Eclipse: cinco curiosidades fascinantes que vão muito além do espetáculo no céu

Agencia EFE , TFR
10 ago, 10:18
Vai haver um novo eclipse solar em Portugal
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O eclipse total do Sol, o primeiro visível em Portugal em mais de 100 anos, começa às 18:39 de quarta-feira

Todo grande acontecimento, como o eclipse solar total de 12 de agosto, está rodeado de aspetos fascinantes e curiosidades. Com que artefactos eram previstos estes fenómenos astronómicos na Antiguidade? O que se perde quando não se está numa zona de totalidade? Será que um dia deixarão de existir eclipses?

O "computador" que previa eclipses há dois mil anos

O mecanismo de Anticítera, construído na Grécia em meados do século II antes da nossa era, é a mais antiga calculadora astronómica portátil que se conserva. Feito de bronze, era utilizado para prever eclipses, manter um calendário preciso ou calcular as datas de seis competições de jogos gregos, como os de Olímpia.

Este tipo de computador analógico foi recuperado do mar Egeu em 1900, entre os destroços de um naufrágio, e encontra-se conservado em 82 fragmentos. Foi preciso esperar até este século para decifrar o funcionamento do mecanismo, do qual já foram feitas reproduções.

O original seria constituído por uma caixa de madeira com 33 centímetros de altura e 18 de largura, com dois círculos, um para o zodíaco e outro para o calendário. Uma manivela lateral acionava cerca de trinta engrenagens sobre dez eixos, que movimentavam duas agulhas — Sol e Lua — para determinar diariamente a posição desses astros em relação à Terra.

Conservado no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, o artefacto é, sem desprimor para Indiana Jones, protagonista do mais recente filme da saga: "O Dial do Destino" (2023), no qual o arqueólogo mais intrépido tem de reunir as peças do "dial de Arquimedes", inspirado no mecanismo de Anticítera.

Porque é que 99,9 não é 100%?

As aproximações não são suficientes quando se trata de um eclipse do Sol. Embora seja sempre um espetáculo fascinante, uns simples 0,1% fazem uma grande diferença: a que existe entre um eclipse parcial e um total.

Só quando a Lua tapa completamente o Sol surge um halo esbranquiçado, correspondente à sua atmosfera exterior e denominado coroa. Se o eclipse for parcial, mesmo que seja de 99,9%, a parte da luz solar que permanece visível é milhares de vezes mais brilhante do que a coroa, impedindo que esta seja observada.

Quando o Sol desaparece totalmente para dar lugar ao negro, verifica-se uma diminuição muito brusca da luz, semelhante a um pôr do sol muito tardio, já quase noite, acompanhada por uma descida acentuada da temperatura e alterações no vento.

Além disso, há efeitos que ocorrem precisamente antes da totalidade e que são exclusivos dos eclipses a 100%, como o anel de diamante, provocado pelo último raio de Sol, ou as pérolas de Baily, pontos que surgem no limite do nosso satélite devido à passagem da luz entre as montanhas lunares.

Uma longa noite astronómica

Embora o protagonista de 12 de agosto seja o eclipse, será também uma longa noite para os aficionados do céu, porque, quando cair a escuridão, começará um dos fenómenos mais aguardados de cada verão: a chuva de estrelas das Perseidas, que atingirá o seu máximo de atividade.

Numa noite de Lua nova, suficientemente escura para facilitar a observação, as estrelas cadentes começarão a atravessar o firmamento e este ano será, segundo o site da NASA, "uma das melhores chuvas de estrelas do hemisfério norte".

Um eclipse inclusivo

Será um eclipse uma experiência essencialmente visual? A resposta é não. Numa espécie de jogo de sinestesia, as pessoas com deficiência visual poderão experienciar este fenómeno através do som, graças ao projeto Eclipse Inclusivo do Instituto de Ciências do Espaço (ICE-CSIC).

A luz será transformada em som através de dispositivos denominados LightSound, ligeiramente maiores do que um telemóvel, que convertem, em tempo real, as variações das mudanças de luz em som.

A luz solar intensa começa por ser representada por um tom agudo de flauta e, à medida que a Lua vai cobrindo a estrela, o som desce para um tom grave de clarinete antes de desaparecer por completo durante a fase de totalidade, reproduzindo assim todo o processo, explica o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC).

Eclipses totais: têm data para acabar?

"Vivemos num período privilegiado da história do Sistema Solar". Num passado muito remoto, os eclipses totais eram ainda mais longos do que os atuais, mas os nossos descendentes, daqui a cerca de 600 milhões de anos, já não poderão assistir a nenhum, explica à EFE o presidente da Comissão Científica do Trio de Eclipses e diretor do Observatório Astronómico Nacional, Rafael Bachiller.

A Lua afasta-se atualmente da Terra a um ritmo médio de cerca de 3,8 centímetros por ano. É "um movimento muito lento — a largura de dois dedos por ano —, mas constante à escala astronómica" e, à medida que a distância aumenta, o disco lunar vai surgindo ligeiramente mais pequeno no nosso céu.

Assim, chegará um momento em que, mesmo quando a Lua estiver no ponto mais próximo da sua órbita (perigeu) e a Terra no mais afastado do Sol (afélio), o diâmetro aparente do disco lunar já não será suficiente para ocultar completamente o disco solar. Nessa altura, desaparecerão para sempre os eclipses totais do Sol e existirão apenas eclipses anulares.

"Creio que é uma ideia que convida à reflexão. Tendemos a pensar que os eclipses são fenómenos eternos", mas a coincidência de o Sol e a Lua apresentarem tamanhos aparentes quase idênticos no nosso céu não resulta de nenhuma lei física; "é uma coincidência geométrica extraordinária".

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