Homem britânico acusado de crimes cibernéticos por alegadamente ter filmado ataques com mísseis no Dubai

CNN
14 mar, 11:25
Dubai

Um cidadão britânico foi acusado, ao abrigo das leis de cibercrime no Dubai, por alegadamente ter filmado mísseis iranianos sobre a cidade, confirmaram as autoridades britânicas.

O homem de 60 anos, que se diz ser um turista, foi acusado ao abrigo de uma lei que proíbe a publicação ou partilha de material que possa perturbar a segurança pública. “Estamos em contacto com as autoridades locais na sequência da detenção de um britânico nos Emirados Árabes Unidos”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido à CNN.

A CNN contactou o Governo do Dubai para obter comentários.

Lana Nusseibeh, ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos (EAU) para a UE, disse à BBC que estava “ciente” de que tinha havido “algumas violações” da lei, mas não comentou especificamente o caso do britânico. Ela afirmou que os regulamentos foram introduzidos para garantir a segurança pública. “O meu melhor conselho para todos aqui, a quem damos as boas-vindas… é que sigam as diretrizes. As diretrizes existem para a vossa segurança e para a vossa proteção”, disse.

A pena por violar as leis de cibercrime nos EAU é de, no mínimo, dois anos de prisão, bem como uma multa de 200 mil dirhams dos EAU (cerca de 54 mil dólares).

Numa entrevista à estação de rádio britânica LBC, o embaixador dos EAU no Reino Unido, Mansoor Abulhoul, afirmou que “os Emirados Árabes Unidos são muito seguros”.

Mansoor Abulhoul acrescentou: “As diretrizes e regulamentos existem nos EAU para garantir a segurança das pessoas” e que os EAU estavam a desencorajar as pessoas de filmar para que não fossem atingidas por “detritos em queda”.

Na sexta-feira passada, o Procurador-Geral dos EAU advertiu as pessoas contra a divulgação de fotos ou vídeos que mostrassem os locais dos ataques, ou de informações imprecisas que pudessem causar pânico.

Outro aviso do Governo, divulgado por e-mails, mensagens de texto e comunicados públicos, dizia: “Fotografar ou partilhar imagens de locais críticos ou de segurança, ou repostar informações não confiáveis, pode resultar em ação legal e comprometer a segurança e a estabilidade nacionais. O cumprimento ajuda a manter a comunidade segura e estável”.

E outro alertou as pessoas para “pensarem antes de partilharem. Espalhar rumores é um crime”.

Numa publicação no X, a Embaixada do Reino Unido nos EAU afirmou: “As autoridades dos EAU alertam contra fotografar, publicar ou partilhar imagens de locais de incidentes ou danos causados por projéteis, bem como de edifícios governamentais e missões diplomáticas. Os cidadãos britânicos estão sujeitos às leis dos EAU; as violações podem resultar em multas, prisão ou deportação”.

Mais de 1.800 drones e mísseis foram lançados contra os EAU desde o início da guerra, informou o Ministério da Defesa do país no X na sexta-feira. Seis pessoas foram mortas e 141 ficaram feridas.

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