De acordo com a Bloomberg, responsáveis governamentais rasuraram todas as "numerosas referências" a Trump nas páginas do processo
O FBI rasurou o nome do presidente dos EUA, Donald Trump, dos ficheiros relacionados com os crimes sexuais do financiador Jeffrey Epstein, avança a Bloomberg, que cita três fontes anónimas com conhecimento do processo e não autorizadas a falar com a comunicação social.
De acordo com o canal americano, cerca de mil agentes do FBI consultaram, desde março, sob ordens do diretor Kash Patel, todos os ficheiros relacionados com o processo, e identificaram “numerosas referências” a Donald Trump entre os cerca de 100 mil documentos.
Após a identificação, responsáveis governamentais, com base nas exceções estabelecidas no Freedom of Information Act (FOIA), uma lei federal que permite que permite o acesso a registos federais, rasuraram todas as referências a Trump nas páginas do processo.
Segundo a Bloomberg, os responsáveis aplicaram a Exceção 6, que protege os cidadãos de “uma invasão claramente injustificada da privacidade pessoal”, e a Exceção 7(C), segundo a qual a divulgação de uma informação pessoal "pode razoavelmente constituir uma invasão injustificada da privacidade pessoal". O que isto quer dizer é, essencialmente, o FBI rasurou o nome de Donald Trump para proteger a sua privacidade.
Nem a Casa Branca nem o FBI responderam aos pedidos de resposta da Bloomberg.
O caso
A confirmação pelo FBI e o Departamento de Justiça (DOJ), no início de julho, de que não havia provas da existência de uma "lista de clientes" chantageados por Epstein, e que a morte do pedófilo numa prisão federal em 2019 resultou de suicídio, levou a uma crise entre os membros do movimento MAGA ("Make America Great Again", "Tornar a América Grande de Novo") de Donald Trump.
Sob pressão de segmentos conspiracionistas da sua base política para divulgar mais informações sobre o caso Epstein, Trump negou o conhecimento ou o envolvimento nos crimes de Epstein e disse que terminou a amizade há anos.
Posteriormente, o WSJ publicou que Trump fora informado em maio por funcionários do DOJ que o seu nome aparece "várias vezes" nos arquivos do caso contra o pedófilo Jeffrey Epstein.
Na "reunião informativa de rotina", onde este não era o tema central, Bondi e a sua equipa terão informado Trump de que os ficheiros continham o que consideravam "rumores não verificados sobre muitas pessoas, incluindo Trump, que tiveram contacto com Epstein no passado", refere o jornal.
De acordo com o WSJ, uma das fontes com conhecimento dos documentos afirmou que estes "incluem centenas de outros nomes".
Trump negou na semana passada que tivesse sido informado sobre a presença do seu nome nos arquivos.
Na terça-feira, o advogado de Ghislaine Maxwell apresentou nova argumentação escrita em apoio do recurso da sua cliente para o Supremo Tribunal, procurando rejeitar as acusações que levaram à sua condenação em 2022 a 20 anos de prisão por tráfico sexual.
Critica especificamente o Departamento de Justiça por se opor a este recurso ao tentar "criar uma distração com uma recitação escabrosa e irrelevante das ações de Jeffrey Epstein".
"Este caso é sobre o que o Governo prometeu, não sobre o que Epstein fez", enfatizou.
A 14 de julho, o Departamento de Justiça opôs-se veementemente a este recurso.
Mas, desde então, mudou de tom em relação a Maxwell e na semana passada o procurador-geral adjunto Todd Blanche deslocou-se a Tallahassee, na Florida, para a interrogar durante um dia e meio.