Sono: saiba se é um ‘short sleeper’ ou um ‘long sleeper’. Afinal, quantas horas precisa de dormir?

1 jan, 23:54
As necessidades médias de sono são variáveis ao longo da vida

Embora "a maioria" da população adulta necessite de dormir entre 7 a 8 horas por dia para ter energia, há quem fique bem com poucas horas de sono e quem precise de dormir mais. O que explica esta diferença?

As necessidades médias de sono são variáveis ao longo da vida – um recém-nascido passa, pelo menos, dois terços do dia a dormir, com os especialistas a recomendarem entre 14 a 17 horas de sono por dia para esta faixa etária. Já os adultos devem dormir, em média, entre 7 a 8 horas por dia. 

Contudo, há quem fique bem e com energia para enfrentar um novo dia com poucas horas de sono, enquanto outros precisam de dormir mais para não passarem o dia num estado de sonolência. O que explica, afinal, estas diferenças?

Em declarações à CNN Portugal, o médico Tiago Sá, especialista em medicina do sono, explicou que, embora “a grande maioria” dos adultos necessite de dormir entre 7 a 8 horas para ter energia durante o dia, existe “uma pequena percentagem” da população que não precisa de tantas horas de sono para se sentir bem – são os chamados ‘short sleepers’. 

Por outro lado, há quem precise de mais do que as 8 horas recomendadas de sono para se sentir com energia para enfrentar um novo dia – neste caso, são os chamados ‘long sleepers’. Geralmente, quando estes indivíduos não conseguem dormir as horas de que necessitam ao longo da semana, acabam por compensar essas horas de sono “sempre que podem”, dormindo cerca de “12, 13 ou 14 horas seguidas” aos fins de semana, por exemplo.

Uma necessidade "determinada geneticamente"

Mas o que diferencia um short sleeper de um long sleeper? De acordo com a médica Marta Gonçalves, também especialista em medicina do sono, esta necessidade é “determinada geneticamente”, ou seja, trata-se de uma característica inata.

“Já se nasce short sleeper ou long sleeper. Não é algo que se adapte. O que pode haver depois é uma maior resistência à privação de sono, ou seja, há pessoas que aguentam mais e outras que aguentam menos, mas, geralmente, o long sleeper não aguenta tanto a privação de sono”, explicou a médica especialista, em declarações à CNN Portugal.

Com efeito, caso não consiga dormir as horas que necessita, o long sleeper fica refém dos sintomas de privação de sono, nomeadamente sonolência e dificuldades a nível cognitivo, como a concentração, atenção e memória. 

“Cada vez mais a sociedade obriga a que as pessoas fiquem privadas do sono, porque é uma sociedade que funciona durante 24 horas. As pessoas já contam com a noite para trabalhar no computador, por exemplo. Então agora com o teletrabalho vê-se muito isso, e as pessoas vão roubando tempo ao sono, mas isso, por vezes, tem consequências”, alertou Marta Gonçalves, referindo-se, por exemplo, aos acidentes de viação por sonolência, cuja “grande causa” é precisamente a privação de sono.

Por esta razão, o médico Tiago Sá frisou que “com muito mais frequência as pessoas têm tendência a achar que são ‘short sleepers’ e que precisam de poucas horas de sono, quando, na verdade, vivem em privação de sono”.

Por sua vez, a médica Isabel Luzeiro salientou o outro verso da moeda, ou seja, por vezes dormir demasiadas horas pode ser um indicador de outras patologias, nomeadamente depressão, uma situação em que o sono atua como uma “defesa” do organismo, sendo um “reflexo da exaustão física e psicológica”.

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