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Sabe o que é um manguezal? Este projeto futurista pode ajudar a salvar o planeta

CNN , Jacopo Prisco
1 jun, 19:00

Nota do Editor: Esta série da CNN é, ou foi, patrocinada pelo país que destaca. A CNN mantém o controlo editorial total sobre o tema, a informação e a frequência dos artigos e vídeos no âmbito do patrocínio, em conformidade com a nossa política

Uma extensão de mais de 70 quilómetros de costa no Dubai poderá vir a ser o local do "maior projeto de regeneração costeira do mundo", caso o Dubai Mangroves siga avante.

Mais de 100 milhões de manguezais - um grupo de árvores e arbustos que vivem principalmente em águas costeiras, onde são capazes de suportar ecossistemas inteiros - seriam plantados como parte do projeto. Este número é suficiente para absorver mais de 1,2 milhões de toneladas métricas de CO2 por ano, de acordo com a URB, a empresa promotora de cidades sustentáveis por detrás da iniciativa - o equivalente a retirar da estrada 260 mil veículos a gasolina.

"Os manguezais são o sistema de defesa da própria natureza contra a erosão costeira e a subida do nível do mar, que são preocupações cruciais para qualquer cidade costeira, incluindo o Dubai", afirma Baharash Bagherian, urbanista e fundador da URB.

"Atualmente, estamos na fase de investigação", acrescenta. "Identificámos seis locais para estudos-piloto propostos como próximas etapas e estamos a concentrar-nos nos projectos para esses locais. Prevemos que o projeto esteja concluído em 2040."

Melhor do que uma floresta tropical

Os outros projetos da URB, todos ainda em fase de planeamento, incluem um plano diretor para equipar o Dubai com mais de mil quilómetros de ciclovias até 2040, e o Dubai Reefs, uma comunidade flutuante para investigação marinha e ecoturismo que incluiria o maior recife artificial do mundo.

O Dubai Mangroves foi originalmente proposto como parte do Dubai Reefs e, mais tarde, foi destacado como uma iniciativa separada. De acordo com Bagherian, o objetivo é responder a vários desafios ambientais e urbanos. "O objetivo principal é combater os efeitos das alterações climáticas", afirma, o que é conseguido através da capacidade natural dos manguzeais para atenuar a subida do nível do mar - criando gradualmente um amortecedor entre o mar e a terra - e da sua capacidade para remover o dióxido de carbono diretamente da atmosfera.

Os manguezais são capazes de o fazer 10 vezes mais rapidamente do que as florestas tropicais maduras e podem armazenar o carbono três a cinco vezes mais densamente, de acordo com a Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos

Trazem também outros benefícios, uma vez que atuam como viveiros para a vida marinha e criam um habitat natural para peixes, aves e outras plantas, aumentando a biodiversidade. Além disso, melhoram diretamente a economia das comunidades costeiras, apoiando a pesca e a aquicultura e fornecendo matérias-primas para o artesanato e a construção.

Por último, tal como demonstrado por outros pontos críticos de manguezais em todo o mundo, podem tornar-se uma atração turística. "O projeto pretende elevar a fasquia do turismo ecologicamente responsável, criando um ambiente onde os visitantes podem desfrutar da natureza sem a danificar", diz Bagherian, acrescentando que o objetivo não é apenas atrair turistas, mas incentivá-los a tornarem-se participantes ativos na preservação do património natural.

Um centro de conservação com biólogos marinhos e um grande museu botânico estão entre as instalações planeadas para o centro de visitantes.

O URB, o promotor por detrás do projeto, apresentado nesta imagem, espera que o Dubai Mangroves esteja concluído em 2040 (URB)

Jardineiros com IA

A tecnologia desempenhará um papel tanto no desenvolvimento como nas operações do Dubai Mangroves, com a inteligência artificial (IA) a controlar constantemente as plantas. "Estamos a pensar em utilizar ferramentas de ponta, como a reflorestação por drones para plantar manguezais de forma eficiente e tecnologia de deteção remota para monitorizar a saúde e o crescimento das florestas de manguezais", diz Bagherian.

Os drones colocariam com precisão as sementes de mangue nos locais onde têm mais hipóteses de sobreviver. As imagens de satélite seriam então utilizadas para obter uma visão geral da cobertura dos manguezais, facilitando a identificação das áreas que requerem maior atenção. Ao mesmo tempo, a análise baseada em IA poderia processar grandes quantidades de dados para oferecer orientação a biólogos e urbanistas sobre esforços de restauração e decisões políticas.

Seis zonas estão atualmente a ser consideradas para estudos-piloto que servirão de base ao plano final do projeto: Jebel Ali Beach, Dubai Marina Beach, Jumeirah Public Beach, Umm Suqeim Beach, Mercato Beach e Dubai Islands Beach. 

Bagherian acredita que, para além de combater as alterações climáticas e impulsionar a economia local através do ecoturismo, o projeto melhorará a qualidade de vida dos habitantes locais.

"A nível social, aumenta a habitabilidade urbana, oferecendo espaços recreativos para residentes e visitantes, melhorando a qualidade do ar e contribuindo para o bem-estar mental e físico da comunidade", conclui.

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