“Vingança e retaliação”. Sócrates reage ao Ministério Público, que lhe quer tirar o estatuto de assistente no caso EDP

23 nov, 21:31
José Sócrates na chegada ao Campus de Justiça, para ser ouvido pela juíza Margarida Alves sobre viagens ao Brasil (José Sena Goulão/ Lusa)

Antigo primeiro-ministro fez questão de frisar que as rendas excessivas para a exploração das barragens, conhecidas como CMEC, foram da autoria de governos do PSD

José Sócrates reagiu esta quarta-feira ao pedido do Ministério Público (MP), que quer que o antigo primeiro-ministro perca o estatuto de assistente no processo EDP – caso que visa o antigo ministro da Economia Manuel Pinho por suspeitas de favorecimento ao Grupo Espírito Santo.

Em comunicado, Sócrates refere que o seu principal interesse no processo se prende com as suspeitas de financiamento da campanha do PSD em 2015 por parte da construtora brasileira Odebrecht, com “dinheiro sujo”, argumentando assim que o MP está a promover um silêncio “quase completo” em relação a esse caso.

A primeira e mais importante [razão] tem a ver com a investigação da grave suspeita comunicada pelo Ministério Público Brasileiro a propósito de importâncias pagas pela empresa Odebrecht ao assessor de comunicação brasileiro da campanha do PSD de 2015”, refere

“Como é o PSD, como se trata de Passos Coelho, e como o Ministério Público não quer, o silêncio sobre o assunto é quase completo. Esta é a verdadeira razão pela qual o ministério publico me quer afastar do processo. Teme que alguém lhe recorde o seu dever de investigar a suspeita de uso de dinheiro sujo na campanha do PSD de 2015”, escreve.

Para o antigo primeiro-ministro, no caso EDP está em causa o bom nome do governo que liderou, acusando os procuradores de “orquestrar uma das mais odiosas e repugnantes campanhas de difamação” e lembrando que os contratos de rendas de exploração das barragens – conhecidos como CMEC - remontam ao tempo dos governos de Durão Barroso e de Santana Lopes.

Sócrates critica ainda os 12 anos de inquérito sem que o MP apresente provas de que o seu governo favoreceu a EDP.

Para o antigo primeiro-ministro, “vingança e retaliação” são as grandes motivações dos procuradores. Sócrates demonstra ainda expectativa de abertura de um inquérito pela Procuradora-Geral da República à denúncia feita por Manuel Pinho de alegadas considerações homofóbicas por um dos procuradores.

O MP pediu, na semana passada, a revogação do estatuto de assistente do ex-primeiro-ministro José Sócrates no caso EDP, que envolve o seu antigo ministro da Economia Manuel Pinho, com base num relatório sobre as comunicações e encontros entre ambos.

O caso EDP está relacionado com os CMEC, no qual os antigos gestores António Mexia e Manso Neto são suspeitos de corrupção e participação económica em negócio para a manutenção do contrato das rendas excessivas, no qual, segundo o MP, terão corrompido o ex-ministro da Economia Manuel Pinho e o ex-secretário de Estado da Energia Artur Trindade.

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