A Ucrânia reitera que quer confirmar as garantias de segurança dos EUA antes de aceitar quaisquer cedências territoriais. Os EUA, no entanto, defendem que a Ucrânia deve abdicar do Donbass para pôr fim ao conflito
Donald Trump quer obrigar Volodymyr Zelensky a aceitar um acordo de paz com a Rússia antes de se comprometer com as garantias de segurança fornecidas pelos EUA à Ucrânia, avança o Financial Times.
De acordo com o jornal norte-americano, que cita oito fontes próximas das negociações, a administração Trump quer condicionar as garantias de segurança dos EUA à aceitação prévia de um acordo de paz por parte da Ucrânia.
Os EUA comprometem-se ainda a enviar mais armamento à Ucrânia, mas só na condição de o presidente Volodymyr Zelensky aceitar retirar as tropas ucranianas da região do Donbass.
As autoridades ucranianas e europeias descrevem a postura dos EUA como uma tentativa de pressionar Kiev a fazer concessões territoriais exigidas por Moscovo, seja qual for o acordo em cima da mesa.
A Ucrânia reitera que quer confirmar as garantias de segurança dos EUA antes de aceitar quaisquer cedências territoriais. Os EUA, no entanto, defendem que a Ucrânia deve abdicar do Donbass para pôr fim ao conflito, sem fazer a mesma pressão à Rússia.
Confrontada com estas informações, Anna Kelly, vice-secretária de imprensa da Casa Branca, garante que os EUA não estão a fazer qualquer pressão sobre a Ucrânia. "Isso é totalmente falso. O único papel dos EUA no processo de paz é reunir os dois lados para chegar a um acordo."
Uma fonte próxima das negociações assegura ao Financial Times que os EUA “não estão a tentar forçar quaisquer concessões territoriais à Ucrânia”. “Os EUA disseram que as garantias de segurança dependem de ambos os lados concordarem com um acordo de paz, mas o conteúdo do acordo de paz depende da Rússia e da Ucrânia.”
No domingo, Zelensky anunciou que o acordo que detalha as garantias de segurança fornecidas pelos EUA à Ucrânia está "100% pronto", faltando apenas a retificação pelos dois países.
"O documento está 100% pronto e aguardamos a confirmação dos nossos parceiros sobre a data e o local da assinatura", declarou Volodymyr Zelensky em conferência de imprensa durante uma visita a Vilnius, capital da Lituânia.
As declarações de Zelensky surgem após a primeira reunião trilateral entre negociadores ucranianos, russos e norte-americanos, em Abu Dhabi, para discutir os planos propostos pela administração Trump para o fim do conflito, que dura há quase quatro anos.