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Pergunta que Trump fez a Zelensky deixou atónitos até os próprios ucranianos. Atónitos e entusiasmados

CNN , Kevin Liptak, Kylie Atwood, Kristen Holmes e Alayna Treene
15 jul 2025, 18:31
Presidente dos EUA, Donald Trump (EPA)

Trump liga a Zelensky e pergunta: consegue atacar Moscovo e São Petersburgo? Reação: espanto. Entretanto: Trump até admite enviar para Ucrânia mísseis de longo alcance que permitem atacar solo russo. Reação a isso: os ucranianos estão a levar a sério as ideias de Trump

Trump não exclui a possibilidade de enviar mísseis de longo alcance para a Ucrânia

por Kevin Liptak, Kylie Atwood, Kristen Holmes e Alayna Treene

 

Em conversas com aliados europeus nas últimas semanas, Trump não descartou a possibilidade de permitir a entrada de certas armas ofensivas na Ucrânia, incluindo produtos que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky solicitou anteriormente aos Estados Unidos mas ainda não recebeu, dizem autoridades ouvidas pela CNN.

Trump também perguntou sobre a capacidade da Ucrânia de realizar ataques nas profundezas da Rússia nas últimas semanas, num esforço para aumentar a pressão sobre o Kremlin para acabar com a guerra, de acordo com uma fonte informada sobre a conversa.

Numa recente chamada telefónica com Zelensky, Trump perguntou sobre a capacidade da Ucrânia para atingir Moscovo e São Petersburgo, disse a fonte, uma questão que foi relatada em primeira mão pelo Financial Times.

Um responsável americano e um responsável da Casa Branca disseram que a pergunta foi uma das muitas que o presidente fez sobre o conflito durante a chamada e parecia ter sido levantada de passagem.

Mas os ucranianos ficaram atónitos e levaram a sério as ideias de Trump. Zelensky disse que os ataques podiam ser efetuados se os ucranianos tivessem as armas necessárias, segundo a primeira fonte. Após a conversa, houve uma discussão entre a Ucrânia, outros países europeus e os EUA sobre sistemas de longo alcance que poderiam ser dados à Ucrânia, disse a fonte.

A Ucrânia já tem vindo a atingir Moscovo e a região de São Petersburgo com ataques de drones.

Depois de o Financial Times ter noticiado a pergunta de Trump, a Casa Branca disse que as palavras de Trump tinham sido retiradas do contexto.

"O presidente Trump estava apenas a fazer uma pergunta e não a encorajar mais mortes. Ele está a trabalhar incansavelmente para acabar com as mortes e pôr fim a esta guerra", disse a porta-voz Karoline Leavitt à CNN.

O episódio sublinha a dinâmica atual entre os dois países, uma vez que Zelensky trabalha incansavelmente para chegar aos ouvidos de Trump e não quer desperdiçar o que poderá ser um apoio e envolvimento limitados dos Estados Unidos.

Questionado sobre se os mísseis ofensivos de longo alcance estavam em discussão como parte do plano da NATO anunciado esta segunda-feira, o secretário-geral da aliança disse que o esquema poderia incluir todos os tipos de armas.

"É um plano defensivo e ofensivo, por isso inclui todos os tipos de armas. Mas ainda não discutimos em pormenor ontem com o presidente. Isto está a ser trabalhado com o Pentágono, pelo Comandante Supremo Aliado na Europa, em conjunto com os ucranianos", disse Mark Rutte após uma reunião com congressistas no Capitólio.

Na segunda-feira, o enviado de Trump para a NATO, Matt Whitaker, disse que o foco imediato no envio de armas para a Ucrânia eram os sistemas defensivos, como as baterias de mísseis Patriot. Mas não descartou a possibilidade de fornecer armas ofensivas.

“Todas as armas são tanto ofensivas quanto defensivas”, disse Whitaker. “Obviamente, um sistema de defesa aérea é importante e crítico para a situação, mas, ao mesmo tempo, não estamos a excluir nada da nossa lista.”

No final de seu mandato, o presidente Joe Biden permitiu o envio de poderosos mísseis de longo alcance do Sistema de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) para a Ucrânia para uso dentro da Rússia, embora essas armas não pudessem alcançar as duas cidades sobre as quais Trump questionou Zelensky no seu telefonema.

Trump considerou a medida “estúpida” e um “grande erro” e questionou o facto de não ter sido consultado quando se preparava para tomar posse.

A Ucrânia também solicitou anteriormente - mas ainda não recebeu - mísseis de separação ar-superfície conjuntos, ou JASSMs, que são disparados por caças F-16. Os países europeus já forneceram anteriormente esses caças à Ucrânia.

Por enquanto, porém, a prioridade parece ser a aquisição de sistemas de defesa aérea para a Ucrânia - nomeadamente, as baterias Patriot que podem intercetar os mísseis balísticos russos. Esses produtos serão os primeiros a entrar no novo canal de armas que Trump anunciou esta segunda-feira, que envolve nações europeias que compram os produtos e depois os transferem para a Ucrânia.

As armas estarão disponíveis para envio rápido a partir de stocks existentes na Europa, e serão provavelmente reforçadas por novas compras aos EUA por parte de países europeus.

"Quando se trata de munições e mísseis, vamos trabalhar a partir de agora, a cada hora, para garantir que o material chega à Ucrânia. Mas, claro, sabemos que não são apenas os Patriots", disse o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, a Jake Tapper, da CNN, na segunda-feira, citando outros sistemas utilizados para intercetar mísseis de cruzeiro como essenciais para as defesas da Ucrânia.

“Estamos realmente a discutir tudo o que os EUA ainda podem fornecer sem prejudicar a defesa dos próprios EUA”, afirmou.

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