No seu espaço de comentário "Global", Paulo Portas descreveu a "semana horribilis" de Donald Trump. O comentador sublinhou que o presidente dos Estados Unidos enfrentou três reveses críticos no mesmo dia em que o Supremo Tribunal, de maioria conservadora, declarou as tarifas alfandegárias como inconstitucionais.
Para Portas, a decisão judicial é um marco na separação de poderes. "O que o Supremo Tribunal veio dizer é que as tarifas são impostos e não há na democracia americana a possibilidade de lançar impostos sem ser pelo Parlamento, e Donald Trump não quis ir ao Parlamento", explicou. O comentador reforçou que os juízes "deixaram absolutamente claro que o presidente não pode fazer tudo" e que existem limites claros ao poder na Casa Branca.
A este cenário jurídico somaram-se indicadores económicos que fragilizam a narrativa oficial. Os números do PIB de 2025 revelaram um desempenho que sai prejudicado na comparação com o último ano da administração de Joe Biden. Além disso, o défice comercial cresceu 2,4% em relação ao ano anterior, contrariando a promessa de Trump de que as taxas alfandegárias seriam suficientes para travar esse desequilíbrio.
No plano internacional, Paulo Portas abordou o "terramoto" na monarquia britânica após a detenção do Príncipe André. O irmão do Rei Carlos III está sob investigação devido às suas ligações a Jeffrey Epstein, podendo enfrentar um processo por "comportamento indevido de um agente do Estado".
O comentador classifica esta acusação como a "indiferença voluntária entre o que está certo e o que está errado". Segundo Portas, o príncipe terá conscientemente passado ou vendido documentos dos serviços secretos ingleses a terceiros enquanto exercia funções de representante comercial do Reino Unido.
Este crime prevê uma pena máxima de prisão perpétua. Portas destacou a postura de Carlos III, afirmando que o monarca "demonstrou que é um servidor do Estado com elevação e clareza absoluta". O comentador notou ainda que, se a Rainha Isabel II fosse viva, "teria um enorme sofrimento", dado que André seria, alegadamente, o seu filho favorito.
Quanto à política interna, Portas analisou a mudança no Ministério da Administração Interna, considerando que o primeiro-ministro poderá ter acertado à terceira tentativa. Embora reconheça o valor das ministras anteriores, o comentador apontou que as juristas tinham "dificuldades de comunicação", algo que considera incompatível com a pasta.
"O Ministério da Administração Interna não pode ter titulares com dificuldades de comunicação", defendeu. Para o comentador, o novo titular tem três argumentos fortes a seu favor, sendo o primeiro o facto de ser um "primeiro polícia" a assumir o cargo.
Portas descreve o novo ministro como um operacional de uma força que é "simultaneamente respeitada e temida". Pela sua experiência e capacidade de organização, o comentador acredita que o novo governante terá o conhecimento necessário para vencer as resistências e "ciumeiras" entre as diferentes corporações policiais.