O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt
Os dias que antecedem esta semana de Natal e a passagem do ano são vividos por muitos como dias abarrotados. À rotina habitual (que já é frenética) acrescentamos ainda mais tarefas: as compras, os jantares, as viagens, os encontros, os doces e toda a comida que temos de preparar e depois comer.
Tudo isto teria já um custo elevado para a nossa energia, para o nosso funcionamento e para o nosso bem-estar.
Mas ainda falta acrescentar a energia emocional que é necessária para gerir essa alteração da rotina, para tomar as decisões na hora de fazer compras, para conseguir dizer “não” e ficar bem com isso, para lidar com o cansaço, as expectativas, a irritabilidade e algumas desilusões por não ser tudo como imaginámos. E, como não vivemos tudo isto sozinhos, temos ainda de gerir conflitos, frustrações e mudanças de planos que não desejávamos.
Sim! O Natal não é só como nos anúncios das telecomunicações. Não tem só um final feliz. Não é só pacífico. Não é só acolhedor. Não são só presentes embrulhados debaixo da árvore cheia de luzes e bolas e uma mesa com a melhor toalha e os melhores pratos e copos à espera do bacalhau, do peru, ou das rabanadas e de todos à volta a rir e a falar alto.
Digo “não é só” porque falta mostrar e reconhecer tudo o resto. Falta falar de toda a energia que nos custa para chegar ali e todo o trabalho que temos ao “arrumar” o que fica.
E arrumar o que fica inclui muitas vezes mais do que apenas os papéis de embrulho e a louça para lavar e guardar de novo até ao próximo ano. Inclui recuperar essa energia emocional que gastámos, esse esforço que dedicámos a conter o desagrado, a esconder o cansaço ou a ignorar o desconforto.
Se incluirmos tudo isso quando falamos das “festas”, então sim, é normal sentir que a sua energia e sensação de bem-estar estão deprimidas. No sentido em que os níveis habituais estão mais baixos. É normal sentir cansaço. É normal pensar “para o ano vai ser diferente e vou começar mais cedo e vou dizer não e vou gastar menos dinheiro até porque a mim não me deram nada de especial e nem sei por que me dou ao trabalho se ninguém depois reconhece e mais valia era nem fazer nada”.
E é normal, por isso, “sentir-se deprimido”.
Então o que fazer para que essa “depressão” não evolua para um estado “clinicamente deprimido”.
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Sugestões
- Descanse. Bastante óbvio e simples. Se o que sente é cansaço, então a melhor forma de o resolver é descansar. Porque é que não o fazemos mais? Porque talvez considere que “precisava era de uma semana nas Maldivas ou um dia sem ninguém que me chateasse!” Contudo, o descanso pode ser bem mais simples e acessível. Use todos os intervalos possíveis para parar, respirar e estar consigo. Pode ser porque sai para a rua e caminha cinco minutos, ou porque se senta no sofá em silêncio, ou porque faz uma pequena pausa entre todas as tarefas que tem pela frente. Pare. Só isso.
- Saboreie. Volte o filme atrás. Lembre-se dos pequenos instantes. Talvez alguém a deixou passar à frente numa fila, ou recebeu um presente ou uma mensagem que não contava. Ou pôde abraçar uma pessoa que não via há muito tempo. Ou ficou a saber que alguém recuperou de uma doença e agora está bem. Reveja fotos desses momentos de abrir os presentes ou das gargalhadas.
- Guarde. Registe e armazene esses momentos. Hoje até é bem fácil porque há sempre alguém com um aparelho que regista em imagem ou vídeo quase tudo o que acontece. Recolha essas imagens e imprima as melhores. Coloque-as num espaço que seja visível nos dias que se seguem.
- Partilhe. Retorne as mensagens e os telefonemas que recebeu ou que não teve tempo de fazer. Combine agora aquele café ou jantar que não teve agenda para marcar. Volte a fazer rabanadas e convide o resto da família e dos amigos que não puderam estar presentes.
O Natal não é sempre que se quer, mas vai de certeza voltar para o ano.
Até lá cuide-se, porque vai precisar.
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