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Morreu o filósofo francês Edgar Morin, pensador marcante do século XX que defendeu "uma revolta das consciências". Tinha 104 anos

CNN Portugal , JAV
30 mai, 08:47
Filósofo e sociólogo francês Edgar Morin (Michel Euler/AP)
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Autor de mais de 30 livros, o intelectual francês, nascido em Paris em 1921, marcou a filosofia, a educação e a comunicação com a sua Teoria do Pensamento Complexo. Le Monde recorda "agitador de ideias" que travou "uma luta incansável com o século" em que viveu

O filósofo francês Edgar Morin, pensador marcante das últimas décadas que impactou áreas como a filosofia, a educação e a comunicação, morreu na sexta-feira, aos 104 anos. A notícia foi avançada por um secretário pessoal do pensador, Nelson Vallejo Gomez, no seu perfil no Instagram.

"Ao pôr do sol de uma majestosa tarde de primavera, no Hospital Americano de Paris, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, encerrando um fabuloso ciclo existencial que começou em Paris em 8 de julho de 1921, o espírito brilhante do amado sábio da #PoéticaDaCivilidade, meu pai espiritual, querido e admirado Condor, Edgar Morin, tornou-se pura energia", publicou Gomez. "Agora ele está muito mais intensamente presente em nós. Carregarei para sempre o seu sorriso no meu coração como um farol de inteligência viva, e o manual da Unesco, que é como um legado."

Numa outra publicação nas redes sociais, a Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, instituição internacional de ensino com sede no México dedicada ao estudo da obra de Morin, reagiu à notícia da morte de Morin ressaltando a “fonte de lucidez, esperança e humanidade” encerrada na vida e obra do pensador.

“Com profundo respeito e gratidão, lamentados a queda de Edgar Morin, pensador universal, maestro da complexidade e guia humanista da nossa comunidade económica. A sua obra seguirá sempre viva em cada esforço para confiar nos saberes, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma visão integrada. […] Edgar Morin vive na sua obra, no seu pensamento e na consciência de quem continua a aprender para compreender a complexidade do mundo.”

Num obituário dedicado ao pensador, o jornal francês Le Monde, que confirmou a sua morte junto da companheira de Morin, invoca um "sociólogo do tempo presente e agitador de ideias", que "jamais deixou de se debruçar sobre os acontecimentos históricos numa luta incansável com o século" passado, dedicando-se "a conectar diferentes campos do conhecimento" e a defender "uma revolta das consciências".

Nascido Edgar Nahoum em Paris em 1921 no seio de uma família judaica, Morin adotou o apelido pelo qual viria a ficar conhecido após ter vivido na clandestinidade, quando atuou na resistência francesa contra os nazis durante a II Guerra Mundial. Cumpriria 105 anos de vida no próximo dia 8 de julho.

Ao longo da sua carreira, publicou mais de 30 livros, incluindo “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), uma obra onde se discute os desafios da educação neste novo milénio. Na área da comunicação, tornou-se uma referência com o livro Cultura e Massa no Século XX: O Espírito do Tempo (1962), em que analisa a relação entre a arte, os media e o consumo de massas.

Numa homenagem ao intelectual francês, a historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz recorda que Morin “atravessou o século que lhe foi dado viver como um cometa”, dedicando-se à filosofia e à sociologia, mas sendo igualmente ativo politicamente, ao participar na resistência ao nazismo e tornando-se um “crítico firme do estalinismo e de todas as formas autoritárias de poder”.

“Dedicou a sua vida a combater uma das maiores ilusões da modernidade – a ideia de que o mundo poder ser compreendido por partes isoladas”, adianta Schwarcz citada pela CNN Brasil, invocando a chamada Teoria do Pensamento Complexo, uma abordagem desenvolvida por Morin e ainda hoje estudada em universidades de filosofia e comunicação, que busca unificar o conhecimento e superar a fragmentação das disciplinas.

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