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Trump mobiliza Guarda Federal para parar os protestos em Los Angeles

CNN Portugal , MJC
8 jun 2025, 16:58

Presidente americano enviou dois mil membros da Guarda Federal para manter a ordem na cidade depois de dois dias consecutivos de protestos contra as medidas de aplicação da lei da imigração

Cerca de 300 membros da Guarda Nacional da Califórnia estão neste momento já destacados em três locais em Los Angeles depois de dois dias consecutivos de protestos contra as medidas de aplicação da lei da imigração, confirmou à CNN o gabinete do governador Gavin Newson. Estes são os primeiros de 2.000 elementos da guarda federal que vão chegar à cidade por ordem do presidente Donald Trump para manter a ordem.

“Estes 2.000 soldados da Guarda Nacional que estão a ser mobilizados hoje são especificamente treinados para este tipo de situação de multidão”, disse a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, no programa “Face the Nation” da CBS, no domingo. Noem disse que os soldados estarão lá para “manter a segurança para as operações e para garantir que tenhamos protestos pacíficos”, mas não deu detalhes sobre as suas atividades no terreno. “Não vamos permitir que uma repetição de 2020 aconteça”, disse, referindo-se aos protestos do Black Lives Matter que eclodiram em Minneapolis durante o verão de 2020.

Os protestos em Los Angeles e arredores eclodiram na sexta-feira depois de pelo menos 44 pessoas terem sido detidas por agentes federais de imigração no início do dia. As detenções foram apenas mais um momento na política de Trump de repressão da imigração, que tem incluído rusgas e deportações em todo o país. No final de sábado, alguns manifestantes reuniram-se perto de um centro de detenção de imigrantes em Alameda, incendiaram pneus e outros objetos e montaram barricadas em várias avenidas da cidade. As forças da ordem usaram gás lacrimogéneo e balas de borrachas num esforço para dispersar a multidão em Paramount, Califórnia, e vários manifestantes foram detidos.

Mas a situação agravou-se quando o presidente Donald Trump disse que ia enviar 2.000 membros da Guarda Nacional para controlar os manifestantes durante a noite. “O presidente Trump assinou um memorando presidencial que prevê o envio de 2.000 efetivos da Guarda Nacional para remediar a ilegalidade que foi permitida a florescer”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, culpando os líderes democratas ‘incompetentes’ da Califórnia. Trump explicou nas redes sociais que as autoridades locais não tinham conseguido lidar com os distúrbios e que o governo federal iria “resolver o problema como deve ser resolvido”.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o envio de tropas como “propositadamente inflamatório” e afirmou que só iria aumentar as tensões. A Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos também condenou a ordem de Trump, dizendo que a medida “marca uma escalada profundamente preocupante na abordagem da administração à imigração e na reação civil ao uso de tácticas de estilo militar”.

O Departamento do Xerife de Los Angeles disse à CNN que alguns dos manifestantes restantes atiraram fogo de artifício às forças da ordem, enquanto os agentes formaram uma linha de escaramuça para afastar as pessoas da zona. Em Nova Iorque também foram detidas pessoas que tentavam obstruir as atividades de controlo da imigração, afirmou hoje o diretor-adjunto do FBI, Dan Bongino. Numa publicação nas redes sociais, Bongino afirmou que os detidos podem ser alvo de acusações federais, locais e estatais. "Não vai acabar bem para vocês se escolherem a violência. Escolham sabiamente."

A decisão de Trump de enviar guardas federais é puco comum na história dos EUA. Os presidentes Eisenhower, Kennedy e Johnson utilizaram a Guarda Nacional para ajudar a fazer respeitar os direitos civis e a manter a ordem pública. A Guarda foi também federalizada durante o motim de 1967 em Detroit, nos motins que se seguiram ao assassinato de Martin Luther King Jr. em 1968 e durante a greve dos correios de Nova Iorque em 1970. De acordo com a CNN, a última vez que um presidente federalizou a Guarda Nacional foi durante os motins de 1992 em Los Angeles, depois de quatro polícias brancos terem sido absolvidos pelo espancamento, gravado em vídeo, de um automobilista negro.

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