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Durante anos, Trump alimentou teorias da conspiração. Agora, as teorias da conspiração estão a virar-se contra ele

CNN , Aaron Blake
22 abr, 19:58
Donald Trump (Getty)

ANÁLISE || Umas das teorias em causa refere que há algo de suspeito na tentativa de assassínio de Trump em 2024, sugerindo que pode ter sido encenada. Outra é que os EUA só estão em guerra com o Irão porque Israel controla Trump. E depois há talvez a teoria mais subestimada - e que está a ganhar alguma força: a de que Trump pode ser o anticristo

Talvez nenhum político contemporâneo tenha feito mais para popularizar as teorias da conspiração do que o presidente Donald Trump

Depois de ter efetivamente lançado a sua carreira na política republicana com falsas alegações sobre o local de nascimento do então presidente Barack Obama, Trump passou uma década a lançar todo o tipo de teorias descabidas sobre a eleição de 2020 "roubada", migrantes haitianos a comerem animais de estimação das pessoas e coisas do género. Também cultivou aliados que o ajudaram a promover essas teorias, muitas vezes convencendo grande parte dos seus apoiantes.

Mas o monstro que Trump ajudou a criar pode agora estar a vir atrás dele.

Embora relativamente poucos aliados de alto perfil de Trump se tenham voltado contra ele devido à guerra com o Irão e outras questões, aqueles que mudaram de lado tendem a provir, de forma desproporcional, das fileiras mais conspirativas dos seguidores de Trump. Estamos a falar de pessoas como Marjorie Taylor Greene, Tucker Carlson e vários outros influenciadores.

Recentemente, têm vindo a alimentar cada vez mais as suas audiências com teorias da conspiração anti-Trump.

Uma que ganhou força recentemente é a de que há algo de suspeito na tentativa de assassínio de Trump em 2024, em Butler, Pensilvânia — sugerindo que poderia ter sido encenada. Outras teorias postulam que o presidente está em dívida para com Israel ou mesmo "comprometido" de alguma outra forma; que a lealdade de Trump e da sua administração aos republicanos é suspeita; e até que ele poderia ser o anticristo.

Não há provas concretas de qualquer irregularidade, claro. Mas algumas destas teorias parecem estar a ganhar alguma força nas redes sociais, pelo menos aí, e isso é preocupante para Trump.

As teorias sobre Butler são, de longe, as mais difundidas neste momento – embora sejam frequentemente apresentadas sob o pretexto de "apenas fazer perguntas" (uma tática que Trump já utilizou pessoalmente no passado).

Joe Kent, que recentemente se demitiu do cargo de alto funcionário antiterrorismo da administração Trump, citando a guerra com o Irão, afirmou a Carlson que as investigações sobre Butler foram, de forma suspeita, abafadas.

Greene, a ex-congressista republicana da Geórgia, disse numa publicação nas redes sociais no domingo que não estava a chamar "farsa" a Butler, antes de acrescentar "mas há muitas perguntas que merecem respostas públicas".

O podcaster Joe Rogan tem ocasionalmente aludido a tais questões e o colega podcaster Tim Dillon chegou recentemente ao ponto de afirmar: "Acho que talvez tenha sido encenado".

Entretanto, Carlson e Candace Owens relacionaram estas questões com um interveniente em muitas dessas teorias da conspiração: Israel (ambos têm-se centrado extensivamente em Israel nos seus comentários e enfrentado frequentes acusações de antissemitismo). Carlson sugeriu que Kent podia ter razão ao afirmar que a falta de uma investigação mais aprofundada sobre Butler demonstra a influência de Israel sobre o governo americano.

O alegado atacante, Thomas Matthew Crooks, deixou poucos vestígios documentais. No entanto, responsáveis do FBI, tanto durante a administração Trump como na do ex-presidente Joe Biden, concluíram que Crooks agiu sozinho.

Outras teorias semelhantes envolveram, como era de esperar, Israel, especialmente a ideia de que Trump está comprometido ou em dívida para com o Estado judeu.

No início deste mês, Carlson comparou subtilmente Trump a um escravo, numa entrevista à Newsmax, dizendo: "Tenho pena dele, tal como tenho de todos os escravos. Ele não é livre neste momento".

E num novo programa esta semana, outro antigo podcaster apoiante de Trump, Theo Von, sugeriu que uma explicação lógica para a guerra com o Irão era que Trump estava nas mãos de Israel.

"Não compreendo", disse Von. "Então, sim, é isso que o nosso presidente está a fazer, e é desconcertante para c******. E é doentio, e parece que ele foi simplesmente comprometido por Israel, por este governo obscuro de lá. E não sei. É obscuro. É obscuro."

O supremacista branco e nacionalista Nick Fuentes detalhou uma elaborada teoria da conspiração na qual JD Vance foi efetivamente nomeado vice-presidente para servir de ferramenta a forças poderosas na indústria tecnológica.

E os comentários de Fuentes foram partilhados na sexta-feira pela ex-candidata vice-presidencial do Partido Republicano Sarah Palin — embora Palin insista que a sua intenção era apenas destacar um elogio ao papel dele no movimento Tea Party (Palin não se virou contra Trump, embora recentemente o tenha criticado em algumas frentes).

A decisão de Trump de aparecer no programa repleto de teorias da conspiração de Alex Jones, no final de 2015, foi, em retrospetiva, uma importante declaração de intenções no que diz respeito ao desejo de Trump se aliar a teóricos da conspiração. Mas Jones está agora a usar essas teorias contra Trump depois de ter rompido com ele por causa do Irão, incluindo acusar Trump, na segunda-feira, de tentar ajudar os democratas a tomarem conta da sua plataforma InfoWars (o The Onion, um site de notícias satíricas que está a tentar tomar conta do InfoWars, não é controlado pelo Partido Democrata).

E depois há talvez a teoria mais subestimada - e que está a ganhar alguma força: a de que Trump pode ser o anticristo. Na teologia cristã, o anticristo é uma figura que aparece antes da segunda vinda de Jesus para enganar as pessoas e personifica um falso salvador.

Esta foi uma teoria que Carlson insinuou recentemente no meio da sua grande rutura com Trump. E a revista Wired descobriu que alguns apoiantes de Trump com um número significativo de seguidores estão a começar a fazer perguntas sobre o assunto.

Resta saber o que será dessas teorias na direita. Pode ser que alguns céticos repentinos de Trump estejam apenas a falar por falar e que tudo acabe por se acalmar.

Mas não é difícil ver alguns deles a ganharem força, especialmente tendo em conta que as teorias envolvem um culpado familiar (Israel) e um conjunto familiar de circunstâncias que muitas vezes dão origem a tais teorias (uma tentativa de assassínio).

As pessoas que têm como alvo Trump têm-se revelado bastante bem-sucedidas na divulgação dessas teorias no passado, incluindo Jones, Owens e Carlson. E as teorias também estão a ganhar algum terreno entre um grupo de podcasters — pessoas como Dillon e Von — que foram valiosos apoiantes de Trump, em parte porque se dirigiam a pessoas menos envolvidas politicamente e talvez mais facilmente influenciáveis.

Os líderes do Partido Republicano têm, em grande parte, ficado de braços cruzados nos últimos meses, à medida que os sentimentos anti-Israel e antissemitas têm vindo a aumentar nas suas fileiras, especialmente entre os republicanos mais jovens. E têm, na sua maioria, tentado ignorar as teorias da conspiração em expansão sobre o assassínio de Charlie Kirk, que têm sido promovidas com maior veemência por Owens.

Mas talvez desejassem ter reagido com mais firmeza, dado que essas sensibilidades podem agora alimentar teorias da conspiração envolvendo Trump — com a ajuda de alguns aliados recentemente afastados.

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