Responsabilidade da escola pode estar em causa, caso se verifique falta de acompanhamento adequado durante o incidente e após as denúncias de bullying por parte da mãe. Inspeção-Geral da Educação já abriu um processo para averiguar as circunstâncias em que a agressão ocorreu
O menino de nove anos que teve os seus dedos amputados na Escola Básica de Fonte Coberta em Cinfães, distrito de Viseu, vai ser defendido por um grupo de 18 advogados. O conjunto de profissionais estará subdividido pelas áreas civil, penal e de assistência psicológica à família do menor, segundo informação avançada pelo Público.
A agressão ocorreu na manhã da passada segunda-feira, no intervalo das aulas, quando dois alunos entalaram a mão do aluno de nove anos na porta da casa de banho, provocando ferimentos significativos.
O caso foi denunciado pela mãe, Nivia Estevam, que já teria feito outras queixas à escola no decorrer de “puxões de cabelo, pontapés e enforcamento”. “Pediu ajuda, gritou, sangrou dentro da casa de banho sozinho enquanto as crianças estavam a segurar a porta para ele não sair”, descreveu em entrevista à TVI/CNN Portugal.
O episódio de violência resultou na perda de parte dos dedos da criança, que foi posteriormente submetida a três horas de cirurgia no Hospital de São João, no Porto. Depois de uma tentativa de reconstrução falhada, a mãe da vítima sublinhou que o filho ficará com “sequelas físicas e psicológicas”. O menino de nacionalidade brasileira, que continua em recuperação, vai agora mudar de casa e de escola.
No passado, a encarregada de educação já tinha denunciado episódios de bullying sobre o filho, por parte de outros colegas. “Eu não vejo outros pais a dizer: ‘isso também acontece com o meu filho, também chega à escola e o fulano puxa-lhe o cabelo e dá-lhe pontapés'”, disse Nivia.
Várias organizações da sociedade civil, como é o caso da SOS Racismo, exigem respostas das instituições às denúncias de violência nas escolas. Maria da Graça Marques Pinto, membro da associação, defende a formação “dos professores, dos assistentes operacionais e de todas as pessoas em contacto com as crianças”, com o objetivo de “valorizar a educação para a empatia e a educação antirracista e antixenófoba”.
A SOS Racismo relembra os encarregados de educação de que devem dirigir-se à polícia, caso as escolas não deem resposta a denúncias de bullying.
A Inspeção-Geral da Educação já abriu um processo para averiguar as circunstâncias em que o incidente ocorreu. Também o agrupamento escolar abriu um inquérito interno “para apurar os factos”, já depois de questionado pela TVI e CNN Portugal.
O caso avança agora para a justiça e em causa pode estar a responsabilidade do agrupamento escolar, caso se verifique uma falta de acompanhamento adequado à criança depois das várias denúncias e durante o próprio incidente.