ANÁLISE | A China há muito rejeita ter ambições de superpotência. Mas é claro que ser vista como um grande ator no palco global - e ser tratada como igual pela América - são objetivos do líder chinês
A pompa meticulosamente encenada que recebeu Donald Trump em Pequim esta quinta-feira foi cuidadosamente calibrada para acolher um presidente norte-americano conhecido pelo gosto pelo espetáculo.
Mas, para Pequim, a imagem transmitida também tem outra vantagem: mostrar a China como uma potência em pé de igualdade com os Estados Unidos.
A China há muito rejeita ter ambições de superpotência. Mas é claro que ser vista como um grande ator no palco global - e ser tratada como igual pela América - são objetivos do líder chinês Xi Jinping.
E que melhor forma de demonstrar isso do que um presidente norte-americano chegar a Pequim ladeado por uma falange de diretores executivos das empresas mais poderosas dos Estados Unidos - muitas delas igualmente dependentes da China para o seu sucesso presente e futuro.
Foi essa a imagem que se viu esta quinta-feira, quando Xi recebeu Trump numa passadeira vermelha em frente ao Grande Salão do Povo, durante uma cerimónia de boas-vindas, enquanto uma fila de diretores executivos, incluindo Elon Musk, da Tesla, e Tim Cook, da Apple, observava a partir das escadarias do monumental edifício.
Minutos depois, sentado em frente a Xi numa longa mesa no interior do edifício, Trump reforçou essa imagem ao dizer ao líder chinês que o grupo estava ali “para prestar homenagem a si e à China”. Também elogiou Xi, classificando-o como um “grande líder”.
Para Xi, estas imagens funcionam bem junto do público interno.
Mas também ajudam a reforçar a imagem que os responsáveis chineses têm procurado projetar cada vez mais no exterior: a de que a China é um ator central no palco global — e uma alternativa de liderança a uns Estados Unidos em declínio.
