opinião
Economista, investigador e professor universitário

Duas décadas perdidas em matéria de convergência económica. E agora?

25 jan, 14:18

Portugal iniciou este século com um PIB per capita (medido em dólares a preços de 2015 e em paridade do poder de compra) de 85% da média da OCDE. Volvidas duas décadas o valor é de apenas 75% da referida média. A divergência económica tem sido uma realidade na maior parte dos últimos anos, tal como demonstra a Figura 1.

Fonte: Dados da OCDE e cálculos próprios

Para termos noção, em 1995, ano do último governo de Cavaco Silva, o nosso país estava no 23º lugar entre as 38 economias da OCDE no que respeita a este indicador. Já no ano de 2021 encontrava-se no 31º lugar, tendo sido ultrapassado pela Coreia do Sul, República Checa, Eslovénia, Lituânia, Estónia, Polónia, Eslováquia e Hungria. Infelizmente, estamos hoje na cauda da OCDE juntamente com a Turquia, Letónia, Grécia, Chile, Costa Rica, México e Colômbia. Por outro lado, Portugal está actualmente classificado no 36º lugar no ranking da competitividade fiscal da Tax Foundation que analisou as 38 economias da OCDE, o que, por motivos evidentes, causa obstáculos à convergência económica. 

Isto é, não só o nosso país é dos menos desenvolvidos economicamente, como também é dos menos competitivos fiscalmente no espaço da OCDE. E agora? O que fazer? Inverter o rumo. Mas para isso é necessário haver vontade política, algo que não parece ter existido até agora. 

Assim, ao invés de andar a envolver-se em sucessivas e incompreensíveis trapalhadas, o Governo deve começar a pensar estrategicamente o País. O que se pretende para a nossa economia no médio/longo-prazo? Onde queremos verdadeiramente chegar? Como iniciar um processo duradouro de convergência económica? Quais as medidas estruturais que têm de ser adoptadas para concretizar esse(s) objectivo(s) estratégicos? Quais os acordos de regime que terão de ser realizados e em que matérias? Como reduzir a burocracia do Estado que só causa problemas às empresas e às famílias? Quais os impostos e as taxas que devem diminuir (ou até mesmo desaparecer), tendo em vista melhorar a nossa competitividade? Como aumentar a produtividade? O poder executivo terá de encontrar respostas para estas e outras questões fundamentais. Portugal não pode esperar!
 

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