Duran Duran voltaram "finalmente" a Portugal e provaram que "ainda mexem"

26 jun, 03:27

Terceiro dia de Rock in Rio, que no Palco Mundo teve ainda as atuações de Bush, a-ha e UB40, contou com 70 mil pessoas no Parque da Bela Vista

"É ótimo estar de volta e vir ao Rock in Rio. Devíamos ter estado aqui há dois anos, mas surgiu algo chamado covid e isso atrasou este espectáculo". Em entrevista à TVI/CNN Portugal, John Taylor e Nick Rhodes garantem que não deram pelo tempo passar. Os 43 anos de banda de que todos falam são apenas um mero número que até podia ser outro qualquer.

No regresso a Portugal, que aconteceu 17 anos depois do último concerto - ou como os dois membros da banda explicaram "há 15 + 2" ("Fiquemo-nos pelos quinze, os últimos dois anos não são culpa nossa"), os Duran Duran mostram que energia não faltam, hits muito menos, e ao longo de mais de uma hora e 45 minutos de concerto mostraram-se "esfomeados como lobos" por interagir com o público português.

O alinhamento arrancou com "Wild Boys" e a plateia cedo percebeu que se o que esperava era um final de noite a lembrar os anos 80, então era isso que ia ter. Acompanhados por duas vozes femininas, Simon Le Bon, Nick Rhodes, John Taylor e Roger Taylor trouxeram ainda músicas do novo álbum (Future Past), como foi o caso de "Give It All Up", "Invisible", "All of You" e "Tonight United".

Mas, o momento alto da noite, aconteceu com "Hungry Like The Wolf", com a plateia (em que muitos não pararam de dançar), se uniu em uma só voz e entoou os versos da música de 1982 pela Cidade do Rock. 

John Taylor voltaria a unir a plateia em "Ordinary World", música que a banda dedicou ao povo ucraniano que vive uma "experiência inacreditável" há quatro meses. E se a partir daqui a rouquidão de Simon "Lisbon" (como o próprio se intitulou no concerto), também o entusiasmo do público ganhou novo crescendo, culminando com um encore de clássicos: "Save a Prayer" e "Rio".

Em entrevista à CNN Portugal logo após o concerto, Ana Paula confessa-se satisfeita com o que viu em palco. "Vim ver a-ha e Duran Duran. Gostei muito, ver os senhores que eu conheci há 40 anos. Os moços ainda mexem. Ouvi as músicas que queria ouvir, não falharam nenhuma."

Sobre os dois concertos que veio ver, a lisboeta diz que "são coisas completamente distintas, completamente diferentes". "Acho que os a-ha estiveram bem em termos de sobriedade, os vocalistas continuam a ter vozes distintas e impecáveis e os músicos também foram muito bons. Eu acho que foram mais ou menos iguais. Eram estilos diferentes, apesar de serem rivais na altura".

Já Rui Jesus, que assistiu ao concerto rodeado de um grupo de amigos, diz que o melhor concerto do dia foi UB40 (já lá iremos), mas que Duran Duran "corresponderam à expectativa".

"A expectativa era boa e corresponderam. Esperávamos ouvir êxitos antigo e foi o que eles tocaram. Foi o primeiro concerto deles que vimos. UB-40 foi o melhor. Foi a primeira vez que viémos ao festival e valeu a pena."

Média de idades? Acima dos 40

Nas redes sociais havia quem avisasse que este sábado em Lisboa iria cheirar a naftalina e haveria pó no ar. A culpa, essa, seria do público que iria estar no Rock in Rio para assistir aos concertos, num dia em que para além de Duran Duran atuaram também Bush, UB40 e a-ha.

Coube à banda de Gavin Rossdale as honras de abrir o Palco Mundo, com rock e a ausência de êxitos esperados pelos fãs a marcarem o alinhamento. A setlist começou com um potente "Kingdom", ainda a multidão se juntavam em frente ao palco e o calor convidava a procurar refúgio nas poucas sombras da Cidade do Rock.

Gavin Rossdale (Miguel A. Lopes/Lusa)

Ao longo de pouco mais de 50 minutos de concerto, o vocalista mostrou-se entusiasmado com o público, chegou mesmo a encetar uma fuga pelo parque da Bela Vista (e teve fãs a correr atrás dele), mas a ausência de músicas como "Swallowed" deixou a sensação de que faltou ali qualquer coisa nesta tarde de sábado.

Seguiram-se os UB40 com Ali Campbell, num concerto gingado e cheio de amor e casais apaixonados a serem exibidos nos ecrãs gigantes do festival.

Com mais de 40 anos de existência, e inúmeros êxitos ao longo da carreira, a banda de Birmingham animou o final de tarde no parque da Bela Vista com músicas como 'Red Red Wine', 'I Got You Babe', 'Please Don't Make Me Cry', 'Homely Girl' e 'Can't Help Falling In Love'. E amor foi tudo o que não faltou, nem na voz de Ali Campbell, nem no público, que cantou, dançou e não se coibiu de mostras de amor perante as câmaras.

Nem só de "Take on Me" se fazem os a-ha

Quem quis ouvir "Take on Me" teve de esperar (ou aguentar) ao longo de 1h15 de concerto da banda norueguesa a-ha porque o êxito foi o último a ser cantado. 

"Tenho pena que seja só essa música que as pessoas conheçam. Eles têm dez álbuns", afirma uma das fãs na primeira fila do concerto.

E como prova de que há mais do que "Take on Me", o grupo fundado em Oslo há 40 anos, e que tem como vocalista Morten Harket, regressou a Portugal para um concerto em crescendo e que revisitou vários álbuns, em particular o primeiro"Hunting High and Low", de 1985.

Em "Hunting High and Low", o vocalista (que recuperou da covid-19 há pouco tempo) percorreu mesmo o pontão do palco para cantar o refrão com o público por duas vezes, num dos momentos mais altos do espetáculo. O auge aconteceria já nas músicas finais: "The Living Daylights" e "Take on Me".

Delfins: o regresso

Findo o concerto dos a-ha, no Galp Music Valley começava o concerto que marcava (mais ou menos) o regresso dos Delfins aos palcos. A banda que se separou em 2009, estava pronta para atuar em 2020, mas a pandemia fez com que o regresso fosse adiado e até acontecesse uma atuação antes pelo meio. Mas, em entrevista à CNN Portugal antes do concerto, Miguel Angelo e Fernando Cunha garantem que este é o grande regresso da banda dos anos 90. 

"A banda parou a sua atividade, mas as canções continuaram ativas. Acho que são as canções que nós fizemos há muito tempo atrás que nos mantêm aqui vivos e com vontade de ir para o palco", afirmou Miguel Angelo, vocalista da banda.

E prova disso foi a frente de palco cheia, encosta acima, para ver a banda tocar a setlist "condensada de êxitos" ("Foi muito difícil conseguir, numa hora, selecionar os êxitos para aqui hoje", afiança Fernando Cunha) como "Saber Amar", "Lugar ao Sol", "Nasce Selvagem" e até "A Canção do Engate".

O Rock in Rio Lisboa termina este domingo com as atuações de HMB, Jason Derulo, Anitta e Post Malone.

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