"Os salários não sobem por varinha mágica", diz o primeiro-ministro

17 nov, 13:15
António Costa
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António Costa defende "persistência" e disciplina na execução de políticas para "transformar o perfil económico" do país

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O primeiro-ministro considerou, nesta quarta-feira, essencial que Portugal tenha nos próximos anos persistência e disciplina na execução de políticas para transformar o perfil da sua economia, advertindo que competitividade económica e salários não aumentam com varinhas mágicas.

António Costa defendeu esta posição na sessão de apresentação de novos projetos de investimento da Deloitte Portugal, em Lisboa, entre os quais dois novos centros globais de soluções tecnológicas que poderão empregar até duas mil pessoais nos próximos quatro anos.

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Depois de o presidente executivo da Deloitte Portugal, António Lagartixo, ter feito uma intervenção em que identificou como fator decisivo a existência de um sistema de ensino em Portugal caracterizado pela exigência e rigor, o líder do executivo referiu que a meta do país “é aumentar até 2026 a formação em ciências, tecnologias, artes e matemática”.

Um objetivo que, de acordo com a sua estimativa, “implica formar mais dez mil pessoas do que atualmente no conjunto dessas áreas”.

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Se conseguirmos, disciplinadamente, persistentemente prosseguir este esforço, vamos conseguir transformar o perfil económico do país. O perfil económico não se transforma com varinhas mágicas, os salários não sobem por varinha mágica. Os salários sobem se houver mais emprego qualificado. E há mais emprego qualificado se as empresas tiverem a capacidade de atrair para Portugal a produção de serviços e bens com maior valor acrescentado, aumentando a competitividade”, sustentou.

Essas transformações, reforçou António Costa, exigem “persistência e não hesitações”.

Se em 20 anos Portugal conseguiu quadruplicar o número de alunos no Ensino Superior, é porque durante 40 anos conseguiu-se transformar uma paixão em algo que se materializou, desde o pré-escolar até ao Ensino Superior. Essa capacidade de alargar cada vez mais a inclusão e a integração no ensino e cada vez mais ter ensino de maior qualidade dá sentido à exigência que é necessário ter, tendo em vista termos quadros altamente qualificados”, argumentou.

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Uma geração mais qualificada "é uma geração mais exigente"

No seu discurso, feito de improviso, com cerca de 13 minutos, António Costa definiu, ainda, como central o objetivo da qualificação das mais jovens gerações, mantendo-as no país, e a requalificação profissional de grande parte dos atuais trabalhadores, principalmente em áreas tecnológicas.

Temos de continuar a diminuir o abandono escolar precoce, aumentar o acesso ao Ensino Superior, aumentar o número de alunos que conclui mestrados e avança para doutoramentos. Isso é crucial. É muito importante termos oferta de Ensino Superior em mais de 100 localidades do país”, apontou.

De acordo com o primeiro-ministro, os dois centros de excelência tecnológicos agora anunciados pela Deloitte, “são bem ilustrativos do que Portugal tem a oportunidade de fazer”.

Há uma coisa que é certa: Portugal continuará a ser o ponto mais próximo do outro lado de cá do Atlântico em relação à América do Norte e do Sul. É fundamental para sermos um hub da aeronáutica e de amarração das novas vias de comunicação digital. Por isso, o desenvolvimento de tudo o que tem a ver com transformação digital e de desenvolvimento de redes Portugal é país de excelência para a sua localização”, advogou.

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Ainda segundo António Costa, Portugal dispõe ainda de outro recurso “que não teve antes na sua História". "Pela primeira vez, temos uma nova geração que tem um nível de qualificação que já se aproxima do nível médio de qualquer país da União Europeia”, observou.

Isto impõe-nos uma enorme exigência. Uma geração mais qualificada é necessariamente uma geração mais exigente”, acrescentou.

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