Declarações de Trump surgem numa altura em que os EUA têm enviado tropas para a região, ao mesmo tempo que decorrem negociações indiretas com o Irão para um cessar-fogo
O presidente dos EUA, Donald Trump, assume que quer tomar o controlo do petróleo do Irão e afirma que seria "fácil" capturar a Ilha de Kharg, um pequeno ponto no Golfo Pérsico que sustenta 90% das exportações de petróleo do Irão.
“Para ser honesto, a minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irão, mas algumas pessoas estúpidas nos EUA questionam: ‘porque é que estão a fazer isso?’ Mas são pessoas estúpidas”, desvalorizou o presidente norte-americano, em entrevista ao Financial Times.
As pretensões agora assumidas pelo presidente norte-americano parecem seguir a mesma estratégia que promoveu na Venezuela, depois de Trump anunciar que quer controlar a indústria petrolífera por "tempo indeterminado" após a captura de Nicolás Maduro no início de janeiro.
Trump admite capturar a Ilha de Kharg para ficar com o petróleo iraniano, assumindo que seria "muito fácil" tomar aquela ilha situada no norte do Golfo Pérsico, ao largo da costa do Irão.
“Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, adiantou Trump ao Financial Times. “Isso também significaria que teríamos de ficar lá [na Ilha de Kharg] durante algum tempo.”
As declarações de Trump surgem numa altura em que os EUA têm enviado tropas para a região, com o Pentágono a ordenar o envio de 10 mil soldados para tomar e manter território. Segundo o Financial Times, cerca de 3.500 soldados chegaram à região na sexta-feira, incluindo aproximadamente 2.200 fuzileiros navais.
Além desses, outros 2.200 fuzileiros estão a caminho da região, enquanto milhares de soldados da 82.ª Divisão Aerotransportada também receberam ordens para se deslocaram para a região.
Na perspetiva de Trump, os EUA não precisariam de muitos recursos para tomar a ilha de Kharg, desvalorizando a defesa iraniana. "Não creio que [os iranianos] tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la com muita facilidade", assume.
Estas ameaças surgem depois de o presidente norte-americano ter anunciado, na quinta-feira, que iria prolongar a suspensão dos ataques às infraestruturas energéticas do Irão até 6 de abril, enquanto decorrem as negociações indiretas entre Washington D.C. e Teerão, mediadas pelo Paquistão.
Questionado sobre quais as perspetivas para um cessar-fogo no futuro, Trump recusou-se a adiantar detalhes específicos sobre esse ponto e destacou apenas que os EUA têm neste momento "cerca de 3 mil alvos restantes" no Irão. "Já bombardeámos 13 mil alvos", apontou, admitindo que, neste contexto, "um acordo [com o Irão] poderá ser fechado rapidamente".