O eclipse total do Sol, o primeiro visível em Portugal em mais de 100 anos, começa às 18:39 de quarta-feira
O eclipse solar total será um momento único na vida da maioria das pessoas que o observarem. Estas são as principais fases a que deverá estar atento, explicadas à EFE pelos astrofísicos Eva Villaver e Alejandro Sánchez, dos institutos de astrofísica das Canárias e da Andaluzia, respetivamente.
Primeiro contacto
O eclipse solar começa quando surge uma pequena sombra negra numa das extremidades do Sol. Visualmente, será como se a Lua desse uma espécie de "mordidela" no disco solar, avançando progressivamente sobre a sua margem luminosa.
O chamado "primeiro contacto" deverá ocorrer por volta das 18:30, hora peninsular espanhola, dependendo do local de observação, e exige a utilização de óculos próprios para uma observação segura.
A parcialidade: o avanço da "mordidela"
Depois do primeiro contacto começa a fase de parcialidade, que também requer o uso de óculos. A Lua irá cobrir gradualmente o Sol.
A partir do momento em que cerca de 45% do Sol estiver ocultado, a luz natural começará a diminuir, embora a perceção de escuridão e a descida da temperatura só se façam sentir quando a cobertura do Sol atingir os 90%.
A sombra
Quando a ocultação do Sol ultrapassar os 90%, o horizonte começará a escurecer de forma impressionante, devido à projeção da sombra da Lua sobre a superfície terrestre.
As "pérolas de Baily"
São pequenos pontos de luz que brilham e desaparecem muito rapidamente imediatamente antes da totalidade. Resultam dos pontos onde fica fragmentada a já muito fina faixa de luz da fotosfera solar.
O nome homenageia o astrónomo inglês que as descreveu em 1836, Francis Baily, embora outro físico britânico, Edmond Halley, já as tivesse documentado em 1715.
A má notícia é que as "pérolas" dificilmente serão visíveis sem um telescópio. Exceto a última: aquela que dá origem à imagem de um "anel de diamantes".
O anel de diamantes
O "anel de diamantes" é o deslumbrante final da fase de parcialidade. Surge instantes antes e depois da totalidade e, alguns segundos antes de ocorrer, é necessário retirar os óculos para o poder observar.
Será possível ver como, a partir do ténue brilho da coroa solar - o anel -, emerge um fragmento da fotosfera solar - o diamante.
A lenda conta que uma jovem comparou a imagem a um anel de noivado durante o eclipse de abril de 1912, o último eclipse total anterior a este visível na Península Ibérica. Anos mais tarde, no eclipse de 1925, o termo já se tinha popularizado.
A totalidade
O eclipse chega ao seu ponto culminante: a Lua cobre completamente o Sol.
A totalidade deverá ocorrer por volta das 19:30, dependendo do local de observação. Nas zonas situadas na faixa de totalidade, poderá durar até 1 minuto e 50 segundos. O céu ficará escuro, as temperaturas descerão e a coroa solar tornar-se-á visível.
A escuridão não será total, mas haverá uma penumbra suficientemente intensa para permitir observar outro momento excecional: o Sol a partilhar o céu com outras estrelas e planetas. Entre estes, os mais visíveis serão os mais brilhantes: Vénus e Júpiter. Poderá também ser possível observar Mercúrio, Marte e Saturno.
Fim da totalidade
Depois da totalidade, o processo será observado no sentido inverso: novamente o anel de diamantes, ocasionalmente as "pérolas de Baily" — com telescópio — e, a partir daí, uma nova fase de parcialidade, durante a qual a Lua irá progressivamente deixar de ocultar o Sol.
As Perseidas
Como se esta "carambola orbital" não fosse já suficientemente extraordinária, na noite de 12 para 13 de agosto ocorrerá o pico da chuva de meteoros das Perseidas.
Estes meteoros, habitualmente chamados "estrelas cadentes", poderão ser vistos a "cair do céu" a partir das 22:00, hora de Lisboa.
