Ao contrário das declarações do líder norte-americano, não só os Estados-membros atribuiram mais ajuda militar, financeira e humanitária à Ucrânia do que os Estados Unidos, mas também a Europa no seu todo
O presidente norte-americano voltou a repetir a mensagem errada de que os Estados Unidos estão a gastar mais dinheiro para apoiar o esforço de guerra ucraniano do que os países europeus, poucos minutos depois de o ter feito na sala oval, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, que o corrigiu perante os jornalistas.
"Os Estados Unidos avançaram com mais apoio à Ucrânia do que qualquer outra nação. Nós gastámos mais de 300 mil milhões de dólares e a Europa gastou 100 mil milhões. É uma grande diferença e em algum momento terá de ser igualada", afirmou o líder norte-americano.
Minutos antes, Macron interrompeu o presidente Trump enquanto os dois falavam aos jornalistas acerca do apoio à Ucrânia, insistindo que o homólogo estava errado ao afirmar que a Ucrânia estava a devolver o dinheiro à Europa.
“Para que percebam, a Europa está a emprestar dinheiro à Ucrânia. Estão a receber o dinheiro de volta”, começou por dizer Trump, quando se preparava para defender um novo acordo que garantisse 500 mil milhões de receitas minerais da Ucrânia como pagamento pela ajuda americana.
Macron agarrou a mão de Trump e interrompeu o presidente americano, insistindo que a Europa pagou cerca de 60% do total do esforço de guerra e que, tal como os norte-americanos, esse apoio foi feito através de vários instrumentos, como empréstimos, bolsas e garantias.
"Temos 230 mil milhões de dólares em ativos congelados na Europa, ativos russos. Mas isso não é garantia de um empréstimo porque não nos pertence. Por isso, estão congelados", esclareceu.
De acordo com o Instituto de Kiel para a Economia Mundial, um grupo de reflexão alemão que acompanha de perto a ajuda em tempo de guerra à Ucrânia, a União Europeia e os Estados-membros individualmente tinham, em conjunto, concedido muito mais ajuda militar, financeira e humanitária em tempo de guerra à Ucrânia até dezembro (cerca de 258 mil milhões de dólares) do que os EUA tinham concedido (cerca de 124 mil milhões de dólares).
Também a Europa atribuiu mais ajuda militar, financeira e humanitária (cerca de 138 mil milhões de euros) do que os Estados Unidos.
Os EUA tinham uma pequena vantagem numa categoria específica, a ajuda militar atribuída, fornecendo cerca de 67 mil milhões de euros contra cerca de 65 mil milhões de euros da Europa. Mas mesmo isso não estava nem perto do fosso que Trump descreveu.
Na reunião desta segunda-feira, o presidente francês afirmou que ele e Donald Trump deram “passos importantes”, sublinhando o desejo comum de construir a paz - mas avisando que isso não acontecerá se a Ucrânia for forçada a render-se.
“Esta paz não pode significar uma rendição da Ucrânia. Não pode significar um cessar-fogo sem garantias. Esta paz deve permitir a soberania ucraniana e permitir que a Ucrânia negoceie com outras partes interessadas”, disse Macron na conferência de imprensa conjunta com Trump na Casa Branca.
O presidente francês elogiou o líder norte-americano pela sua "decisão de trabalhar com o presidente Zelensky e concluir este acordo tão importante para os EUA e para a Ucrânia sobre terras raras, minerais críticos, mas também ter conversas substantivas com o presidente Zelensky, fazendo desta fase chave para alcançar este acordo, que é um grande compromisso com a soberania da Ucrânia."
