No aniversário de 80 anos, Trump recorre ao UFC para recuperar a imagem de "macho"

CNN , Análise de Aaron Blake
14 jun, 15:52
Trump
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em março que a CIA lhe tinha dito que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, poderia ser homossexual.

A Casa Branca de Trump e os seus aliados também sugeriram recentemente que um importante candidato democrata ao Senado, James Talarico, seria transgénero e vegan (nenhuma das afirmações é verdadeira).

Na perspetiva de Trump e dos seus aliados, essas caracterizações parecem reforçar a sua masculinidade à custa da dos outros.

E, caso alguém não tenha percebido o contraste que Trump tenta estabelecer, o combate de UFC de domingo nos jardins da Casa Branca deixa isso claro.

O presidente está a celebrar o seu 80.º aniversário com uma exibição ostensiva de masculinidade, na qual homens participarão em combates corpo a corpo dentro de uma jaula instalada em propriedade da Casa Branca.

Mas esta festa de aniversário violenta - oficialmente associada ao 250.º aniversário dos Estados Unidos - também esconde uma realidade cada vez menos favorável no seu segundo mandato: mesmo enquanto o presidente procura reforçar a sua imagem de homem forte, os americanos já não o veem tanto como o símbolo dominador de força que ele quer projetar.

E a questão passa a ser: o que acontece quando um homem cuja marca está tão ligada à força perde essa perceção pública?

A masculinidade sempre foi central para o apelo político de Trump. É um homem que literalmente usa a música "Macho Man" nos seus eventos.

Mas tornou-se ainda mais central nos últimos anos.

Trump procurou definir-se pela sobrevivência a uma tentativa de assassinato em Butler, após a qual se levantou, com a orelha ensanguentada, ergueu o punho e disse: “Luta. Luta. Luta.”

Trump venceu as eleições de 2024 em grande parte por ter ampliado o seu apelo junto dos homens mais jovens, aproximando-se de influenciadores como Joe Rogan, populares nesse segmento. O voto masculino jovem deslocou-se 15 pontos em direção a Trump face a 2020.

E o segundo mandato de Trump tem sido fortemente marcado por demonstrações de força.

Rebatizou o Departamento da Defesa como “Departamento da Guerra” - ainda que sem valor legal - e avançou depois com ameaças a mais de uma dezena de países, ataques a sete deles, o afastamento de dois líderes estrangeiros e uma guerra com o Irão.

A sua administração matou mais de 200 pessoas em embarcações que diz estarem ligadas ao tráfico de droga, sem revisão judicial nem grande transparência. Esses ataques podem constituir crimes de guerra, hipótese com que também terá flertado durante o conflito com o Irão.

Trump concretizou finalmente o desfile militar que há muito desejava. Procura construir um enorme “arco triunfal” em Washington. Intensificou a retórica anti-transgénero e tem falado cada vez mais de forma condescendente para jornalistas mulheres.

Mas também tem tido dificuldades em manter a imagem de homem forte.

Embora tenha criticado adversários por terem “baixa energia”, reduziu drasticamente as deslocações dentro do país e aparenta estar significativamente mais envelhecido do que há uma década. (A Casa Branca tende a acelerar o envelhecimento.) Apesar de ter apelidado Joe Biden de “Sleepy Joe”, Trump foi várias vezes visto a aparentar adormecer em eventos públicos. Parece apoiar-se num conjunto cada vez mais reduzido de temas recorrentes, e as suas intervenções públicas são frequentemente confusas.

E, à medida que a sua popularidade caiu para novos mínimos devido à guerra, à inflação persistente e ao pessimismo económico, os americanos deixaram de o ver como uma figura tão forte.

Sondagens recentes do Washington Post-ABC News e da Reuters-Ipsos mostram que pelo menos 53% dos americanos dizem que Trump não é um líder forte. Os seus números nesta área só foram piores numa única sondagem Post-ABC em 2017.

Numa sondagem da CNN em janeiro, 58% disseram que Trump não era um “líder mundial eficaz” — acima dos 51% registados em 2023.

Outra sondagem Reuters-Ipsos, de março, mostrou:

  • 61% disseram que Trump está “demasiado velho para trabalhar no governo”.

  • Os americanos disseram, por 53%-41%, que Trump “não consegue suportar o desgaste físico de ser presidente”.

  • Outros 61% afirmaram que Trump “se tornou errático com a idade”.

Esta última sondagem surge num contexto de outros sinais de que os americanos questionam cada vez mais a acuidade mental do presidente.

Ao mesmo tempo, as sondagens mostram que os americanos confiam cada vez menos no julgamento do presidente em temas como o Irão ou na sua capacidade para continuar a gerir o governo federal.

Houve uma fase da carreira política nacional de Trump em que as pessoas podiam não gostar dele ou das suas prioridades, mas geralmente não punham em causa a sua força enquanto líder. Essa característica ajudou bastante a explicar a sua vitória sobre Kamala Harris em 2024. Embora os americanos parecessem gostar mais de Harris e a considerassem uma figura mais moral por larga margem, segundo sondagens da Gallup, viam Trump como um líder mais forte e decisivo.

A sua reputação de “homem dos homens” e empresário implacável foi construída ao longo de décadas através de uma gestão muito cuidada da sua imagem pública.

Mas chega um ponto em que, quando os americanos perdem confiança nos resultados, começam também a reavaliar as características pessoais que atribuíam ao líder.

E, à medida que Trump entra na década dos 80 e vê a sua presidência deteriorar-se, existe o risco de eventos como o combate de UFC de domingo parecerem uma tentativa de compensação excessiva.

Como ilustração: uma sondagem divulgada na semana passada mostrou que apenas 16% dos americanos consideravam apropriado realizar combates de artes marciais mistas nos jardins da Casa Branca. Outros 46% consideraram a ideia inadequada.

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