Factos Primeiro: três falsidades no discurso inaugural de Trump

CNN
20 jan 2025, 19:00
Primeiro discurso de Donald Trump como presidente dos EUA (EPA)

Análise da redação da CNN ao discurso na segunda tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos

O Presidente Donald Trump cingiu-se sobretudo a grandes generalidades e promessas de ação durante o seu segundo discurso de tomada de posse, fazendo muito menos afirmações verificáveis do que do que faz normalmente nos seus discursos.

Mas Trump fez um punhado de afirmações inexactas. Eis uma verificação dos factos.

 

Taxas de inflação: Trump afirmou falsamente que os EUA registaram uma “inflação recorde” durante a administração Biden. Trump poderia dizer que a taxa de inflação dos EUA atingiu o valor mais alto em 40 anos em junho de 2022, quando se registou uma taxa de 9,1%, mas isso não foi nem de perto o recorde histórico de 23,7%, estabelecido em 1920. (E a taxa afundou desde então. A taxa de inflação mais recente disponível na altura em que Trump falou aqui era de 2,9% em dezembro).

Por Alicia Wallace e Daniel Dale, da CNN

 

Tarifas: Trump disse: “Em vez de taxar os nossos cidadãos para enriquecer outros países, vamos cobrar tarifas e impostos aos países estrangeiros para enriquecer os nossos cidadãos”. Mas esta descrição das tarifas é falsa. As tarifas impostas pelo governo dos EUA são pagas pelos importadores norte-americanos, não por países estrangeiros, e é fácil encontrar exemplos específicos de empresas que transferiram o custo das tarifas para os consumidores americanos. Estudo após estudo, incluindo um da Comissão bipartidária do governo federal, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA, concluiu que os americanos suportaram quase todo o aumento dos direitos aduaneiros de Trump sobre os produtos chineses no seu primeiro mandato.

Além disso, Trump mencionou a criação de um novo “Serviço de Receitas Externas” para cobrar as receitas dos direitos aduaneiros sobre as importações, um plano que já mencionou anteriormente. Mais uma vez, são os importadores norte-americanos, e não os exportadores estrangeiros, que pagam os direitos aduaneiros sobre os bens importados - e, muitas vezes, transfere parte ou a totalidade desses custos para os consumidores americanos.

Por Bryan Mena e Daniel Dale, da CNN

 

Prisões e instituições mentais: Trump apresentou uma versão mais suave do seu discurso habitual de que governos estrangeiros estão deliberadamente a esvaziar prisões e instituições mentais para enviar pessoas para os EUA como migrantes. Desta vez, omitiu a parte sobre governos estrangeiros maliciosos e afirmou que a administração Biden “dá santuário e proteção a criminosos perigosos, muitos deles vindos de prisões e instituições mentais, que entraram ilegalmente no nosso país vindos de todo o mundo”.

Trump e a sua campanha presidencial nunca corroboraram a afirmação de que “muitos” migrantes da era Biden vieram de prisões ou instituições mentais, embora seja embora seja possível que alguns imigrantes tenham passado algum tempo nessas instalações. E Aacampanha de Trump não conseguiu comprovar as suas histórias sobre países estrangeiros abrirem essas instalações para fins de migração.

O presidente dos EUA tem por vezes tentado apoiar a sua narrativa afirmando que a população prisional mundial está a diminuir. Mas isso é incorreto. A população prisional mundial registada aumentou de outubro de 2021 a abril de 2024, de cerca de 10,77 milhões de pessoas para cerca de 10,99 milhões de pessoas, de acordo com a Lista da População Prisional Mundial compilada por especialistas do Reino Unido.

“Eu faço uma pesquisa diária nas notícias para ver o que se passa nas prisões de todo o mundo e não vi absolutamente nenhuma evidência de que algum país esteja a esvaziar as suas prisões e e a enviá-los todos para os EUA”, afirmou Helen Fair, coautora da lista da população prisional e investigadora do Institute for Crime & Justice Policy Research at Birkbeck, University of London, em junho.

Por Daniel Dale, da CNN

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