Gravatas, teletrabalho ou temperaturas controladas. Como os países da UE vão reduzir o consumo de energia

3 ago, 23:07

Vários países já anunciaram medidas para tentar reduzir o consumo, reduzindo também assim a dependência energética da Rússia

A Comissão Europeia e os ministros dos vários países da União Europeia apresentaram e aprovaram um plano para reduzir o consumo de gás por forma a ser possível enfrentar o que provavelmente será um inverno de desafios no que toca à energia

O plano Save Gas for a Safe Winter, de redução do uso de gás em 15% entre agosto e 31 de março, foi considerado crucial para permitir que as famílias consigam usar o gás para aquecimento e as empresas continuem a produção durante os meses mais frios caso a Rússia corte de forma total o fornecimento de gás aos 27.

Esta terça-feira ficou-se a saber que Portugal deverá adotar medidas de carácter obrigatório para cumprir as metas acordadas em Bruxelas já a partir deste mês, prevendo-se a possibilidade de um corte "abrupto e unilateral" do abastecimento proveniente da Rússia. 

E no resto da Europa?

Espanha e França

O governo espanhol deu esta segunda-feira luz verde a um pacote de medidas urgentes de poupança e eficiência energética. "Não podemos dar-nos ao luxo de perder quaisquer quilowatts", referiu a ministra da pasta da Energia no governo espanhol, Teresa Ribera.

O pacote aprovado inclui diversas medidas que devem entrar em vigor dentro de uma semana. Entre as medidas, está, por exemplo, a regularização da temperatura em edifícios públicos, espaços comerciais e culturais, estações de autocarros e comboios e aeroportos em Espanha.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, apareceu sem gravata numa conferência de imprensa e explicou que se tratava de poupança de energia.

"Pedi aos ministros e ministras e a todos os responsáveis públicos e ao setor privado que, se ainda não o fizeram, sempre que não seja necessário, não utilizem gravata, pois assim também estaremos a contribuir para a poupança energética que é tão necessária ao nosso país", disse na passada sexta-feira.

Já em França, o governo criou um plano de sobriedade energética, que visa um corte de 10% no consumo de energia nos próximos dois anos. Este plano foi anunciado pelo presidente Emmanuel Macron durante o seu discurso anual no Dia da Bastilha. De recordar que França depende essencialmente da energia nuclear (diz respeito a 42% das necessidades energéticas do país), à qual se segue o petróleo e depois o gás, os biocombustíveis, as energias renováveis, a energia hidrelétrica e o carvão. As participações das importações russas são baixas e representam apenas 17%, 9% e 26% do gás, petróleo e carvão da França, respetivamente, avança a Euronews.

A ministra da Energia, Agnes Pannier-Runacher , disse que o Plano de Sobriedade "é bom para o planeta, é claro, mas também é bom para passar o inverno e ficar sem gás russo nos próximos anos".

O porta-voz disse que, como parte do plano, o governo pretende garantir que uma lei francesa já existente que define as temperaturas de aquecimento e ar condicionado em 19 e 26 graus, respetivamente, seja devidamente implementada nos próximos meses. 

Uma diferença de um grau no aquecimento e ar condicionado, continuou o porta-voz, resulta em uma redução de aproximadamente 7% no consumo de energia. 

Alemanha

Um porta-voz do ministério Alemão de Assuntos Econômicos e Ação Climática disse à Euronews que "para reduzir o consumo de energia, faz sentido parar de aquecer salas em que as pessoas não passam tempo regularmente, como corredores, grandes salões, foyers ou salas técnicas quartos, a menos que haja requisitos relacionados à segurança."

Comparativamente a França, a Alemanha está muito mais exposta à Rússia. É a partir do petróleo que é fornecido um terço das necessidades energéticas do país, seguindo-se o gás. A Rússia forneceu 55% do gás do país, 35% de seu petróleo e 45% de seu carvão em 2021, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI).

Lituânia

Este país foi reduziu em 30% o uso de gás russo no primeiro semestre deste ano. A informação foi avançada à Euronews por um porta-voz do ministério da Energia e, por isso, "não haverá uma recomendação especial a aplicar". 

Apesar disto, estão a ser preparadas outras recomendações para instituições governamentais para economizar a energia: como dicas para o bom uso da eletricidade, o trabalho remoto e a configuração de temperatura de calor.  

Recorde-se que, quase seis meses após o conflito na Ucrânia, Moscovo já cortou parcial ou totalmente o fornecimento de gás a 12 estados-membros. Também o Nord Stream 1, o gasoduto que fornece gás russo para a Alemanha, está a operar apenas a 20%.

Esta tomada de posição tem sido vista pela Europa como uma chantagem por parte da Rússia para aliviar as amplas sanções impostas desde o início da guerra. 

Também a Grécia, dependente do gás russo em cerca de 40%, criou a "Operação Termóstato" que tem como objetivo renovar janelas, sistemas de aquecimento e refrigeração nos edifícios.

Os Países Baixos vão racionar a eletricidade a alguns consumidores. Na Irlanda, as famílias devem reduzir o termóstato para os 20 graus Celsius e que reduzam a velocidade para poupar combustível.

Em Itália, o governo deverá limitar a atividade comercial até às 19:00 e a prática de reduzir a temperatura do ar condicionado.

Veja tudo o que é previsto mudar, aqui.

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