"Na Praia": o resort de luxo da filha do fundador da Zara, em Tróia, contestado por oito organizações de ambiente

23 abr, 21:38

Associações dizem que obras vão destruir dunas e começaram sem licença. Empresa refuta todas as acusações e garante projeto amigo do ambiente

Um projeto de 200 milhões de euros para construir um resort de luxo em Tróia, promovido pela mulher mais rica de Espanha, está a causar polémica. 
A obra é contestada por oito organizações de ambiente que garantem que a terraplanagem das dunas começou antes da licença municipal.

O empreendimento, batizado com o nome "Na Praia", já era contestado, há muito, pelas associações que em março denunciaram às autoridades ambientais as movimentações no solo desde o final de janeiro num terreno que corresponde a uma pequena parte dos cerca de 100 hectares de todo o projeto.
Na denúncia as associações falam em eliminação total da vegetação, terraplanagem de dunas e construção de uma estrada sem alvará de licenciamento afixado no local.

Contactado pela CNN Portugal, o promotor do projeto desmente "que até ao momento tenha sido feita qualquer obra", afirmando que aquilo que foi feito foi apenas "uma via de acesso, devidamente autorizada pelas autoridades, que permitiu a entrada e saída dos veículos que retiraram o entulho ilegalmente ali depositado e, posteriormente, a instalação do estaleiro", numa "operação realizada em absoluto cumprimento da lei e monitorizada pelas autoridades".
Entretanto, o promotor refere que já obteve, em março, as licenças para fazer as obras e instalar o estaleiro, apesar de garantir que, por agora, nem precisava destes documentos, e que "a Câmara Municipal de Grândola e o ICNF foram notificados da realização dos trabalhos de desmatação e remoção de cerca de 19 mil metros cúbicos de entulho ilegalmente depositado''.

Teresa Santos, porta-voz da Plataforma Dunas Livres que reúne as oito organizações não governamentais, contesta os argumentos da empresa e explica que as máquinas arrasaram as dunas e a vegetação que existia naquele espaço sem licença da autarquia. 
Marta Leandro, vice-presidente da Quercus, subscreve a denúncia e fala mesmo numa obra que teve um início ilegal.

Hotel e aldeamentos de 5 estrelas

Além do momento do arranque dos trabalhos nas dunas, o projeto promovido por uma empresa portuguesa com Sandra Ortega, herdeira do fundador da Zara, é duramente criticado pelas associações ambientalistas. 

"Betunizar ecossistemas tão frágeis e que cumprem a sua função contra o avanço do nível médio das águas do mar é uma ignorância atroz", afirma Marta Leandro.

Os promotores do empreendimento "Na Praia" garantem que todas as regras ambientais vão ser cumpridas e que vários espaços com dunas até vão ser recuperados, argumentos que não convencem os ambientalistas.

A porta-voz da Plataforma Dunas Livres defende que "não é a fazer uma casinha aqui e outra ali que se protege. Há impactos ecológicos cumulativos com outros projetos urbanísticos que já existem na Península de Tróia e para onde estão previstos ainda mais".  

O projeto turístico em causa envolve um investimento de cerca de 200 milhões de euros para construir um hotel de 5 estrelas e três aldeamentos igualmente de 5 estrelas, num total de 506 camas, algo que a empresa sublinha que é menos de 20 por cento da capacidade permitida pelo plano de urbanização da zona.

A Agência Portuguesa do Ambiente aprovou a obra apesar de ter identificado "impactos negativos muito relevantes, de magnitude elevada", sobre "valores ecológicos extremamente altos", nomeadamente sobre plantas e dunas. Os impactos negativos têm de ser compensados com 47 medidas de minimização.

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