Seis sinais de que anda a dormir pouco e que lhe podem estar a passar despercebidos

14 mai, 12:00
Dificuldades de memória, de concentração e fome entre os sinais de privação de sono

De acordo com a Associação Portuguesa do Sono, a maior parte da população dorme menos de seis horas por noite com frequência e por vários motivos, sejam eles o stress, a ansiedade ou outros. Veja os sinais de que pode estar a precisar de dormir mais

Para uns, dormir é sinónimo de descanso e uma forma de revitalizar a energia necessária para enfrentar o dia seguinte. Mas, para outros, ir para a cama é sinónimo de dar voltas e voltas nos lençóis à procura de um sono que não vem, ao mesmo tempo que os ponteiros do relógio teimam em avançar noite dentro. É certo que há quem fique bem e com energia para enfrentar um novo dia com poucas horas de sono, mas, segundo os especialistas em medicina do sono, um adulto entre os 18 e os 65 anos de idade deve dormir entre sete e nove horas por noite.

Em Portugal, contudo, a realidade não é bem assim. De acordo com o presidente da Associação Portuguesa do Sono, Joaquim Moita, “a maior parte da população dorme menos de seis horas por noite" com frequência, por vários motivos, sejam eles o stress, a ansiedade ou outros. Mas a insuficiência do sono está também associada a algumas doenças, como o alzheimer ou a diabetes.

É importante, por isso, estar atento aos sinais da insuficiência ou privação de sono - que, por vezes, podem passar despercebidos.

Identificar o problema

O primeiro sinal de que está a dormir menos horas do que o recomendado é um dos que mais facilmente passam despercebidos, mas que pode dizer muito sobre o padrão de sono, e que é ter mais apetite. “Quando dormimos pouco, temos tendência a comer mais”, indica o especialista, salientando que esta relação entre poucas horas de sono e a sensação de fome se deve essencialmente a duas hormonas que controlam o apetite. São elas a leptina, a hormona da saciedade, e a grelina, a hormona da fome.

“Em situações de insuficiência de sono, verifica-se um excesso de grelina, ou seja, há um apetite maior, e, em contrapartida, um défice da leptina, o que significa que estamos menos saciados”, explica o especialista à CNN Portugal, salientando que “a desregulação destas duas hormonas é um dos fatores que dá origem ao desenvolvimento de diabetes”.

A sonolência diurna é também um "sinal de alarme" da privação do sono que não deve ser desvalorizado, de acordo com a pneumologista Mafalda van Zeller, especialista em sono, que salienta as consequências que advêm deste estado de sonolência durante o dia, nomeadamente ao nível dos acidentes do trabalho e dos acidentes de viação. A especialista refere mesmo que os estudos mais recentes em Portugal indicam que "cerca de 20% dos acidentes de viação ocorrem em contexto de sonolência".

Acordar várias vezes durante a noite com uma "sensação de sufoco" também pode estar associado a perturbações do sono. De acordo com a pneumologista, "quando as pessoas acordam mais cansadas do que se sentiam antes de se deitarem, eventualmente com dores de cabeça, isso é um sinal de um sono pouco reparador" e pode até ser um indicador de apneia do sono.

A insuficiência de sono está associada também às dificuldades de memória. De acordo com o médico Joaquim Moita, isto acontece porque “o sono noturno é muito importante para a consolidação das memórias” que fomos processando ao longo do dia. Num chamado “sono reparador”, isto é, um sono prolongado, sem micro-despertares, o cérebro, apesar de estar em modo noturno, continua a funcionar, “selecionando e guardando as memórias”. Ora, “quando tudo isto está alterado, ocorrem perturbações de memória”, diz Joaquim Moita.

Em adultos com uma idade mais avançada, estas dificuldades de memória podem assumir mesmo uma forma mais grave, nomeadamente quadros demenciais, como o Alzheimer, por exemplo.

Ainda no âmbito das alterações cognitivas, o médico Joaquim Moita destaca as dificuldades de concentração e de resolver problemas ou tomar decisões no dia-a-dia, pois são situações que exigem um certo nível de raciocínio que o cérebro não tem capacidade para assimilar quando está privado de sono.

Daí decorre um outro sinal, que é a irritabilidadeou seja, o estado de sonolência é de tal forma incómodo e impeditivo para conseguir desempenhar as atividades mais simples, que é natural que o indivíduo acabe por ficar irritado consigo próprio ou com os outros, podendo mesmo acabar por se isolar da própria família, amigos ou colegas de trabalho.

Repor os sonos ao fim de semana é uma ideia errada

É frequente que algumas pessoas que não dormem o suficiente durante a semana digam que vão "repor os sonos" durante o fim de semana, mas, de acordo com Joaquim Moita, esta é "uma ideia errada".

"Tem que ver com o funcionamento do cérebro e como as memórias são selecionadas e depois guardadas durante a noite. Este é um processo diário e, se eu não dormir bem numa determinada noite, já não vou recuperar esse sono. Por isso é que se diz que «uma noite mal dormida é uma noite perdida»", refere.

A pneumologista Mafalda van Zeller sublinha a importância da higiene do sono para uma vida saudável: "Hoje em dia sabemos que tudo o que sejam doenças do sono, além de serem frequentes na população em geral, têm impacto não só na qualidade de vida mas também na própria saúde, nomeadamente aumentando o risco de doenças cardiovasculares, de demência e doenças associadas."

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