento. A primeira é a desconfiança que se criou em torno do processo, por causa de toda esta polémica. A segunda é a facilidade de acesso à prova por parte dos alunos que o ministro já prometeu que iria acontecer. A terceira é o facto de não ser o mesmo professor a corrigir o exame completo: até agora, se o aluno tinha 13,4, por exemplo, o professor classificador ia rever a prova novamente para avaliar se seria possível atribuir aquela décima que faria subir a nota; com este sistema de correção por itens, isso não vai acontecer e é natural que exploda o número de exames com uma ou duas décimas para a nota seguinte”, explica ainda o dirigente sindical.

A FNE enviou um ofício ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) onde alerta que “um cenário de aumento significativo dos pedidos de reapreciação teria consequências muito relevantes na mobilização de professores classificadores, na carga de trabalho das estruturas envolvidas, na capacidade de resposta dos sistemas tecnológicos e administrativos e no cumprimento dos prazos estabelecidos”.

Por isso, a FNE pede ao MECI que estabeleça um pedido de contingência em que estejam previstos “os recursos humanos necessários, os mecanismos de mobilização dos professores e a capacidade dos sistemas tecnológicos e administrativos, mas terá igualmente de salvaguardar os direitos dos professores envolvidos, designadamente o direito ao descanso e ao gozo efetivo das suas férias”.

“Depois da pressão verificada na fase de classificação, o sistema não pode ser novamente apanhado desprevenido perante uma eventual segunda vaga de pressão, agora na fase das reapreciações”, escreve a FNE num comunicado enviado às redações.

Com o prazo para a correção dos exames a terminar esta terça-feira à meia-noite e a afixação das notas prevista para sexta-feira, os alunos têm dois dias úteis para pedir na escola a reapreciação da prova, ou seja, na própria sexta e na segunda-feira seguinte. Os professores classificadores têm depois cerca de uma semana para rever os itens que lhes forem atribuídos, para a afixação desses resultados - a 7 de agosto, segundo o Ministério.

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