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Em geral “voar alto” pode significar dar asas à imaginação, impulsionar novas descobertas, incrementar metodologias ou técnicas inovadoras. Pressupõe, em geral, abertura, iniciativa e aventura.
Falar em viagem de avião pode ser o vislumbrar destes requisitos. Novas descobertas, aprendizagem, outros horizontes. Contudo, este plano pode ser facilmente boicotado quando a ansiedade e o medo dominam o estado mental e psicofisiológico da pessoa. Estamos a reportar-nos àquelas situações em que o indivíduo é dominado por um medo intenso de viajar em transportes aéreos (avião/helicóptero). Esta experiência de medo exacerbado e irracional que está associada à ideia de viajar em veículos voadores designa-se de aerofobia. É importante esclarecer que este medo intenso circunscrito ao contexto de voo pode surgir associado à ideia de viajar, pode estar relacionado com notícias sobre tráfego aéreo, poderá surgir antes do momento de embarque e, claro, durante o momento da viagem. É também importante esclarecer que esta fobia específica pode surgir juntamente com outros medos e fobias, tais como a claustrofobia (medo de espaços confinados), agorofobia (medo ou ansiedade associada a lugares dos quais a fuga possa ser difícil) e acrofobia (medo compulsivo e irracional de alturas).
Estima-se que um número significativo de indivíduos com fobia de voar também apresentam maior vulnerabilidade a desenvolver outras perturbações de ansiedade ao longo da vida.
O medo de voar pode ter um impacto significativo na qualidade de vida das pessoas afetadas quando interfere nas suas decisões e limita as suas ações, reduzindo possibilidades e oportunidades individuais e, muitas vezes, também familiares. A aerofobia pode efetivamente causar sofrimento clinicamente significativo e limitar a mobilidade e oportunidades de um indivíduo.
As pessoas com medo de voar podem apresentar diversos sintomas (psicológicos, físicos, comportamentais) de ansiedade (crises de pânico), aumentando gradativamente com o aproximar da experiência de voo, tais como: hiperidrose (sudorese), tremores, vertigens, dispneia, taquicardia, náuseas, indigestão, pensamentos automáticos negativos, comportamentos de irrequietude, impulsividade, apatia, entre outros.
A origem do medo de viajar de avião pode estar associada a múltiplos fatores evolutivos, genéticos e ambientais. Do ponto de vista evolutivo podemos associar o medo de voar às experiências evolutivas negativas dos nossos antepassados, remontando ao período em que o homem subia às árvores para se proteger dos seus predadores. Também a ciência nos prova que os fatores genéticos ditam maior ou menor propensão a perturbação da ansiedade e a fobias específicas. A perceção de perigo associada ao ato de voar e a disseminação de informações catastróficas pode a qualquer momento condicionar uma maior propensão para a ativação fóbica.
É fundamental partilhar a informação de que perante sintomas persistentes e incapacitantes poderá recorrer à consulta de psicologia para obter um diagnóstico preciso que permitirá um plano terapêutico ajustado e eficaz. A ciência psicológica coloca ao dispor diferentes abordagens de tratamento que poderão responder às especificidades e perfil psicológico de cada indivíduo. De entre as diferentes abordagens de tratamento destaco a terapia cognitivo-comportamental, a terapia EMDR e terapia de exposição virtual, as quais podem recorrer a técnicas como o relaxamento e o mindfulness.
A aerofobia é uma perturbação tratável que pode impactar significativamente a qualidade de vida. Um processo terapêutico específico pode permitir ao individuo superar o medo de voar e realizar as suas viagens com maior tranquilidade.
Cuide de si e não pare de “voar alto”.
A considerar:
- Autoavalie eventuais comportamentos de evitação, como optar por não se deslocar a locais que impliquem viajar de avião. Verifique sinais excessivos de preocupação associados ao ato de viajar e a tudo o que o mesmo implica.
- Observe sinais excessivos de preocupação associados à eventual viagem agendada, atentando a comportamentos manifestos de luta, fuga ou imobilização. As reações físicas inicias podem expressar-se através de inquietação, agitação, tensão acumulada nos ombros, pescoço ou no peito, ou até mesmo dores de cabeça, entre outras.
- Quando o medo é excessivo e limitador recorrer a um profissional de psicologia pode ser o primeiro passo para uma análise cuidada de fatores precipitantes e diagnóstico específico.
- O plano terapêutico pode incluir diferentes abordagens e técnicas promotoras do relaxamento e da autorregulação emocional. A reestruturação cognitiva também é um aliado no processo de tratamento assente na premissa de maior bem-estar e realização pessoal.
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