"Em breve teremos grandeza outra vez". Trump responde aos rumores sobre uma possível recandidatura à presidência dos Estados Unidos

Agência Lusa , CV
9 ago, 19:59
Donald Trump

“Em breve, teremos grandeza outra vez”, afirma um vídeo que Trump colocou na sua rede social

Horas depois de revelar que o FBI realizou buscas na sua residência em Mar-a-Lago, Florida, Donald Trump publicou um vídeo de campanha na sua rede Truth Social, avivando rumores de que se prepara para anunciar a recandidatura à presidência. 

O vídeo, com a duração de quase quatro minutos, começa a preto e branco com sons de trovoada e a voz do ex-presidente a anunciar que a América é “uma nação em declínio”. 

Trump elenca o que diz serem os problemas e falhanços do país e o vídeo passa depois a cores, com uma mensagem de otimismo porque “em breve, teremos grandeza outra vez”.

Os rumores de que Donald Trump quer anunciar a recandidatura presidencial às eleições de 2024 circulam há várias semanas e foram reavivados com este vídeo, publicado esta terça-feira na sequência de buscas que indiciam uma investigação criminal ao ex-presidente. 

Falando no sábado no fórum conservador CPAC sobre uma possível candidatura em 2024, Trump disse que "talvez seja necessário fazê-lo", apresentando-se como alvo de "perseguição" por parte dos democratas.

"Se eu ficasse em casa, a perseguição a Donald Trump pararia imediatamente, mas não posso fazer isso porque amo meu país e amo as pessoas", disse ele.

"O regresso da América começa em novembro e continuará com o impulso imparável que desenvolveremos em novembro de 2024”, disse ainda no discurso de quase duas horas.

As buscas do FBI e uma possível acusação

Reagindo às buscas ao potencial candidato republicano, o ex-procurador federal Dennis Aftergut defendeu esta terça-feira na NBC News que as ações do Departamento de Justiça contra Trump “só vão olear” as suas ambições presidenciais. 

“Trump pode acreditar que uma acusação vai ajudar o seu perfil político, promovendo o duradouro tema de campanha de que ele é um mártir ofendido”, considerou Aftergut. 

O ex-procurador também sublinhou que mesmo que Trump seja acusado e condenado de um crime, tal não acontecerá muito antes de novembro de 2024 e isso dar-lhe-á espaço para dizer que irá recorrer do veredicto e pode continuar na corrida. 

O cientista político Jeffrey Cummins disse recentemente à Lusa que a investigação e acusação de um potencial presidente é território desconhecido na história americana. 

“Não é claro o que acontecerá se houver um processo criminal e Trump ganhar as eleições. Nunca tivemos uma situação dessas”, afirmou. 

Os acontecimentos em Mar-a-Lago provocaram uma reação inflamada por parte de comentadores conservadores e apoiantes de Donald Trump, alguns dos quais falaram em “guerra” e “guerra civil”. Foi o caso do supremacista branco Nicholas J. Fuentes, do website The Gateway Pundit e do comentador Steven Crowder. 

As buscas do FBI, segundo fontes citadas por vários meios de comunicação e confirmadas pelo filho Eric Trump, estão relacionadas com os documentos classificados que Donald Trump retirou da Casa Branca e levou para a sua residência em Mar-a-Lago sem autorização, o que constitui um crime. 

A secção 18/2071 do código penal norte-americano proíbe a ocultação, remoção, mutilação, obliteração ou destruição de documentos que são propriedade do governo dos Estados Unidos. A pena pode ir de uma multa a três anos de prisão e, se condenado, o acusado deixa de poder exercer cargos oficiais. 

Em janeiro, o Arquivo Nacional descobriu que Trump tinha levado para casa 15 caixas de documentos, incluindo itens com informação classificada de segurança nacional, e informou o Congresso desse facto. 

O mandado de busca do FBI teria de ter sido autorizado pela cúpula do Departamento de Justiça e assinado por um juiz federal, na presença de fortes indícios de que um crime estaria a ser cometido. 

Com a possível recandidatura de Trump à presidência a pairar, o Departamento de Justiça liderado por Merrick Garland está a ser acusado por Trump e pelo partido republicano de politizar a justiça e usá-la como arma contra adversários políticos. 

O líder minoritário da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, prometeu investigar Garland e o Departamento se os republicanos retomarem o controlo nas eleições intercalares de novembro, tal como se prevê de acordo com as sondagens. 

Mas o ex-procurador federal Brian Jacobs disse à rádio NPR que o calendário político não pode suspender ou acelerar investigações criminais.

“Penso que os procuradores no Departamento de Justiça sabem que não pode selecionar o momento das etapas investigativas ou acusações criminais com o propósito de influenciar qualquer eleição”. 

E.U.A.

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