O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt
Carla Fernandes
Psicóloga e vogal da direção da Delegação Regional Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses
À partida, a resposta a esta questão é afirmativa, mas tudo depende do grau de timidez de que falamos e do apoio que a criança ou o jovem poderá ou não beneficiar. A timidez excessiva numa criança pode ser abordada e trabalhada e, na maioria das vezes, pode ser superada. A implementação de estratégias que promovem o desenvolvimento social e emocional, por norma, ajudam muito as crianças e jovens a ultrapassar esta dificuldade. É importante criar oportunidades para que a criança saia da sua zona de conforto de forma gradual e segura. Pode ainda ser relevante o seu envolvimento em atividades coletivas, tais como aulas de dança, a prática de desporto ou a participação em campos de férias. Este tipo de atividades pode ajudar a criança a enfrentar situações novas que criam oportunidades de desenvolvimento da confiança em ambientes sociais. Para além disto, é essencial proporcionar um ambiente de apoio e de compreensão, onde a criança se sinta segura para expressar os seus medos e ansiedades. A interação com outras crianças e jovens também pode ser benéfica, ajudando a aliviar a tensão e a ansiedade e promovendo a expressão emocional. Podemos, por isso, concluir que com o apoio adequado a timidez excessiva pode ser ultrapassada, permitindo à criança desenvolver-se de forma mais confiante e integrada mais socialmente. Algumas das estratégias a serem desenvolvidas podem passar por:
- Compreender e aceitar – é importante que os pais e/ou outros cuidadores compreendam que a timidez pode ser uma característica natural, evitando rótulos como “tímido/a” ou “calado/a”, uma vez que isso pode reforçar uma perceção negativa de si próprio/a;
- Incentivar, sem forçar ou pressionar – expor a criança ou o jovem a situações sociais de forma gradual, respeitando o seu ritmo;
- Elogiar os pequenos avanços – reconhecer os esforços e as pequenas conquistas da criança ou jovem face às suas dificuldades, pode ajudar a promover a autoconfiança;
- Desenvolver competências sociais e emocionais – a aprendizagem socioemocional deve ser intencionalizada a partir do roleplay ou do treino de competências sociais em ambiente controlado, como por exemplo iniciar e/ou manter uma conversa, resolver ou gerir uma situação de conflito, treino da assertividade;
- Evitar pressões e comparações – compará-la a outras crianças ou jovens ou exigir uma atitude à criança de que ela não é capaz pode gerar, por si só, mais ansiedade.
Para além de todas estas estratégias, é importante considerar também o(s) contexto(s) em que esta timidez se manifesta e o seu grau de intensidade. Quando a timidez é muito intensa, quando está presente em vários contextos de vida da criança ou do jovem e interfere de forma significativa no funcionamento da sua vida diária, com impacto negativo na sua vida emocional, social e escolar, podemos dizer que esta dificuldade está associada a um quadro mais grave, tal como uma perturbação de ansiedade ou um quadro depressivo. Nestes casos, é crucial que possa ser providenciado um adequado apoio profissional. A situação deve ser bem avaliada de maneira a que seja proporcionada a melhor resposta. Nestes casos, a timidez pode ser um sintoma de uma condição que requer uma intervenção especializada e/ou multidisciplinar.
Esta intervenção pode, mais uma vez, incluir estratégias para melhorar a autoestima pessoal e as competências sociais da criança. Nestes casos, é imprescindível monitorizar a criança para identificar sinais de agravamento ou outros sintomas que possam indicar a necessidade de uma intervenção mais intensiva.
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