Acabaram-se as pistolas de massagens e as capas de telemóveis a preços de saldo: Shein e Temu também foram apanhadas na onda Trump

3 abr 2025, 18:51
As compras online vieram para ficar (Pexels)

A Shein e a Temu também não escapam à nova ofensiva comercial de Donald Trump. O presidente norte-americano acaba de fechar uma das maiores brechas do comércio global, impondo uma taxa sobre pacotes que até agora chegavam aos EUA livres de impostos. A medida, que entra em vigor já em maio, atinge em cheio as gigantes chinesas do fast fashion e pode encarecer as compras dos consumidores americanos

O paraíso das compras baratas pode estar com os dias contados. Donald Trump declarou guerra às importações da China, fechando uma das maiores brechas que permitia a plataformas como a Shein e a Temu inundarem o mercado norte-americano com produtos a preços imbatíveis.

A partir de 2 de maio, todas as encomendas provenientes da China, mesmo aquelas cujo valor não ultrapasse os 800 dólares (cerca de 724 euros), vão ser taxadas em 30% do valor declarado ou no mínimo 25 dólares (cerca de 22 euros). E a conta pode subir ainda mais: a partir de junho, a taxa mínima aumenta para 50 dólares (cerca de 45 euros) por pacote.

A Shein e a Temu aproveitaram ao máximo esta isenção fiscal, enviando milhões de pacotes diretamente para os consumidores americanos. Só em 2023, os EUA importaram 66 mil milhões de dólares (cerca de 59 mil milhões de euros) de produtos sob este regime, um salto impressionante em relação aos 5,3 mil milhões (cerca de 4 mil milhões de euros) de 2018.

As aplicações vendem produtos para todos os gostos, tamanhos e necessidades. Abrindo o site da Temu, percebe-se que os produtos preferidos dos consumidores incluem liquidificadoras portáteis, máscaras de terapia LED, mini impressoras, pistolas de massagem, capas para telemóveis, vaporizadores de roupa, mealheiros e smartwatches. Já na Shein, os produtos mais procurados são roupa e maquilhagem.

Agora, com a nova taxa, as gigantes chinesas podem ser forçadas a reavaliar a sua estratégia - e, inevitavelmente, os consumidores poderão pagar mais pelas suas compras. A era das encomendas baratas pode estar com os dias contados.

A justificação oficial para esta medida não faz referência direta ao comércio online, mas sim ao combate ao tráfico de fentanil, uma droga sintética mortal, que, segundo o presidente, está a devastar os EUA. Donald Trump alegou que grupos criminosos aproveitam os pequenos pacotes para contrabandear substâncias ilícitas da China para os EUA.

No entanto, nos bastidores, a medida é vista por muitos como mais um capítulo na guerra comercial entre Washington, DC e Pequim. A administração de Joe Biden já tinha tentado limitar a isenção para mercadorias estratégicas, mas Trump foi mais longe, taxando todas as encomendas da China e de Hong Kong, sem exceção.

O impacto desta medida pode ser considerável não só para as empresas chinesas, mas também para os consumidores americanos. Segundo o Cato Institute, o fim da isenção pode custar aos Estados Unidos entre 11 e 13 mil milhões de dólares (cerca de 9 a 11 mil milhões de euros) por ano, o que se traduz em 35 a 80 dólares (cerca de 31 a 72 euros) a mais por pessoa.

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