Donald Trump processa governo dos EUA pelas buscas na sua propriedade de Mar-a-Lago

23 ago, 06:55
Donald Trump

Antigo presidente quer que seja um juiz ou antigo advogado apontado pelo tribunal a rever a documentação apreendida pelo FBI na sua propriedade. Segundo o New York Times, Trump teria na sua posse cerca de 300 documentos classificados levados indevidamente da Casa Branca

O antigo presidente norte-americano Donald Trump avançou com um processo contra o governo dos Estados Unidos, a propósito das buscas feitas pelo FBI na sua propriedade de Mar-a-Lago, procurando impedir temporariamente as autoridades de lerem os documentos apreendidos até que um responsável especial possa ser apontado pelo tribunal para rever esta documentação.

Segundo o The New York Times, Trump teria mais de 300 documentos classificados na sua posse depois de deixar a presidência, metade dos quais já foram recuperados no passado mês de janeiro pelos Arquivos Nacionais dos EUA. Dada a quantidade de material secreto na posse do ex-presidente, responsáveis pelos arquivos alertaram as autoridades, o que terá levado às buscas realizadas pelo FBI na propriedade de Mar-a-Lago. O New York Times revela ainda que a elevada quantidade de documentos recuperados foi precisamente o que fez espoletar a investigação a Trump. Segundo o jornal, já foram recuperados mais de 300 documentos classificados que estavam nas mãos de Trump, cerca de 15 caixas que incluíam material referente à CIA, FBI e à agência norte-americana de segurança nacional. 

O processo que deu agora entrada na Justiça, na Florida, requer que seja um antigo advogado ou juiz a rever o material apreendido a Trump, e não o FBI, que não deverá decidir o que pode usar na sua investigação, alega o processo, que também exige que o governo dos EUA devolva qualquer documento que não esteja no âmbito do mandado executado em Mar-a-Lago.

As buscas na propriedade de Trump realizaram-se a 8 de agosto e tiveram como objetivo recuperar registos e material da presidência que os Arquivos Nacionais dos EUA e o Departamento de Justiça acreditam terem sido levados indevidamente da Casa Branca no final do mandato. Alguns meios de comunicação norte-americanos avançaram mesmo que as buscas decorreram ao abrigo de uma eventual violação da Lei da Espionagem e que algum material procurado estava relacionado com armas nucleares.

Ainda segundo o processo que esta segunda-feira deu entrada na Justiça, Trump acusa a administração de Biden de uma ato "agressivo" sem compreender a "perturbação que iria causar na maioria dos americanos". O texto alude ainda a uma possível recandidatura de Trump à Casa Branca em 2024, referindo que o ex-presidente é o claro favorito nas primárias republicanas e na eleição presidencial que se avizinha, sublinhando que não pode permitir-se que a política "tenha impacto na administração da justiça".

Também na segunda-feira, um juiz federal revelou que ainda não decidiu se iria divulgar o mandado usado pelo FBI para justificar as buscas na propriedade de Trump. O Departamento de Justiça dos EUA opõe-se a que este seja divulgado publicamente devido à "investigação a decorrer".

E.U.A.

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