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Miguel Sousa Tavares avisa a Europa: Trump não é um aliado, "é o nosso maior inimigo”

2 jul, 22:30
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Na 5.ª Coluna, o espaço de comentário de Sousa Tavares no Jornal Nacional, o comentador falou ainda do Mundial, das fugas ao segredo de justiça, dos acessos às praias e dos Estados Unidos às portas do 4 de Julho

Miguel Sousa Tavares começou pela Seleção Nacional e pelo jogo de Portugal no Mundial. Perante as imagens de portugueses nas ruas de Toronto, disse esperar que os jogadores se sintam “obrigados a lutar por esta gente”. Mas não escondeu reservas.

“Não tenho grande fé nem esperança nem caridade”, afirmou, antes de pedir uma equipa “sem medo de jogar”, “sem medo de atacar” e “sem medo de pôr as suas cartas todas em jogo”.

Para o comentador, Portugal tem deixado uma imagem curta na primeira fase da competição.

A mudança de equipamento, disse, já pode ser “uma boa pronúncia”, depois de criticar o vermelho usado pela Seleção, que comparou a “vinho de cascão”.

Ainda assim, Miguel Sousa Tavares admitiu estar surpreendido com o Mundial. Tem visto menos jogos do que o habitual, mas encontrou estádios cheios, “grande fair play”, boas arbitragens e alguns dos grandes jogadores a aparecerem.

O comentário passou depois para a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa que deu razão a José Sócrates e obrigou o Estado a pagar uma indemnização de 15 mil euros por violação do segredo de justiça. Para Miguel Sousa Tavares, o valor não é o essencial. O que conta é “o precedente que se abre”.

E recusou a ideia de que o antigo primeiro-ministro tenha usado um expediente. “Não é um buraco, é lei”, disse. “Ele usou a lei como é seu direito legítimo.”

Miguel Sousa Tavares defendeu que o segredo de justiça existe para proteger a investigação, mas também o bom nome e a presunção de inocência dos arguidos. Criticou aquilo que considera ser uma impunidade persistente nas fugas de informação e lembrou que, quando uma suspeita chega à opinião pública, muitas vezes fica mesmo que o processo acabe arquivado.

Sobre o processo Marquês, voltou a criticar manobras dilatórias de José Sócrates, mas disse não ter dúvidas de que o caso foi “conduzido, desde o princípio, muito mal pelo Ministério Público e pelos juízes de instrução”.

No tema das praias, o comentador falou de uma “moda” que diz estar a crescer na Margem Sul, da Arrábida à zona entre Tróia e Melides. Referiu litígios sobre praias junto à Herdade da Comenda, caminhos públicos fechados e empreendimentos que dificultam o acesso ao areal.

“São vários truques para privatizarem as praias”, afirmou, dizendo que há anúncios internacionais a vender urbanizações com “praia privada”.

Miguel Sousa Tavares alargou o problema ao interior do país, onde, disse, também há caminhos públicos cortados e acessos à água bloqueados por proprietários. Defendeu que têm de agir “todos”: Governo, oposição e imprensa.

E criticou a diferença entre a pressa em resolver a disputa dos guarda-sóis nas zonas concessionadas e a lentidão em garantir o acesso público às praias.

No final, Miguel Sousa Tavares olhou para os Estados Unidos, a dois dias do 4 de Julho. Recordou a América que “resgatou a Europa duas vezes” nas guerras mundiais, mas também a América da guerra do Vietname e do golpe de Estado no Chile. “Para o bem e para o mal, a América é um grande país”, disse.

O que, no seu entender, mudou com Donald Trump foi a chegada a um extremo “tão mau” como nunca se tinha visto.

Para Miguel Sousa Tavares, Trump “está a subverter tudo”: a Constituição americana, princípios essenciais da política externa e a imagem internacional dos Estados Unidos.

Falando da Europa, disse que o continente ainda não aceitou a evidência de quem tem pela frente. “É, neste momento, o maior destabilizador mundial e também o maior inimigo da Europa”, afirmou.

O resultado, concluiu, é a destruição do “goodwill” americano, a imagem de país das liberdades, o “Land of the Free” que durante décadas marcou a forma como o mundo olhou para os Estados Unidos.

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