Boris Johnson volta a pedir desculpa pelo caso 'Partygate', mas recusa demitir-se. Oposição acusa-o de ser "desonesto"

Agência Lusa , BCE
19 abr, 18:45
Boris Johnson

Johnson reiterou uma justificação anterior, alegando que esperava que o evento em causa seria uma reunião sobre a resposta à pandemia e não uma festa de aniversário

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, voltou esta terça-feira a pedir desculpa pelo desrespeito das restrições da pandemia covid-19, mas recusou demitir-se, alegando necessidade em "cumprir as prioridades" de enfrentar as crises da Ucrânia e do aumento do custo de vida. 

Numa intervenção no parlamento, o chefe do Governo confirmou "com toda a humildade" que recebeu uma multa na semana passada pela participação num evento em junho de 2020, a qual pagou "imediatamente". 

Johnson reiterou uma justificação anterior, alegando que esperava que o evento em causa seria uma reunião sobre a resposta à pandemia e não uma festa de aniversário.

"Assim que recebi a notificação, reconheci a mágoa e a raiva e disse que as pessoas tinham o direito de esperar melhor do seu primeiro-ministro e repito isso novamente na Câmara agora. É precisamente porque sei que tantas pessoas estão com raiva e desapontadas que eu sinto-me ainda mais na obrigação de cumprir as prioridades do povo britânico e responder (...) ao ataque bárbaro de (Vladimir) Putin contra a Ucrânia", disse. 

Prometeu também lidar com as "réplicas económicas da covid e da agressão russa", que está a causar o aumento dos preços da energia e bens de consumo. 

Oposição acusa Boris de apresentar "distorções" para evitar a demissão

Porém, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, acusou Johnson de apresentar um "novo conjunto de distrações e distorções" para evitar a demissão. 

"O mal já está feito, o povo já decidiu, eles não acreditam numa única palavra que o primeiro-ministro diz, eles sabem o que ele é", declarou Starmer, acusando Johnson de ser "desonesto", palavra que retirou após as reclamações e a intervenção do presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle.

Starmer exortou os deputados conservadores a atuarem de forma a "trazer decência, honestidade e integridade de volta à política e impedir a difamação de tudo o que este país representa".

O conservador Mark Harper, um antigo membro do Governo de David Cameron, destacou-se ao confirmar que iria subscrever uma moção de censura, considerando que Johnson "já não é digno do grande cargo que ocupa". Mas a maioria dos restantes 'tories' mantiveram a confiança no líder. 

O parlamento britânico decide na quinta-feira se o primeiro-ministro deve ser investigado por ter alegadamente mentido aos deputados sobre as "festas" que violaram as restrições da pandemia covid-19. 

Lindsay Hoyle revelou ter autorizado Keir Starmer a propor um debate e votação para que a questão seja alvo de um inquérito parlamentar, mas Boris Johnson não deverá estar presente porque tem previsto iniciar uma viagem oficial à Índia no mesmo dia.

As normas ditam que um político deve demitir-se se mentiu deliberadamente na Câmara dos Comuns. Porém, uma decisão favorável ao inquérito implica o apoio de membros do Partido Conservador, que tem uma maioria absoluta.  

A oposição acusa Johnson de ter mentido deliberadamente no Parlamento, ao afirmar repetidamente que não tinha violado as restrições impostas para travar a propagação do coronavírus de proibir ajuntamentos numerosos em espaços abertos ou fechados.

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