São dez os filmes nomeados, mas apenas um vai levar para casa a estatueta mais desejada desta noite. Enquanto esperamos pela cerimónia em Hollywood, os músicos Samuel Úria e António Zambujo, a argumentista Patrícia Müller, e os atores Sara Prata, Tomás Taborda e Inês Herédia entregam aqui os seus Óscares:
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"Quem desejo que se aclame como grande vencedor da noite é o Conan O’Brien"
O músico Samuel Úria gostou de muitos filmes, mas o seu preferido é "Anora", de Sean Baker
"O último ano não foi de muitas idas ao cinema, e nomeados ao Óscar não tendem a ser um critério nas minhas escolhas para entrar numa sala. Só vi metade da lista. Pese o facto de ter gostado muito mais do ‘A Complete Unknown’ do que esperava, de achar que ninguém actual filma dúvidas de Fé tão bem quanto o Villeneuve, de ter mantido o almoço no estômago a ver o 'Vertigo' trash d’’A Substância’, ou do facciosismo da Língua Portuguesa que me faria torcer pelo Salles + Fernanda Torres, “Anora” é o meu preferido. Mas quem me reúne as maiores predileções, e desejo que se aclame como grande vencedor da noite, é o Conan O’Brien."
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"Uma viagem ao mundo folk numa época, de mudanças sociais e políticas"
A atriz Sara Prata daria o Óscar a "A Complete Unknown", de James Mangold
"É definitivamente um filme forte nesta edição, mas não é apontado como o grande favorito. Ainda assim, esta é a minha escolha pelo trabalho de construção de personagem do Timothée Chalamet, que consegue levar-nos nesta viagem pela obra de Bob Dylan e, mesmo assim, permanecer no mistério em que a sua vida sempre se envolveu. Uma viagem ao mundo folk numa época, de mudanças sociais e políticas. Como biografia de carreira e vida, acaba por ser um registo sempre muito apreciado pelo público e pela academia."
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"Fala sobre resistência, sobre não esquecer o passado e sobre a importância de manter viva a memória de quem lutou"
O ator Tomás Taborda não tem dúvidas de que "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, é o melhor filme.
"O filme ‘Ainda Estou Aqui merece ganhar o Óscar de Melhor Filme porque é uma obra profundamente sensível e atual. Diferencia-se dos outros candidatos pela forma honesta e delicada como fala sobre temas universais como o luto, a memória e a luta por justiça. É um filme que emociona sem precisar de exageros, apostando na verdade dos sentimentos e das relações humanas. Além disso, a história ressoa muito com o mundo de hoje. Com a ascensão de partidos extremistas, a mensagem do filme torna-se ainda mais urgente. Fala sobre resistência, sobre não esquecer o passado e sobre a importância de manter viva a memória de quem lutou antes de nós. Isso dá ao filme um peso ainda maior, tornando-o não só numa experiência emocionante, mas também necessária. A performance de Fernanda Torres é outro grande destaque. A forma como ela dá vida à sua personagem, com uma mistura de dor, força e dignidade, é o coração do filme. A sua nomeação ao Óscar só confirma o impacto da sua atuação. Enquanto muitos filmes apostam em grandes produções ou histórias complexas, 'Ainda Estou Aqui' toca-nos pela sua simplicidade e verdade. É um filme que fica connosco, que nos faz pensar e sentir, e por isso merece ser reconhecido como o melhor do ano."
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"Como é que lidaríamos com uma nova identidade?"
A argumentista Patrícia Müller daria o Óscar a "Emilia Pérez", de Jacques Audiard
"Vi quase todos os filmes e o meu preferido é 'Emilia Pérez'. É um filme de uma originalidade brutal. É um filme muito exuberante e eu gosto de filmes exuberantes. E ao mesmo tempo com um fundo humano incrível, porque de facto levanta questões que me interessam. Um homem que muda, como ele, o que é que ele faz à vida que deixou para trás. É um problema com o qual nós todos nos podemos relacionar. Se nós mudássemos, não tem de ser mudar de género, pode ser outra mudança, como é que nós lidávamos com a nossa nova identidade? E eu, que não gosto de musicais, adoro as músicas. A atriz está genial. E acho muito original. Para mim ganhava este."
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"Espero que ganhe a querida Fernanda Torres"
O músico António Zambujo está a torcer por "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles
“De todos os filmes que estão nomeados, infelizmente só vi o ‘Ainda estou aqui’. Sem fazer previsões, desejo que ganhe o prémio de melhor filme e de melhor filme estrangeiro, ganhando também a querida Fernanda Torres o prémio de melhor atriz! Quanto ao melhor ator pelo que tenho lido, acho que o Timothée Chalamet um forte candidato.”
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"Mostra como as mulheres vivem escravas daquilo que é o ideal dos homens"
A atriz Inês Herédia escolhe "A Substância", de Coralie Fargeat
“Apesar de ainda não ter visto todos, dos que vi, aquele que mais me chamou à atenção foi 'A Substância'. É um filme que, através do humor (sádico neste caso), retrata a forma como a ‘ditadura’ da imagem tem influenciado a sociedade. Mostra como as mulheres vivem escravas daquilo que é o ideal dos homens, num ciclo interminável em que a mulher parece ter um ‘prazo de validade’ a partir do qual deixa de fazer parte. O filme está muito bem escrito, e realizado, tem excelentes interpretações da Demi Moore e da Margaret Quiley, e é muito inovador ao conseguir deixar inevitavelmente na cabeça do espectador esta repulsa à ditadura da imagem a que todos nós, uns mais do que outros, estamos reféns."