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Drones ucranianos "afundam" fragata da NATO em exercício na costa portuguesa

17 mar, 21:00
Os drones "MAGURA" têm apenas alguns metros de comprimento, são movidos por jet skis e têm um alcance de cerca de 800 quilómetros (Peter Rudden/CNN)
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Incapazes de detetar a aproximação ágil dos drones ucranianos, as forças da NATO receberam um aviso claro sobre a rápida evolução da guerra no mar

Uma equipa multinacional liderada por militares ucranianos "afundou" uma fragata da NATO com recurso a pequenos drones navais durante o REPMUS 2025, um exercício organizado pela Marinha Portuguesa na península de Setúbal. De acordo com uma fonte ucraniana que revelou os detalhes ao jornal Frankfurter Allgemeine, as forças hostis "vermelhas" derrotaram consistentemente as forças da aliança em cinco cenários distintos, que incluíam a proteção de portos e a defesa e ataque de embarcações.

O sucesso da operação deveu-se, em grande parte, à utilização dos drones navais Magura V7. Estes pequenos veículos não tripulados podem atuar como drones kamikazes, carregados de explosivos e lançados diretamente contra o alvo, ou funcionar como plataformas de ataque equipadas com sistemas de mísseis guiados, armas antiaéreas e até drones aéreos. O exercício, que envolveu também navios de guerra e aeronaves de ambos os lados, demonstrou a versatilidade desta tecnologia, que traz novas dores de cabeça para a maior aliança do mundo.

A equipa vermelha, que contava com a participação de militares americanos, britânicos e espanhóis, conseguiu atingir a fragata da NATO vezes suficientes para garantir que, num cenário de batalha real, a embarcação teria sido afundada. Num dado ainda mais preocupante para a aliança Atlântica, as forças de defesa, a equipa azul, não terão sequer conseguido detetar a aproximação dos Magura V7, que têm sido responsáveis por ataques como aquele que está no vídeo abaixo.

O jornal alemão relata que, durante uma das simulações de ataque, os militares da equipa oposta chegaram a questionar num chat conjunto, minutos após os impactos virtuais, se os ucranianos iam ou não avançar com a ofensiva, completamente inconscientes de que o ataque já tinha ocorrido.

"O problema não era eles não nos conseguirem parar. O problema é que eles nem viram as nossas armas", revelou a fonte ucraniana citada pela publicação.

Tem sido precisamente este tipo de armamento a ditar a quase inutilização da frota russa do Mar Negro, responsável pelo afundamento de navios de grande porte, como o cruzador Moskva em abril de 2022. A eficácia dos drones obrigou a marinha russa a transferir a sua base histórica de Sebastopol, na península ocupada da Crimeia, para o porto de Novorossiysk. Contudo, a distância não tem sido suficiente para manter os navios a salvo, tendo os ataques ucranianos conseguido afundar um submarino já em dezembro de 2025.

Contactada pela CNN Portugal, fonte da Marinha confirmou que este tipo de exercícios decorre habitualmente durante o REPMUS, mas absteve-se de comentar operações específicas a envolver militares ucranianos.

Ao jornal alemão, um representante da NATO confirmou tratar-se da primeira vez na história da aliança que a marinha ucraniana coordenou as forças de oposição, salientando a importância de incorporar as mais recentes tendências do combate naval. "Os responsáveis ucranianos conferiram realismo de combate ao exercício, impulsionando a inovação e o desenvolvimento de novas táticas da NATO", concluiu o representante.

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